Kalil chama projeto de “maldito” e diz sair “de cabeça erguida”

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Após anunciar através de assessoria a retirada de sua candidatura, Kalil Rocha Abdalla reiterou sua decisão pessoalmente, no Morumbi. O líder do grupo de oposição política do São Paulo entrou no saguão anexo ao salão nobre do Morumbi por volta de 19h20, 20 minutos depois do horário marcado para o início da eleição, e deu sua (dura) justificativa para ter desistido de concorrer e eleger Carlos Miguel Aidar.

Como se sabia, a desistência tem como intuito barrar a votação do projeto de reforma do Morumbi (convocada pela diretoria também para esta quarta-feira), levando em conta que o tema só é votado caso esteja presente o mínimo de 75% dos conselheiros. Como a maioria do grupo decidiu não entrar no plenário, o número não deverá mesmo ser alcançado na lista de presença.

“Fizeram uma reunião ordinária e uma extraordinária. Se tivesse duas listas, era uma coisa. Fizeram uma lista única, com o objetivo de obter quórum para a aprovação daquele maldito projeto”, disse, tendo em mãos a carta aberta que entregaria aos membros do Conselho. “Meu grupo não concorda, e nós não iremos entrar na sala. Não terá número suficiente. O candidato do outro lado tem a vitória assegurada, será candidato único”.

O candidato do outro lado é Carlos Miguel Aidar, nome escolhido pelo presidente Juvenal Juvêncio para sucedê-lo. A chapa de situação já era considerada favorita – membros da oposição, inclusive, admitiam a derrota de antemão -, em especial depois da vitória no pleito de 5 de março, ocasião em que conquistou 49 das 80 cadeiras do Conselho renováveis a cada seis anos. Ele será aclamado mandatário pelo próximo triênio.

No entendimento da “SPFC Forte”, chapa de oposição, o projeto de reforma do Morumbi (que prevê a construção da cobertura do estádio, de uma arena de show e de novos estacionamentos) não pode ser levado à votação sem uma análise meticulosa do texto. Entende ela, conforme a carta assinada por Kalil, que se trata de um “novo golpe engendrado pelas mesmas pessoas que, há três anos, promoveram a alteração do estatuto”.

“Essa decisão não é contra o clube. É contra o projeto que fizeram. Antes, tinha um projeto com uma construtora. A construtora saiu. E agora? Não tem projeto, não tem nada. O estacionamento que anunciam, não tem a menor possibilidade, é em frente a um prédio tombado. Com relação à arena, é inviável. O São Paulo vai passar 20 anos sem ter direito a um tostão disso. Isso não nos interessa”, argumentou o ex-candidato.

A Andrade Gutierrez, construtora com quem o clube havia se acertado para a obra da cobertura, desistiu da parceria por conta do imbróglio que se arrasta desde o final do ano passado, quando já foi barrada uma votação por falta de quórum. Segundo a diretoria, seus demais colaboradores (LACAN, XYZ e Multipark) continuam dispostos a contribuir com os planos.

 

Fonte: Gazeta Esportiva

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