Do terrão para o San-São: Denilson e Damião se reencontram

Aos 16 anos, ainda sem muita força física, mas já alto e goleador, Leandro Damião começava a ganhar notoriedade na várzea paulistana. Do lado de fora, nas arquibancadas ou encostado no alambrado, Denilson, então nas categorias de base do São Paulo, observava o centroavante. A dupla mal poderia imaginava que quase dez anos depois trocariam o modesto campo Jardim Aracati, extremo sul de São Paulo, pelo Morumbi, onde se enfrentam neste domingo, às 16h.

Hoje camisa 9 do Santos e contratação mais cara da história do clube, Leandro Damião foi treinado por Pereira, pai de Denilson, em uma escolinha da periferia paulistana. Foi lá que começou a amizade com o volante são-paulino, uma referência para ele no início da carreira no futebol.

– Naquela época eu via o Denilson como um espelho. Desde cedo ele estava na base do São Paulo, e eu queria jogar como ele, em um time profissional. Ele é um cara humilde pra caramba, espero um dia jogar com ele – disse o atacante, ao LANCE!Net.

A vida da dupla girou como uma bola desde que se conheceram. Denilson chegou a jogar no Arsenal, da Inglaterra, enquanto Damião estourou no Internacional e chegou até a Seleção. Nem por isso os rivais desta tarde perderam o contato.

– Conversamos durante semana e combinamos de trocar camisas ao final do jogo – revelou Denilson.

Curiosamente, a trajetória dos amigos em 2014 é parecida. Sem espaço no primeiro semestre, Denilson se firmou no São Paulo e foi qualificado como “titular incontestável“ pelo técnico Muricy Ramalho recentemente. Damião também vem em ascensão. Após superar um jejum de dez partidas sem marcar, na última quarta-feira, ele não só ganhou os elogios de Oswaldo de Oliveira, como também os aplausos da torcida.

A parceria ficará de lado neste domingo por 90 minutos. O São Paulo de Denilson tenta acabar com um jejum de dois anos sem ganhar do Santos de Damião. Desde junho de 2012 foram três vitórias do Peixe e dois empates.

Bate-bola com Denílson, volante do São Paulo, ao L!Net:

Como teve início essa amizade com o Leandro Damião?
Além do contato na escolinha de futebol em que meu pai era técnica, Leandro e eu crescemos juntos no bairro Santa Lúcia, na região do Jardim Ângela, em São Paulo.

Ele e seu pai ainda mantêm contato ou acabaram se afastando? Onde seu pai vive?
Meu pai, seu Pereira, hoje mora na Paraíba. E o Leandro foi seguir seu caminho de sucesso, por isso não se falam mais com tanta frequência.

E o que representou para seu pai ver a ascensão do Damião?
Quando o Leandro Damião começou a se destacar como jogador profissional, isso tudo significou uma vitória para todos nós lá em casa.

Quais as maiores virtudes dele?
Damião sempre foi um goleador. Já provou isso. Não foi por acaso que ele chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira.

Mas hoje ele vive momento complicado no Santos. Como explicar essa queda de rendimento?
Acredito que as lesões tenham prejudicado um pouco, mas o reencontro com a grande fase vai acontecer naturalmente. Só espero que não ele não dê provas disso no clássico de hoje (risos).

E o seu momento? Muricy Ramalho chegou a a dizer que você é titular incontestável do São Paulo.
Nunca posso me considerar titular absoluto no São Paulo, que é uma equipe que conta sempre com grandes jogadores em todas as posições. Fico lisonjeado com a declaração do professor Muricy, mas não posso relaxar nunca.

Bate-bola com Leandro Damião, atacante do Santos, ao L!Net:

Sem o Robinho, você fica mais visado dentro de campo?
Ele chama muito a atenção, claro que ninguém quer enfrentá-lo. Ficamos tristes por ele não jogar, mas temos a volta do Gabriel, um grande jogador.

O Oswaldo disse que o fim do seu jejum de gols foi mais importante que a vitória na quarta-feira. O que achou disso? Você concorda?
Acho que não. Eu sabia que o gol ia sair uma hora, o atacante precisa de gol para ter confiança, e eu sempre tive. O Oswaldo sempre me ajudou nisso, é um excelente treinador.

Pelo Inter, você costumava ir bem contra o São Paulo e fez três gols neles. É carrasco do Tricolor?
Dei sorte! O Rogério (Ceni) é um grande goleiro, e eu tive felicidade de fazer esses três gols nele, espero repetir isso agora. O São Paulo está muito bem montado, vai ser difícil.

Você se tornou pai recentemente. O que mudou na sua vida?
Minha filha me motiva. Às vezes chego em casa chateado por causa do treino, ela me dá um sorriso e eu esqueço tudo. Se eu jogo bem, me animo mais ainda. Sempre quis ter uma filha e hoje tenho essa felicidade, isso mudou muito a minha vida, é tudo diferente.

 

Fonte: Lance

 

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