Cícero crê em cobrança dobrada da torcida, rebate críticas e defende SP

liminado do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil, o São Paulo ficou 17 dias sem jogar. A volta à ativa será nesta quinta-feira, contra o Defensa y Justicia, às 21h45, no Morumbi, pela primeira fase da Copa Sul-Americana. O cenário faz Cícero, um dos mais experientes do grupo, prever cobrança dobrada da torcida no restante da temporada. Ele briga por vaga de titular no time de Ceni.

O volante de 32 anos entende a tristeza dos torcedores pelas quedas nas competições para Corinthians e Cruzeiro, mas considera exageradas as críticas ao time e ao próprio futebol.

– Parece que pelas duas derrotas ninguém presta mais – disse, durante entrevista exclusiva.

Na visão de Cícero, o São Paulo vive um ano de reformulação. Ele defende a filosofia de jogo de Rogério Ceni, voltada para propor o jogo com ofensividade e agressividade.

Além disso, o volante rebate as críticas ao próprio futebol, ao ser questionado sobre erros na recomposição, e ressalta sua qualidade de passe. Segundo o footstats, ele liderou o número de passes certos (647), viradas de jogo (22) e lançamentos corretos (29) no Paulistão. O volante participou de 22 dos 25 jogos da temporada e fez quatro gols.

– Se você organiza o time e os passes saem, até para vocês da imprensa o jogador se torna burocrático. Você vê lá fora: o Xavi e o Toni Kroos driblam quem? Mas como estão lá fora olham de uma outra forma. Parece que no Brasil para você ser bem falado precisa fazer chover.

Confira a entrevista exclusiva com Cícero:

GloboEsporte.com: Você é um dos remanescentes do título da Sul-Americana de 2012, o último do São Paulo. Como pode ajudar agora?

Cícero: Não podemos falar que ficamos devendo nesse primeiro semestre, já que não vi nenhum time botar o São Paulo na roda. Teve o segundo tempo do jogo contra o Palmeiras, que foi atípico. A gente sabe que tem de melhorar e precisa dos resultados. Quando cheguei pensei em ganhar títulos. Estávamos próximos do primeiro, mas não conseguimos. Mas nosso foco é o mesmo. Esse elenco com o Rogério tem condições de disputar as duas competições muito forte. Foi gratificante participar daquele grupo de 2012. Mas futebol é momento. Estamos há quatro anos sem ganhar nada e o torcedor fica impaciente. Chegou a hora desse elenco dar uma resposta.

Dá para acreditar nos dois títulos (Brasileirão e Sul-Americana)?

– A Sul-Americana é um torneio que é muito mais rápido para ganhar. O Brasileiro requer muitos jogos. São duas competições distintas. O Brasileiro é um campeonato de regularidade. Acho que como estamos nessas duas não tem de escolher nada. O São Paulo é muito grande para pensar baixo. Quem joga aqui tem de pensar em ganhar qualquer competição que disputa.

Você vê o elenco do São Paulo preparado para o Brasileirão, competição com 38 rodadas?

– Acho que você vai preparando o elenco durante a competição. É um campeonato muito difícil. É um dos mais equilibrados do mundo, se não for o mais equilibrado. O campeonato começa no domingo e você não sabe o que vai acontecer. Nos outros países, tem quatro, três ou duas forças. No Brasileiro, você pode ser surpreendido a qualquer momento e são vários times grandes. Se vai chegar mais jogador ou não é questão da diretoria.

O que pensa para o time em 2017?

– Este ano do São Paulo é de reformulação. Veio um treinador capacitado e ídolo do clube. Se você olhar não é um trabalho ruim pelo que o time vinha mostrando nos jogos. Pegamos o Santos, Corinthians, Palmeiras, Cruzeiro e fizemos um grande jogo no Mineirão. O São Paulo tem correspondido. Tenho percebido isso nas ruas. O torcedor está empolgado com o time. Infelizmente tivemos duas derrotas em casa, para Cruzeiro e Corinthians, que nos complicaram. O torcedor ficou chateado porque queria o resultado. Mas é preciso entender que estamos numa reformulação.

– Falta ajustar algumas coisas. Sofremos alguns gols bobos. Em mata-mata isso prejudica. Saímos das duas competições jogando mais do que os dois adversários. Não estamos no caminho errado. Também queremos títulos. Não estamos aqui de sacanagem. Mas o torcedor está no seu direito de perder a paciência. Só perdemos quatro jogos na temporada. (nota da redação: a equipe fez 25 jogos em 2017). É pegar tudo que aconteceu como aprendizado e colocar em prática. Não é por causa de um ou dois jogos que ninguém presta mais. Não é por aí. Tem que haver a compreensão para que as coisas possam melhorar.

Você falou em reformulação. Se adequar à filosofia do Rogério, que pretende propor o jogo, fazer marcação alta e ser ofensivo dá mais trabalho, não?

– Essa implantação que o Rogério está fazendo é interessante. Você vê que quando a gente rouba a bola já estamos perto do gol. O que atrapalha é a sequência dos jogos. Por uma questão física você não consegue marcar tão em cima como o treinador gostaria em todos os jogos. É preciso saber encontrar o equilíbrio entre pressionar e marcar um pouco mais atrás. Marcar em cima cria um desgaste muito grande. Quando não conseguíamos fazer, sofríamos um pouco. Mas nós dentro de campo precisamos encontrar esse equilíbrio.

– O Campeonato Brasileiro é bem mais forte. Se você perguntar em qualquer clube grande: ganhar estadual não faz mais do que obrigação. Mas para o resto é crise. Eu já ganhei estadual e sei que estadual não é parâmetro para nada, para o que você vai enfrentar no restante da temporada. É importante para você ganhar ritmo de jogo, perceber algumas coisas. Mas se você olhar não é parâmetro. Tem equipe que ganha o estadual e que é rebaixada no Brasileiro porque acha que está bem e não está. A minha linha de raciocínio é essa. Vamos entrar mais fortalecidos nas duas competições.

O desempenho do São Paulo nos jogos grandes deste ano fortalecem o time para o Brasileiro?

– Com certeza. Não menosprezando outras equipes, mas veja o nível técnico. Perdemos por 2 a 0 para o Cruzeiro e fomos para o Mineirão. O Cruzeiro com um grande time e fizemos um jogo daqueles (vitória por 2 a 1). Aí você começa a tirar parâmetro das coisas. Entendo o lado do torcedor chateado. Mas é um São Paulo em reformulação e acredito que pode dar o que falar na temporada.

Acredita que a exigência da torcida contra o Defensa y Justicia, nesta quinta, será maior pelas duas eliminações? E o que dá para esperar de diferente na equipe?

– Depois de sair de duas competições a exigência vai aumentar. No início do ano todo mundo foi aplaudido no Morumbi. Disseram que o São Paulo contratou bem, ouvi de torcedor que a melhor coisa foi a minha volta. Você ganha e a torcida fica confiante. Sinto o carinho do torcedor. Mas é preciso analisar as coisas. Não tenho rede social. Mas parece que pelas duas derrotas ninguém presta mais. A exigência vai ser dobrada até dar uma resposta, porque saímos de competições e isso não estava nos planos. Tenho certeza de que o Rogério vai encontrar um bom caminho para terminarmos bem os campeonatos.

Cícero com a bola do jogo contra o PSTC, em Londrina (esq), no qual fez três gols, e ao lado do filho Enzo, em São Paulo (Foto: Montagem fotos: Marcelo Hazan / Arquivo pessoal)Cícero com a bola do jogo contra o PSTC, em Londrina (esq), no qual fez três gols, e ao lado do filho Enzo, em São Paulo (Foto: Montagem fotos: Marcelo Hazan / Arquivo pessoal)

Cícero com a bola do jogo contra o PSTC, em Londrina (esq), no qual fez três gols, e ao lado do filho Enzo, em São Paulo (Foto: Montagem fotos: Marcelo Hazan / Arquivo pessoal)

O que foi possível melhorar nesses 17 dias de treinos?

– É difícil dizer o que pode melhorar. Você vai ver a partir de quinta. Essa pausa pode ter sido boa por um lado para ver o que pode melhorar. O que cada um poderia dar a mais. Mas é preciso saber analisar. Quando você entra em campo são 11 contra 11. Veja o Palmeiras: o time que mais investiu e foi eliminado pela Ponte Preta. O que vale é a competência. Espero que a pausa tenha servido de lição para nós para que a gente possa melhorar de rendimento.

Vejo críticas nas redes sociais a você. Como enxerga isso? De forma justa? E acredita que as críticas da torcida são influenciadas pelas eliminações?

– Crítica a mim assim… vi de uma forma geral. Acho até que você deu uma exagerada em relação a mim. Mas percebi, sim, alguns comentários no geral. É natural. Saímos de duas competições. As pessoas falam que o rendimento do Cícero caiu, de fulano… Pelo meu estilo de jogo, os jogadores no Brasil só prestam se fizer gol ou sair driblando. Se você organiza o time e os passes saem, até para vocês da imprensa o jogador se torna burocrático.

Você vê lá fora: o Xavi e o Toni Kroos driblam quem? Mas como estão lá fora olham de uma outra forma. Parece que no Brasil para você ser bem falado precisa fazer chover. Se não fizer chover: “Ah, é burocrático”. Tenho meu estilo de jogo. Sei o que preciso render. Gosto de jogar de volante. Estou aqui no São Paulo para ajudar. Se o Rogério precisar de mim do meio para frente, segundo atacante, chegando mais, também jogo. O importante é a equipe encaixar e ter uma identidade. Essas críticas não senti vindas da arquibancada. Pelo contrário. Nas vezes em que fui substituído reparei reconhecimento do torcedor. É trabalhar e melhorar cada vez mais.

Taticamente, a sua recomposição de marcação está sendo feita da maneira correta ou em um lance ou outro você titubeou?

– Em um lance ou outro pode acontecer. Mas com a bola no pé você dificilmente me verá errando um passe (nota da redação: de acordo com o footstats, Cícero liderou o número de passes certos no Paulistão: 647 vezes). Tenho minhas características. Se o Jucilei ou o Thiago vão pegar mais é questão do Rogério falar e organizar.

Quando jogam vocês três (Thiago, Jucilei e Cícero) qual é a ideia?

– É como estou falando. A minha questão é que: eu tenho uma característica, o Jucilei tem uma e o Thiago tem outra. O negócio é pegar as características dos jogadores e fazer um time forte. Falam que vínhamos jogando com três volantes, mas o Thiago chega muito, eu chego de surpresa em alguns momentos. Às vezes não tenho tanto a chegada do Thiago, mas compenso em outras coisas. O negócio é achar o equilíbrio. Sobre recomposição: não adianta só o volante recompor. Para ganhar título no futebol hoje é todo mundo vai e todo mundo vem. A recomposição é na frente e atrás.

Cícero em ação contra o Cruzeiro: São Paulo fez bom jogo, mas foi eliminado no Mineirão (Foto: Washington Alves)Cícero em ação contra o Cruzeiro: São Paulo fez bom jogo, mas foi eliminado no Mineirão (Foto: Washington Alves)

Cícero em ação contra o Cruzeiro: São Paulo fez bom jogo, mas foi eliminado no Mineirão (Foto: Washington Alves)

Na sua visão, você está dentro desse encaixe de todo mundo ir e voltar junto?

– Lógico, porque faço parte de um time de 11 jogadores e tenho de ajudar nisso. Mas por causa de dois jogos que perdeu… o Cruzeiro ganhou com dois gols de bola parada. O que teve de encaixe em recomposição? Então, não é bem assim. Por isso considero exagerada (as críticas).

Pensando no restante da temporada, consegue imaginar um time do São Paulo com você, Thiago Mendes, Jucilei e Cueva forte ofensivamente e na recomposição? São quatro caras que sabem jogar com a bola.

– Cada um tem sua função. Você não pode exigir que eu tenha a mesma pegada do Jucilei, por exemplo. Ele tem uma força de natureza. Não dá para comparar. Em outro quesito posso ajudar um pouco mais. É achar o equilíbrio. A gente vinha forte até agora. Por isso digo que é meio exagerado. Até agora há pouco para a imprensa o Cícero vinha bem. Você perde dois jogos e o Cícero caiu muito de produção? Não vejo assim. Até o jogo do Cruzeiro torcida e imprensa diziam que o meio-campo do São Paulo jogava muito bem e o Cícero era uma peça fundamental. Ou estou enganado?

Não, no começo do ano era exaltado.

– Então, agora perdemos dois jogos e aí falam que a recomposição não está legal. Por isso acho exagerado. Mas sempre coloco na cabeça para melhorar. Se joguei bem um jogo, penso em fazer mais no outro. Tenho meus números de 160 e poucos gols na carreira. Nunca fui um cara acomodado. Por causa de dois jogos, não posso deixar isso ir por água abaixo.

Veja as informações da partida contra o Defensa y Justicia:

Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo
Data e horário: quinta-feira, às 21h45 (de Brasília)
Escalação provável do São Paulo: Renan Ribeiro; Bruno, Lucão, Rodrigo Caio e Junior Tavares; Jucilei, Thiago Mendes e Cícero; Neilton (Thomaz, Luiz Araújo ou Gilberto), Lucas Pratto e Cueva
Desfalques do São Paulo: Wellington Nem, Wesley e Morato (machucados), Maicon e Buffarini (suspensos), Araruna (aprimora a forma física após se recuperar de lesão muscular na coxa esquerda), Sidão e Marcinho (não está inscrito na competição)
Não relacionados: Lugano, Chavez, Breno, Wellington, Shaylon, Lucas Fernandes e Lucas Perri (opção da comissão técnica)
Escalação provável da Defensa y Justicia: Arias; Silva, Bareiro e Barboza; Delgado, Rivero, Gutierrez, Miranda e Castellani; Bouzat e Stefanelli
Desfalques do Defensa y Justicia: nenhum
Arbitragem: Ulises Mereles, auxiliado por Roberto Cañete e Dario Gaona, todos do Paraguai

Fonte: Globo Esporte

2 comentários em “Cícero crê em cobrança dobrada da torcida, rebate críticas e defende SP

  1. Vou dizer uma coisa do jogo de IDA entre SPFC x Defensa y Justicia , temos um time infinitamente melhor, e sem a menor modestia, tivemos chances de vencer aquele jogo, agora, no Morumbi, não devemos entrar com “ar” de superioridade, mas que o SPFC, possui um elenco muito superior tecnicamente e em termos de salario e visibilidade nacional e internacional, isso é inegável… Não é apenas vencer o jogo, é vencer com autoridade, agora se perder, aaaaa, ai desisto de verdade de assitir o SPFC este ano… Essa desculpa de time em formação, reformulação de elenco, há quase 10 anos, isso é a realidade do SPFC, e isso apenas nos faz “chacota” na imprensa e nas redes sociais, uma Instituição ou empresa ou negócio sem planejamento estratégico, sem responsabilidade, sem metas ou organização… Como ter fé no SPFC com uma administração que nos últimos anos se mostrou nociva e notável em montar time e não ganhar campeonatos ?? Tenho o fé apenas no Rogério CENi, por toda sua historia, um cara que ama o clube como poucos… Mas estou cansando de passar tanta vergonha e sinto esse mesmo desanimo em muito amigos sao paulinos… Pode ter certeza se hoje encontro forças para ligar a TV ou ir ao Estádio é por que acredito, exclusivamente, no trabalho de RC !!

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