Lucas Moura diz temer ser esquecido pela Seleção e projeta volta ao SP

De volta aos treinos com o Tottenham em meio à pandemia de coronavírus, Lucas Moura não tira da cabeça a meta de retornar à seleção brasileira. Enquanto tenta se adaptar à nova rotina na Inglaterra, o atacante de 27 anos admite que teme não ser mais lembrado para vestir a camisa amarela.

No ano passado, o jogador revelado pelo São Paulo viveu, talvez, a maior decepção da carreira. A boa temporada e os três gols marcados na incrível virada do Tottenham sobre o Ajax, na Holanda, pelas semifinais da Liga dos Campeões, não foram suficientes para colocá-lo na Copa América.

– Passa, às vezes, pela cabeça: “Será que nenhum treinador gosta de mim? Será que ninguém está me olhando? Será que me deixaram de lado? – questionou Lucas.

Dúvidas ele só não tem sobre qual camisa usará no momento de voltar ao Brasil. Último jogador a levantar um título de campeão pelo São Paulo, a Copa Sul-Americana de 2012, Lucas não esconde o desejo de, um dia, retornar ao clube que o projetou.

– Não consigo pensar em jogar no Brasil em outro clube sem ser o São Paulo. Quero muito voltar a jogar no Brasil. Quando penso nisso, é só o São Paulo que vem à cabeça. Não me vejo jogando em outro clube sem ser o São Paulo.

Leia abaixo uma trecho da entrevista com Lucas Moura (assista na íntegra no vídeo acima):

Como foi a volta aos treinos na Inglaterra?
Lucas Moura: – A gente voltou desde a semana passada. Estávamos treinando em grupos separados, cada grupo em um dia. Nesta semana, começamos a treinar todos os dias, mas em grupos separados de cinco jogadores em cada horário. Naquele esquema: sem contato e mantendo a distância.

– É bem estranho, um período bem atípico que estamos vivendo. Nunca imaginamos um futebol sem contato e um treino sem competitividade. Temos tentado compensar na parte física. Eu, como atacante, nos tiros curtos, na volta para recompor, numa finalização.

O que você sentiu de diferença no futebol brasileiro, francês e inglês?
– Acho que o inglês é muito diferente. É o futebol mais competitivo do mundo. Acho que se sobressai pela intensidade de jogo e a disciplina tática, que é muito alta. Os ingleses por natureza são muito competitivos. Seja qual for o treino eles dão o máximo, querem ganhar. O jogo é sempre com intensidade máxima. Sofri muito no começo com a parte física. A primeira pré-temporada foi muito difícil. Acho que se sobressai por isso, além de qualidade técnica, de ter muitos jogadores de diversos países que vêm jogar aqui pela beleza da liga e pelo poder aquisitivo dos clubes.

– A liga francesa é um pouco mais física, a estrutura dos estádios é um pouco mais baixa. No Brasil apostamos muito no lado da qualidade técnica de cada jogador, deixa um pouco a desejar na disciplina tática, no posicionamento, de jogar sem a bola. Aqui é um conjunto de tudo isso.

Você viveu um momento muito especial com os três gols nas semifinais da Liga dos Campeões do ano passado. Quais outros momentos você pode destacar desde a chegada ao Tottenham?
– Cheguei no meio da temporada, em janeiro de 2018. O clube estava vivendo um momento muito bom, em terceiro brigando para ficar em segundo e até podendo brigar pelo título. Foi um período de adaptação e não joguei tanto.

– Mas a temporada seguinte foi a minha melhor, com 15 gols, dez na Premiere League, que é algo muito difícil, ainda mais para mim. Sempre falei que não sou um artilheiro, jogo para o time. Então, vivi grandes momentos naquela temporada, dois gols contra (Manchester) United, um contra o Liverpool, fiz gol contra o Barcelona, que acabou dando a classificação na Liga dos Campões. E os três gols na semifinal foram o ápice da minha carreira.

– Na temporada atual, o time começou a oscilar muito, aconteceu a troca de treinador, o Mourinho me dando moral incrível. Sinto que estou crescendo a cada temporada, feliz com o que estou vivendo, com a moral que o treinador está me dando, como os torcedores me acolheram. Tenho objetivo e esperança de ainda conquistar um título.

Você teme acontecer o que aconteceu com o Alex, de ser um cara que joga muita bola, mas que não consegue ir para a Seleção? Teme ficar marcado por isso?
– Com tudo o que aconteceu nesses anos, na Copa de 2014 eu tinha muita esperança de ser convocado porque vivia bom momento no PSG. A gente pensa. Inclusive ano passado, aconteceu tudo na Liga dos Campeões, três gols, todo mundo fala, mas a Seleção não vem. Passa pela cabeça às vezes: será que nenhum treinador gosta de mim? Será que ninguém está me olhando? Será que me deixaram de lado? Não vou mentir que isso passa, sim, na cabeça do jogador.

– Quando você está em um lugar como a Premiere League, jogando em clube que está sempre brigando entre os primeiros, se destacando, jogando final de Liga dos Campeões e acaba não sendo lembrado, fica com esse receio de o que mais tem que fazer pra ser lembrado?!

– Mas ao mesmo tempo entendo e respeito a decisão de cada treinador. Sei que tem muitas opções para escolher. Tenho que continuar batalhando. Hoje sou um cara muito mais maduro, sei lidar bem com as decepções. Tenho que dar o meu melhor. A única chance de realizar o sonho de jogar uma Copa do Mundo é não desanimando.

Recentemente, o Wagner Ribeiro (ex-empresário de Lucas) disse que você volta “logo, logo” para o São Paulo. Isso gerou uma expectativa enorme na torcida…
– Muita gente falou, eu não tinha entendido nada (risos). Aí fui ver que era o Wagner. Ele é meu amigo, não tenho mais nenhum vínculo com ele. Mas tem um laço pessoal com a minha família. Ele sabe do meu desejo de um dia voltar para o São Paulo. Sabe que eu tenho essa meta na minha carreira. Mas tenho coisas pra conquistar aqui, o clube tá crescendo muito. Com a chegada do Mourinho e depois da temporada passada, alcançou outro patamar. Tenho objetivo de ser campeão aqui. Quero muito ser campeão e marcar meu nome na história do clube. Quando estiver decidido a voltar para o São Paulo, se o clube me quiser, com certeza irei para lá.

Voltaria para jogar em outro clube brasileiro?
– Não consigo pensar em jogar no Brasil em outro clube sem ser o São Paulo. Quero muito voltar a jogar no Brasil. Quando penso nisso, é só o São Paulo que vem à cabeça. Não me vejo jogando em outro clube sem ser o São Paulo.

Como está vendo o momento do São Paulo? Você foi o último capitão a levantar uma taça de campeão pelo clube (a Copa Sul-Americana de 2012)…
– Tenho acompanhado muito, torcido muito. Estava vivendo um bom momento. O Fernando Diniz é um cara que eu aposto bastante. Espero que conquiste (títulos), sou são-paulino, estou sempre torcendo. Espero que conquiste muitos títulos antes de eu voltar. Acho que tem grandes chances de isso acontecer. Quando voltar, vou lutar bastante para poder conquistar. Tenho sonho de jogar a Libertadores, que não tive a oportunidade. Mas vamos com calma, paciência. Tenho um tempo na Europa ainda para conquistar meus sonhos.

Qual o seu sentimento hoje em meio à pandemia de coronavírus?
– Estou muito triste. Claro, é a situação do país em que nasci, onde estão minha família e meus amigos. Mas é a situação do mundo. Um ano que já entrou para história e vai ser tema das matérias dos nossos filhos e netos na escola. É um momento muito triste. Pessoas perdendo parentes, amigos… Acho que precisamos aprender alguma coisa. O maior fracasso, além da perda das pessoas, é não aprender nada com a pandemia. Principalmente as pessoas que estão no poder, todo mundo que tem essa missão de guiar o país. Eu estou muito esperançoso, oro bastante para que tudo volte ao normal, não aconteça mais mortes e que possamos voltar para a rotina.

Fonte: Globo Esporte

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