Kalil admite dividir governo do SP com Juvenal em caso de apoio

Kalil Rocha Abdalla tem 71 anos, é advogado e foi diretor jurídico do São Paulo durante quinze anos. Assumiu o posto pela primeira vez em 1984, no governo de Carlos Miguel Aidar. Depois, voltou a ocupar a cadeira em 2002, após a eleição de Marcelo Portugal Gouvêa. Permaneceu com Juvenal Juvêncio, ocupou o cargo até a semana passada e agora é candidato à presidência do clube pela oposição. Abdalla diz ter “quase certeza” que será eleito, mas admite dividir governo com o grupo aliado de Juvenal caso seja apoiado.

Após 11 anos no clube, Abdalla entregou carta de demissão há uma semana para concorrer ao pleito de 2014. Ao lado dele está Marco Aurélio Cunha. O ex-superintendente de futebol era pré-candidato à presidência, mas recuou para abrir espaço para o novo concorrente. Cunha, assim, projeta-se como vice-presidente de futebol pela chapa de oposição.

Membros da situação duvidam que Juvenal Juvêncio aceite compor com Kalil Rocha Abdalla. Prevê briga até o fim, sem chance de o opositor cumprir o objetivo de ser candidato único. Enquanto isso, ele se prepara ao lado de Cunha e já colhe assinaturas de conselheiros vitalícios. Precisa de 55, de um total de 160, para formar a chapa: ele afirma que terá maioria e diz acreditar que não terá adversário nas urnas.

Na última quinta-feira, Kalil Rocha Abdalla e Marco Aurélio Cunha se sentaram lado a lado em entrevista ao UOL Esporte, na Santa Casa de São Paulo – instituição da qual o candidato à presidência do São Paulo é provedor. A dupla falou sobre a corrida eleitoral, estádio do Morumbi, estatuto do clube e mudanças para o futebol.

UOL Esporte: Marco Aurélio, por que o recuo na candidatura à presidência? Foi por perceber que não conseguiria o apoio de 55 vitalícios?
Marco Aurélio Cunha:
 Nós estamos propondo. Em abril virá o novo presidente. Eu me lancei, construímos um grupo importante que compreendeu essa ordem. Se houver um candidato com mais capacidade administrativa, representação no clube, identificação com conselheiros, sem qualquer problema, eu abriria mão. Nós viemos elaborando isso ao longo de um tempo. Acho que o São Paulo sai ganhando muito com o Kalil como candidato e virtual presidente, tendo meu apoio.

UOL Esporte: Kalil, por que decidiu deixar a diretoria do atual presidente e se lançar candidato pela oposição?
Kalil Rocha Abdalla:
 Saí, desisti, pedi licenciamento do cargo. Atendendo ao pedido de conselheiros, maioria me procurou dizendo que eu era um nome viável no São Paulo. Diante dos possíveis candidatos que havia, decidi participar. Espero que a gente consiga ganhar, tenho quase que certeza disso. Não digo certeza absoluta porque é difícil, mas é quase certeza. Vamos tentar disputar a eleição no próximo mês de abril.

UOL Esporte: O senhor acredita que possa ser o único candidato na eleição de 2014?
Kalil Rocha Abdalla: 
Os eleitores são os conselheiros, membros do Conselho Deliberativo. Estes, em sua maioria, estão indicando meu nome. Por isso não vejo necessidade de disputa eleitoral, de briga com outro candidato. Se a maioria está a favor de um, seria muito mais prático ter candidato único. Não sou presunçoso, mas estou admitindo essa possibilidade. É bastante viável e seria favorável a todos. Se houver adversário nós iremos enfrentá-lo. Só acho que é muito mais fácil, muito mais simples. Pelos meus levantamentos, tenho 121 de 240 conselheiros. Para ganhar a eleição, preciso de metade mais. E eu garanto que tenho 121 pessoas que me apoiam.

UOL Esporte: O senhor admitiria dividir governo e compor diretoria com a situação caso o grupo de Juvenal Juvêncio o apoie?
Kalil Rocha Abdalla: 
Sim, eu participava da atual gestão. É evidente que admito, e existe gente muito boa na situação. Não é um lado bom e um lado ruim. Nos dois lados tem gente boa e nos dois lados tem gente ruim.

UOL Esporte: Acredita mesmo que existe a possibilidade de Juvenal Juvêncio não indicar um nome como sucessor e aceitar a ideia de candidato único? É possível?
Kalil Rocha Abdalla: 
Será possível. Será admissível, não possível. Eu admito que possa conversar com ele e acertar.

UOL Esporte: Há um ano, nenhum conselheiro diria que existiria a possibilidade de a situação perder uma eleição no São Paulo. Hoje, o panorama político do clube é completamente diferente. As mudanças são apenas por causa do mau momento do futebol? O que aconteceu?
Marco Aurélio Cunha:
 Houve uma fadiga do material e esgotamento de ideias. Redundância do erro causa todo esse impacto no futebol. São Paulo é “Futebol Clube”. Se o São Paulo fosse bicampeão do mundo de basquete e estivesse nessa situação, estaria o sentimento ruim da mesma forma. Indo mal, sofre todo mundo, em qualquer área do clube.

UOL Esporte: Os senhores foram favoráveis à mudança de estatuto que permitiu o terceiro mandato de Juvenal Juvêncio. Hoje, como enxergam a alteração?
Kalil Rocha Abdalla:
 Foi uma eleição onde não estavam os 200 e tantos conselheiros, Tinha um número bem menor. A oposição se retirou da sala. Não foi mudança do estatuto. Foi uma interpretação que deram. Eu não participei dessa assembleia. Estava fora do Brasil, viajando…

Marco Aurélio Cunha: Isso foi colocado como mensagem dos nossos patronos. Então as pessoas cederam a essa solicitação. Acho que não foi boa para o São Paulo, não foi boa para o Juvenal. Eu estava dentro dela, nunca neguei que fiz esse voto. Porém, à época parecia sensato. Hoje parece que não.

UOL Esporte: A cidade de São Paulo terá no ano que vem estádios mais modernos com Corinthians e Palmeiras. Concorda que o Morumbi será o terceiro da cidade? O Morumbi ainda é fonte de receita?
Kalil Rocha Abdalla:
 Acho que o estádio do Morumbi é maravilhoso e ficará até melhor. É, o estádio é uma fonte geradora. Eu não acredito que o estádio do Corinthians vá conseguir fazer representações artísticas, vai ser muito difícil fazer shows lá no estádio do Corinthians. Muito difícil um trânsito sair de lá durante a madrugada, à meia noite, 1h. É muito mais fácil ir ao estádio do Morumbi.

UOL Esporte: O senhor fala que ficará melhor. O São Paulo anunciou o projeto de modernização do Morumbi no fim de 2011 e a obra mal começou. O clube não fala nada sobre o que trava a obra. É viável ainda? Por que está travada?
Kalil Rocha Abdalla:
 Para mim é muito importante e tenho certeza que vou conseguir fazer isso. No meu modo de ver é viável, depende de leis municipais. Mas eu tenho acesso muito grande com a empresa contratada e vou continuar mantendo o contato com ela.

UOL Esporte: Mas a lei já foi aprovada. O São Paulo já tem o alvará da prefeitura, fechou contrato com a Andrade Gutierrez. Por que a obra não saiu do papel?
Kalil Rocha Abdalla: 
Isso eu não sei, tem que ser perguntado ao Juvenal. Apesar de ter sido diretor jurídico, não tenho conhecimento do motivo por que não saiu.

UOL Esporte: Pensa em alguma mudança no estatuto do clube? Acha que o direito a voto para presidente tem de ser apenas do conselheiro?
Kalil Rocha Abdalla: 
Certamente haverá reforma de estatuto, nós vamos examinar ainda a questão. Eu acho que deva ser só conselheiros, mas estou vendo dia a dia as agremiações fazendo modificações para que os associados votem. Não sei, vamos analisar e depois decidir o que vamos fazer.

UOL Esporte: Marco Aurélio, caso a oposição vença a eleição o senhor será o vice-presidente de futebol. Quais mudanças propõe para o futebol do São Paulo?
Marco Aurélio Cunha:
 Acho que precisa de pessoas que são do meio para trabalhar com força, com poder de decisão, com hierarquia, com conhecimento, conteúdo, informações. Remunerado é importante, ajuda muito. Tem relação mais íntima e também com mais responsabilidade. A base é um problema complexo, que lá na frente nós vamos contribuir.

UOL Esporte: Por que fala que a base é um problema complexo?
Marco Aurélio Cunha:
 Formação está imbricada em muitos interesses. Agentes, trocas de jogadores, perdas de jogadores para clubes europeus. É uma estratégia que tem de ser trabalhada com muita sabedoria e transparência. Mas temos que resgatar a alma do jogador de base com o São Paulo. Porque não pode chegar o jogador de base pensando que amanhã ele vai para a Europa. Esse tipo de relação nós temos que resgatar. Ele vai ser trabalhado para jogar no São Paulo.

UOL Esporte: Qual a ideia para formar um time vencedor?
Marco Aurélio Cunha: 
A receita é montar um time competitivo. Time de adultos, mas não aquele adulto que vem terminar carreira. Sujeito que vem buscar resultado. Cidadão sério que abraça a causa, no meio de alguns garotos brilhantes que o São Paulo sempre tem. A base tem de ofertar dois ou três jogadores a cada dois anos, de relevância. Preencher com jogadores competentes, fortes, com objetivo, inteligência emocional de jogo, que respeitem a instituição. Os resultados virão. Podemos até perder. Mas perderemos com muita dificuldade.

UOL Esporte: Hoje o São Paulo está prestes a ter dez jogadores do mesmo agente, Eduardo Uram. Como vê essa situação?
Marco Aurélio Cunha: 
Existe também um certo mérito. O agente que busca jogadores trabalha melhor que o clube. O paradoxo não é ter dez do Uram. O paradoxo é não ter dez de Cotia. Ou não estamos trabalhando bem em Cotia, ou o Uram é muito bom. Ele é até um bom empresário. Ele revela e faz bons negócios. Mas exageradamente se cria um vínculo e fica dependente daquele agente, que eu acho contraditório. Ele está lá por mérito de buscar bons jogadores. Nem todos. Cabe a nós escolher, e não pedir.

UOL Esporte: Se o São Paulo for rebaixado para a Série B, a candidatura está mantida?
Kalil Rocha Abdalla:
 Não admito. Não admito a queda. A candidatura permanece. Evidente, assumimos o compromisso e vamos enfrentar qualquer coisa. Mas não admito a possibilidade da queda.

 

Fonte: Uol

6 comentários em “Kalil admite dividir governo do SP com Juvenal em caso de apoio

  1. Claudio Mauro, não sei se voce é sócio do SPFC, eu não sou, mas sou contra os sócios votarem para presidente pois sei que nem todos os sócios dos clubes são torcedores do mesmo, tambem não sei qual a porcentagem de sócios do Tricolor que torcem para outros times, mas não gostaria de ver esses sócios com poder de decisão numa eventual eleição do meu time

  2. Oposição??? Que oposição é essa que aceita dividir o governo com a situação??? Eu avisei que esse tal Kalil estava se sentindo muito senhor de si, e o cara ainda diz que não é presunçoso, imagina se fosse. Isso tá me cheirando continuação disfarçada de Juvenal Juvêncio, infelizmente.

  3. Politicos sao assim mesmo.

    Gostam de fazer negociacoes, ainda esta com certeza esta sendo

    feita com a luz do dia, com antecedencia.

    Abdala, disse uma grande verdade, gente boa e ruim tem dos dois lados.

    Se ganhar, a palavra final sera dele, isso e muito importante.

    Gostei, vamos esperar, principalmente com nosso time na A.

  4. Nâo gostei.Jà tinha começado a imaginar que iria virar pizza…o São Paulo,com estes conluios,ficará muito tempo sem títulos.

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