Em 3-5-2 de Ney, João Filipe pode fazer o que Leão proibia: atacar

No fim do ano passado, era comum ver Emerson Leão levar as mãos à cabeça mesmo em treinosquando via João Fillipe arrancar com a bola e deixar a defesa desguarnecida. Por desobedecê-lo e atacar, o zagueiro cansou em derrota de virada para o Bahia em 2011 e perdeu espaço a ponto de nem ficar no banco de reservas nesta temporada. Quando o técnico saiu, porém, o jogador virou titular. E agora, com Ney Franco, pode atacar.

Uma das cenas mais vistas desde quando o atual treinador do time ouviu o coordenador técnico Milton Cruz e adotou o 3-5-2 é João Filipe passando do meio-campo na tentativa de driblar, ao menos, dois adversários em sua arrancada. No domingo, contra o Sport, fez jogadas típicas de lateral e, não fossem erros de finalizações de Willian José e Ademilson, sairia de campo com uma assistência para gol.

“Quando você joga com três zagueiros e só com um centralizado, um dos zagueiros tem mais liberdade. O João Filipe tem essas características. Tem a marcação como primeiro objetivo e dá consistência à defesa, mas com liberdade durante a partida porque ataca com muito propriedade”, elogiou Ney Franco, que sorriu ao saber que o zagueiro atacar por ter sido atacante na várzea. “A várzea não o preparou bem para ser atacante e ele teve que vir para trás”, brincou.

Djalma Vassão/Gazeta Press

João Filipe em uma de suas muitas arrancadas no domingo: técnico comemora por tê-lo e mudar para o 4-4-2

Mas a confiança em João Filipe é total em suas aventuras na frente, até para o comandante poder alternar o esquema durante a partida para o 4-4-2, sua tática preferida. Embora sempre evite críticas a Leão, Ney Franco diz ter encontrado um time que não sabia se posicionar com e sem a bola. E gosta de exaltar que resolveu o problema.

 

“Quando peguei a equipe, senti muita indefinição em como se posicionar com e sem a bola”, contou o treinador durante sua participação no programa Mesa Redonda, da TV Gazeta, no último domingo. “E a equipe não pode ser refém de um esquema”, continuou, feliz com a transição que o antes descartável João Filipe possibilita.

“Com exceção do Atlético-PR, sempre montei as equipes em que passei no 4-4-2. Mas no São Paulo posso escalar um 3-5-2 com o João Filipe com a característica de sair no corredor e empurrar o Douglas como meia, usando o 4-4-2 em alguns momentos. Conseguimos fazer essa variação porque sem a posse ficamos no 3-5-2”, comemorou.

Nesta liberdade, até Rafael Toloi, originalmente o zagueiro da sobra, tem aparecido em tabelas perto da área adversária. “É uma característica minha. Jogando com três zagueiros, facilita um pouco mais porque sempre tem espaço para um sair sem deixar espaço aberto atrás. E não só eu, todos os zagueiros estão saindo com qualidade porque às vezes o jogo está apertado e uma saída de zagueiro pode fazer a diferença”, disse Toloi.

Fonte: Gazeta Esportiva

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