Igor Gomes era o último da fila, mas deixou outras crias do SPFC para trás

Nos últimos três anos, o São Paulo teve em mãos meias talentosos, de carreira vitoriosa na base, mas que nunca conseguiram repetir o nível de atuação no profissional. Lucas Fernandes e Shaylon empolgaram técnicos, receberam chances e não as aproveitaram. Desta vez, a oportunidade foi dada a Igor Gomes, que nunca foi cercado pela mesma expectativa dos antecessores. E, curiosamente, o “caçula” desse trio é quem responde mais rápido às exigências da equipe principal, que amanhã enfrenta o Palmeiras no Allianz Parque às 16h para tentar voltar a uma final de Campeonato Paulista.

Há um consenso no CT da Barra Funda e em Cotia de que Lucas Fernandes era o mais “genial” deles. Ambidestro, confundia marcadores por variar a direção dos dribles, marcava gols de fora da área e era eficiente nas bolas paradas. Depois que passou por cirurgias de ombro e joelho, voltou sem a confiança de antes, deixou de arriscar jogadas individuais e foi perdendo espaço até ser emprestado ao modesto Portimonense, de Portugal, em agosto do ano passado.

Lá, disputou 24 partidas e anotou somente um gol. Lucas só foi se firmar como titular neste ano e acumula neste momento dez rodadas seguidas iniciando os jogos. O meia tem evoluído, mas ainda está aquém do que se imaginava no São Paulo, onde os últimos meses foram marcados por atuações apagadas e pouca vibração. Ainda assim, ele é visto como um bom ativo para ser negociado, já que tem sido observado por clubes maiores de Portugal.

Um ano após a promoção de Lucas, em 2016, apareceu Shaylon, pupilo de Rogério Ceni. Na base tricolor, o jogador que nasceu nas categorias inferiores da Chapecoense era famoso por estar sempre ativo nas partidas. Entrava na área, dava muitas assistências e ainda contribuía com gols – chegou a ser artilheiro de uma temporada no sub-20 com 23 tentos. Chegou a ser comparado com Paulo Henrique Ganso e sempre se destacou pelo poder de finalização de fora da área.

No profissional, Shaylon conseguiu ser mais efetivo do que Lucas Fernandes – 4 a 2 em gols -, mas também sofreu para se adaptar ao ritmo mais forte das partidas. A percepção do departamento de futebol era de que faltava mais pilha, mais coragem para o meia enfrentar marcadores mais duros do que os que encontrava na base. Mas o São Paulo confia que isso pode ser despertado em Shaylon e por isso o empréstimo ao Bahia neste ano é visto como essencial.

Shaylon se deparou com uma realidade menos cômoda do que a que vivia no São Paulo, quase sempre na reserva. No time de Salvador, ganharia mais chances e não deixaria de ser cobrado, já que se trata de um clube de tradição, com torcida grande e exigente. E a resposta até agora tem sido boa: em 18 jogos, já fez cinco gols, um a mais do que marcou em 39 compromissos no profissional do São Paulo.

Com Lucas Fernandes já em Portugal e Shaylon no Bahia, o caminho ficou livre para que Igor Gomes pudesse ter sua chance – ainda que tenha jogado duas vezes em 2018, sempre discreto. Enquanto os antecessores começaram a ser usados aos poucos, em jogos menores, Igor entrou de cara como titular e em momento crítico para o Tricolor no Campeonato Paulista.

Era preciso garantir a classificação às quartas de final em duelo com o desesperado São Caetano, em gramado pesado no Anacleto Campanella e pressão da torcida. Igor entrou leve em sua primeira partida como titular no profissional. Tocava rápido e fácil, não se escondia. Na partida seguinte, contra o Ituano, estreou como titular no Morumbi e conduziu o time com vigor físico e presença de área, marcando os dois gols da vitória por 2 a 1.

Ainda que não tenha participado de gols na volta contra o Ituano e na primeira semifinal contra o Palmeiras, Igor seguiu como peça fundamental para um novo São Paulo que vai tomando forma. Briga o tempo todo, não prende a bola e busca sempre triangulações rápidas. Tenta aproveitar a força que tem para brigar com os marcadores e não se intimida em entrar na área. Reflexos de uma personalidade que logo chamou a atenção no profissional.

Dirigentes e membros da comissão técnica entendem que Igor pode não ter a mesma capacidade técnica, de dribles ou refinamento que Lucas Fernandes e Shaylon mostravam – embora, claro, também tenha virtudes com a bola nos pés. Mas essa diferença é compensada por uma capacidade física e mental superior. Igor se impõe mais, tem o que Diego Lugano costuma chamar de “fogo sagrado”. E é por isso que hoje depositam nele muito mais confiança do que nos antecessores.

 

Fonte: Uol

4 comentários em “Igor Gomes era o último da fila, mas deixou outras crias do SPFC para trás

  1. Então … estamos todos esperançosos com esses meninos (por mim teríamos, pelo menos, mais uns 3 como eles vindos da base). Só espero que, no caso de desclassificação e até uma possível derrota por alguns gols de diferença, os torcedores não caiam de pau em cima da garotada, querendo responsabiliza-la pela derrota. Não seria justo. Muito menos sobre quem os escalou.
    Eu, como conheço bem torcedores de futebol, temo por isto.
    Mas não tem nada, não! Vamos pra cima da porcada e que venha uma grande feijoada no jantar de domingo!!!

  2. Eu já vi inúmeras promessas, rotuladas como joias, naufragarem logo no início da carreira. Me lembro do Aritana no final dos anos 80, rotulado como o novo Zico. Depois vieram inúmeras promessas não realizadas. Harrison e Marquinhos, craques da geração Kaká. Para obter sucesso, o cara tem que ter algo a mais. Uma força interior, uma personalidade forte, que reaja bem diante de situações inusitadas. Como bem definido pelo Lugano, um “fogo sagrado”, ele mesmo um detentor desse fogo.

    • Waldir vou lembrar mais Zizinho que foi para o Mexico.
      Tem outro que jogava muito não lembro o nome, a unica recordação é que o cara meteu processo no São Paulo, ganhou a liberação e foi para a Italia depois nunca mais se falou no cara
      ]

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