Em cinco meses, Ney faz São Paulo renascer e afasta fantasma de Muricy

Dia 9 de julho de 2012. Depois de fazer um belo trabalho à frente das categorias de base da seleção brasileira, Ney Franco foi apresentado pelo São Paulo. Chegou com uma dura missão pela frente: colocar no eixo uma equipe que havia perdido o rumo com duas eliminações consecutivas, nas semifinais do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil. Emerson Leão, que tinha problemas de relacionamento com alguns atletas do elenco, havia acabado de ser demitido, e era preciso um homem capaz de provar que a ampla reformulação feita no início da temporada poderia dar certo. No início do ano, 13 jogadores foram mandados embora e outros nove chegaram.

Ney Franco São Paulo x Tigre (Foto: Thiago Bernardes / Estadão)Ney Franco à beira do campo na final da Sul-Americana (Foto: Thiago Bernardes / Estadão)

Cinco meses depois, pode-se dizer que o mineiro de Vargem Grande (MG) enterrou o fantasma de Muricy Ramalho, que havia sido o último técnico a ser campeão no São Paulo. Após a saída em 2009, cinco comandantes passaram pelo Morumbi e não tiveram sucesso: Ricardo Gomes, Sérgio Baresi, Paulo César Carpegiani, Adilson Batista e Emerson Leão.

Ney Franco, Náutico e São Paulo (Foto: Antônio Carneiro / Agência Estado)Ney Franco tem começo ruim, mas se recupera
(Foto: Antônio Carneiro / Agência Estado)

Ney Franco recebeu a seguinte mensagem do presidente Juvenal Juvêncio e dos seus comandados: teria carta branca para trabalhar, mas deveria conquistar uma vaga para a Taça Libertadores de 2013, fosse pelo Campeonato Brasileiro, fosse pela Copa Sul-Americana. O treinador alcançou o objetivo nas duas competições e acabou prevalecendo a conquista da competição continental. O início não foi nada fácil. Nas primeiras dez partidas, teve o pior desempenho de um técnico desde a saída de Mário Sérgio em 1998: quatro vitórias, um empate e cinco derrotas.

Aos poucos, ele começou a mexer na equipe. Trocou peças, mudou esquema tático, cobrou nova postura. Pediu comprometimento dos atletas. Entrou em ação a formação com três atacantes, com Osvaldo, que vinha sendo marginalizado por Leão, como grande novidade. Paulo Miranda deixou a zaga e virou lateral-direito para melhorar o poder de marcação de um time extremamente ofensivo. A equipe se acertou, engrenou uma sequência de vitórias e a vaga na Libertadores, que parecia ser utopia, tornou-se um sonho possível. Com fala mansa, conseguiu fechar o elenco, formando uma família. O resultado pôde ser verificado em campo.

Atirando com força máxima nas duas competições, Ney Franco viu o São Paulo passar por seus adversários. Na Copa Sul-Americana, com duas grandes atuações, acabou com a pose da campeã La U. No Brasileiro, após dezenas de rodadas de perseguição, colocou a equipe no G-4. A partir daí, foi só manter o que estava certo e comemorar. O inédito título da Sul-Americana chegou para coroar um trabalho iniciado às pressas, mas que foi feito com muita qualidade.

Fonte: Globo Esporte

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