Caso Aidar: por onde anda o segundo presidente do São Paulo a renunciar

Há exatamente um ano Carlos Miguel Aidar entrava para a história do São Paulo como o segundo presidente a renunciar a seu cargo (o primeiro foi Cid Mattos Vianna, na década de 1930), sob denúncias de corrupção, em ato final de uma das maiores crises da história do clube. Substituído por Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, Aidar se afastou do dia a dia do Tricolor e recusou o pedido de entrevista.

Aidar deixou o São Paulo em 13 de outubro de 2015. Uma semana depois, teve que deixar também o escritório “Aidar SBZ”, fundado quatro anos antes. No dia 20 de dezembro, o sobrenome do cartola foi retirado da empresa, que desde então se chama “ASBZ”.

Fora do São Paulo e de seu antigo escritório, o ex-presidente fundou o “Aidar Advogados” em fevereiro deste ano. Em abril, moveu ação penal contra Ataíde Gil Guerreiro, personagem central no processo que culminou na renúncia. Na Justiça, ele acusa Ataíde dos crimes de calúnia, injúria e difamação.

“(…) Nessa nova gestão passou a ser injustamente ofendido publicamente pelo ex-vice-presidente de futebol do São Paulo, Ataíde Gil Guerreiro, após este ter sido demitido do cargo por Carlos Miguel Aidar, em 5 de outubro de 2015, por tê-lo agredido naquela data em uma reunião da diretoria da agremiação”, diz trecho da ação.

“Por causa das mentiras criadas pelo Querelado, que atingiram duramente a honra e a imagem pública de Carlos Miguel Aidar, o Querelante teve que renunciar em 13 de outubro de 2015 para não prejudicar o clube que presidia e para preservar a sua família”, afirma outra parte do texto do processo.

A ação contém inúmeras reportagens veiculadas na imprensa, incluindo reportagens do GloboEsporte.com, nas quais Ataíde acusa Aidar de corrupção no Tricolor. “(…) é importante ainda mencionar que as ofensivas imputações ora tratadas, divulgadas amplamente pela mídia, resultaram em graves danos a honra e imagem de Carlos Miguel Aidar, que teve que deixar a presidência do São Paulo, sair da sociedade do seu escritório de advocacia Aidar SBZ Advogados fundado em 2011 e tentar reiniciar a sua vida profissional com quase 70 anos, mesmo não tendo o Querelante cometido qualquer conduta reprovável (…)”, diz outro trecho.

José Luis Oliveira Lima, advogado do ex-ministro José Dirceu, é um dos advogados de Aidar na ação. Constam como testemunhas escaladas por ele no processo Cinira Maturana, namorada do ex-presidente que participou de viagem com Rodrigo Caio para a Espanha, onde o zagueiro iria assinar com o Valencia, e Douglas Schwartzmann, ex-vice de marketing citado por Aidar na gravação da conversa com Ataíde. Além deles, Antonio Donizete Gonçalves, o Dedé, ex-vice-presidente social e de esportes amadores da sua gestão, e Harry Massis Junior, conselheiro do clube.

Ataíde Gil Guerreiro e Carlos Miguel Aidar, São Paulo (Foto: Marcos Ribolli)Ataíde Gil Guerreiro, ex-vice de futebol, e Aidar, ex-presidente do São Paulo (Foto: Marcos Ribolli)

Em uma audiência realizada no dia 18 de agosto, sem a presença de Ataíde, representado por seu advogado, Aidar disse não ter interesse na tentativa de reconciliação. Assim, uma nova audiência foi marcada para o dia 18 de novembro.

À época vice-presidente de futebol, Ataíde agrediu Aidar em uma reunião, divulgou e-mail e umagravação de uma conversa com ex-presidente. Nela, Aidar oferece uma comissão a Ataíde na contratação do zagueiro Gustavo, da Portuguesa. A gravação também expõe dúvidas sobre um contrato da Under Armour, fornecedora de material esportivo, com Cinira Maturana, namorada do ex-presidente. Aidar admite que ela tentou negociar, mas diz que o contrato não foi feito.

Posteriormente, Aidar e Ataíde tiveram cassados os mandatos de conselheiros do clube, apósrelatório da Comissão de Ética recheado de adjetivações.

Depois de um ano da renúncia, outro personagem importante na saída de Aidar voltou à tona: Antônio Cláudio Mariz de Oliveira. Cotado no passado para ser Ministro da Justiça do governo do presidente Michel Temer, ele recusou convite de Leco para ser vice-presidente do Tricolor, no lugar de Roberto Natel, por conta dos seus clientes. O seu escritório de advocacia foi o palco do ponto final de Aidar como presidente do São Paulo.

 

Fonte: Globo Esporte

 

Nota do PP: chamo a atenção para as testemunhas deste nefasto ex-presidente. Dignos de risos. Só quero lembrar que continua tramitando no Ministério Público ação apurando os desvios praticados no clube. Só que em segredo de Justiça. Uma hora saberemos o resultado final.

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