De volta a Libertadores, Muricy tenta espantar fantasmas no São Paulo

O São Paulo, Muricy Ramalho e Libertadores são elementos de uma combinação efervescente. E que pode explodir. Tudo depende do que acontecer na noite desta quarta-feira, às 22h, no Morumbi, onde o Tricolor recebe o Danubio (URU), pela segunda rodada da fase de grupos da competição sul-americana.

O roteiro parece uma sina. Muricy precisa da vitória a qualquer custo para não se complicar na competição e calar as cornetas que ele conhece tão bem. Ou não foi assim de 2006 a 2009, anos entre os quais o técnico sagrou-se tricampeão brasileiro pelo clube após quedas sucessivas na Libertadores?

Muricy conheceu a “nova pressão” logo após a derrota para o Corinthians na estreia. Mas há uma diferença a ser considerada: enquanto na década passada o técnico encontrava respaldo no presidente Juvenal Juvêncio, a instabilidade presente vem justamente do principal mandatário, Carlos Miguel Aidar, que não estaria satisfeito com o técnico.

O presidente nega e na última terça-feira tomou um passo e foi ao CT tentar minimizar as polêmicas recentes. Acompanhou o treino e, no fim, se dirigiu a Muricy. O cumprimento, seguido de poucas palavras, foi breve. Muito breve. Paz selada? Uma vitória e mais parceria ajudam.

– O mérito do Juvenal era dominar os cornetas. Se ele não se contamina com as cornetas, elas diminuem. E esse é o desafio do presidente – diz Marco Aurélio Cunha, superintendente de esportes durante a passagem anterior de Muricy pelo clube e conhecedor do clube.

A verdade é que quem conhece Muricy sabe que ele está sempre desconfiado com dirigentes. A figura do cartola nunca lhe foi simpática. No São Paulo, colecionou desafetos. Ainda é receoso com o vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, mesmo com a relação direta e sincera, mais a seu gosto. Esse é Muricy.

Para piorar, o treinador não gostou nada das cobranças públicas feitas por Aidar e está desconfiado de que há no clube quem articule contra ele. Antes da partida contra o Osasco Audax, no fim de semana, um perfil de torcida organizada na internet lhe fez críticas duras. Depois, as mensagens foram apagadas.

De onde isso partiria? Aidar? Publicamente, o dirigente se expôs de novo e manteve o discurso.

– Esse título não é obrigação dele. É meu treinador e será meu treinador. Só deixará o São Paulo se quiser – afirmou, à Rádio Bandeirantes.

A linha entre a crise e o sossego é tênue. Muricy sabe bem disso.

FRITURA NOS ANOS DO TRI

2007
Muricy entrou o ano amparado pela conquista do Campeonato Brasileiro, que o clube não vencia desde 1991. A base campeã mundial em 2005 já não estava e outros jogadores foram contratados, como Jadilson, Hugo, Jorge Wagner, Borges e Dagoberto. O time, no entanto, demorou a engrenar. No Campeonato Paulista, caiu nas semifinais com derrota vexatória de 4 a 1 para o São Caetano, no Morumbi. Para piorar, na Libertadores, o time caiu nas oitavas de final para o Grêmio e a pressão já exercida por conselheiros e dirigentes aumentou. O então presidente Juvenal Juvêncio, porém, decidiu manter o técnico, que acabou a temporada como bicampeão brasileiro.

2008
São Paulo começou o ano agitando o mercado de transferências com o anúncio da contratação do atacante Adriano Imperador. A presença do consagrado jogador era utilizada pelos cornetas do técnico como argumento para exigir a conquista da Libertadores. Mas ela, de novo, não veio. No Paulistão, time também caiu de novo nas semifinais, para o Palmeiras. Já na Liberta, derrota amarga com gol no fim para o Fluminense, nas quartas de final. O Imperador saía sem títulos e Muricy reforçava sua sina de ir mal em competições de mata-mata. Juvenal, porém, não deu bola para as críticas, o bancou e no fim do ano eles comemoraram juntos o tri.

2009
Time voltou a ter dificuldade para se firmar no primeiro semestre e repetiu os resultados: caiu na semifinal do Paulista para o Corinthians e nas quartas da Libertadores, para o Cruzeiro. Juvenal, desta vez, cedeu e, após três anos e meio, decidiu mandar Muricy embora. A relação do técnico com a cúpula já não existia e Ricardo Gomes foi contratado.

Fonte: Lance

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