Cardeais sem grandeza estão matando o São Paulo

Eis aqui mais um brilhante texto do meu amigo Menon, publicado em seu blog, no Uol, o qual faço questão de reproduzir, por concordar cem por cento com suas palavras.

” Em outubro de 2015, Carlos Miguel Aidar renunciou à presidência do São Paulo. Deixou o clube no fundo do poço. Um poço de lama.

Seria natural que, diante da gravidade da situação, todos os conselheiros e dirigentes se unissem para levar o clube a uma situação de calma e tranquilidade até a próxima eleição.

Nada disso aconteceu. O que se viu nos últimos dois anos foi uma sucessão de brigas e mais brigas. Dez ou quinze pessoas se unem em um grupo a que, pomposamente, chamam de partido. E toma lá. E dá cá. Tudo em troca de uma carteirinha de sub sub diretor de piscinas, ou de badminton ou de festa junina. São cardeais ou aspirantes a cardeais brigando na lama deixada por Aidar.

A primeira chance de união foi perdida na eleição de Leco. Todos poderiam estar juntos na direção do clube até um porto seguro. Mas a oposição lançou candidato. Um direito, é lógico, como também seria um direito caminhar junto. E o candidato foi Newton do Chapéu, figura folclórica e que nada acrescenta. Seu grande currículo é ser genro de Fernando Casal de Rey, o presidente que enfrentou com dignidade e galhardia as dificuldades estruturais do Morumbi.

Um pequeno fato mostra quais são as prioridades do homem do chapéu. Ele foi candidato a deputado. Teve menos de 3 mil votos. E se apresenta, em sua página, como suplente de deputado. Ora, ele só assumiria uma vaga se 50 candidatos mais votados do que ele renunciassem. Percebem a importância de ter uma carteirinha, de querer ser alguém com poder? Imagine o mesmo no clube. Quantos não matariam por uma carteirinha de diretor adjunto da sauna nos dias nublados?

O São Paulo sempre foi um clube fechado, com eleições sendo decididas entre conselheiros, nunca mais de 300. Um sistema que acho errado, hoje os clubes precisam se abrir para os sócios, sócios-torcedores e até para os torcedores, mas é inegável que funcionou. O sistema de cardeais levou o clube a ter seu maravilhoso estádio, a ter títulos mundiais e a ter contratações que mudaram o futebol brasileiro. Basta citar Leônidas da Silva, Gérson e Pedro Rocha. Foi pioneiro na preparação física, na construção de centros de treinamentos  e nas categorias de base.

Foi gigante, apesar do sistema. Por causa dos dirigentes. Hoje, o sistema continua, mas os dirigentes estão abaixo, muito abaixo. A decadência da família Aidar (estou falando de sua presença no clube) mostra isso.

Como os cardeais tricolores estão se comportando nesse período de tempestade. Não ouvem Paulinho da Viola, que recomenda levar o barco devagar em rumo a um porto seguro. Comportam-se como personagens de Game of Thrones.

Carlos Augusto Barros e Silva mostrou-se muito vacilante nos momentos em que o futebol precisou de ação. Na fase final da Libertadores-16, trouxe Ytalo, repetindo Juvenal, que, em 2013, trouxe Silvinho. No Brasileiro, após perder Ganso, Calleri e Kardec, trouxe Robson e Jean Carlos. É um homem íntegro, que evitou falcatruas e nunca se envolveu em coisa parecida

Fora do campo, comandou um processo grandioso que trouxe um novo estatuto ao clube. Estatuto que aponta para a profissionalização e que tira o poder imperial dos presidentes.

Bastou o projeto ser aprovado, passou por uma tentativa de golpe. Os opositores queriam que ele passasse a governar sob as regras do novo estatuto, que entrará em vigor a partir de abril. Ou seja, ele foi eleito para governar sob regras definidas e querem que passe a governar sob regras que só estarão em vigor a partir do novo mandato. Golpezinho chinfrim.

A tese foi defendida pelo empresário Abílio Diniz, que teve muitas de suas boas ideias aprovadas para o novo estatuto. Mas Abílio tem pressa. Ele quer o poder no São Paulo, mesmo que não se digne a ser sócio, a atuar dentro do clube, a se tornar um conselheiro, a se candidatar a presidente. Abílio quer mandar já. Já.

O que o move um ódio visceral a Leco. Ele quer eliminar o atual presidente. Ódio pessoal, mas eliminação política, esclareço. Em condições normais de temperatura e pressão, nem seria necessário esclarecer. Abílio, que esteve com Leco contra Aidar, rompeu com Leco quando Leco afastou Milton Cruz, que era acusado de ser espião de Abílio. Repeti os nomes apenas para ficar marcada a dança das cadeiras, o jogo de intrigas.

Um dos peões de Abílio Diniz é Alex Bourgeois, que foi contratado como CEO por Carlos Miguel e por Leco. E foi demitido por ambos. O fato de ser demitido duas vezes não significa que ele seja um mau profissional. Pode até ter sido vítima do jogo de intrigas. Mas, dizem que antes de sair, já participava do mesmo jogo. Antes, não sei, mas depois, sim.

Alex, nas redes sociais, é um balde de gasolina em um incêndio. Critica, critica, critica… Mas qual é o seu interesse nisso? Ele acionou o clube na justiça trabalhista, no que está muito certo. Se ele se considera prejudicado, precisa correr atrás de seus direitos, antes que tudo isso acabe, antes que os trabalhadores percam o direito de protestar. Ele não torce para o São Paulo. Então, porque Alex quer que Leco seja derrotado? Ora, até o pavão que desfila no CT do São Paulo, sabe que ele voltará ao clube, a pedido (ou ordem) de Abílio. Caso aconteça, que, pelo menos, retire a ação.

Roberto Ópice Blum,  presidente do conselho de Ética do São Paulo, julgou Carlos Miguel Aidar, que foi afastado do clube, após gravação feita por Ataíde Gil Guerreiro, que incriminava Aidar e sua namorada Cinira Maturana em comissões. Aliás, Aidar foi um presidente democrata. Instalou comissões em muitos setores do clube.

Ópice Blum igualou acusador e acusado. Expulsou os dois do Conselho, baseando-se em uma maluquice total: Ataíde teria tentado assassinar Carlos Miguel. O motivo? Enfraquecer Leco, amigo de Ataíde. E fortalecer a própria candidatura em abril. E continuou com sua tática, ao aceitar uma acusação antiga contra Leco, ainda referente ao caso Jorginho Paulista. Justamente ele, Opice Blum, que desconsiderou as acusações sobra a comissão de 15% do enrolado caso Far East. Sua atitude foi tão marcadamente partidária que inviabilizou seu nome. A esperteza matou o gato.

O candidato escolhido é Jose Eduardo Mesquita Pimenta, vencedor nos anos 90, com Telê Santana. Foi afastado do clube por uma suspeita de comissão na venda de Mário Tilico. Em virtude da suspeita, foi exonerado, pelo então prefeito Paulo Maluf, do cargo de secretário municipal de esportes. Voltou ao clube.

 

Então, a eleição reúne Leco, que é presidente, Mesquita Pimenta, que foi presidente e Roberto Natel, que era vice de Leco e que tentou submete-lo a uma prévia eleitoral. E é uma eleição que chega em um momento de grande incerteza jurídica. O conselheiro Assis ganhou uma causa no STF que condena a mudança de estatuto feita por Juvenal em 2004, que lhe deu direito a uma nova candidatura. Ora, quando o clube já fez um novo estatuto, qual o sentido de manter a demanda. Assis não poderia ter a grandeza de retirar a ação e deixar o clube seguir seu curso. Não, ele busca a instabilidade.

A impressão que fica é que o São Paulo carece de ideias e está se reciclando, sempre com um olho no passado. Juvenal mudou o estatuto e se candidatou novamente. Trouxe Aidar, que foi artífice da mudança do estatudo e que já havia sido presidente. E agora, Mesquita Pimenta, que já foi presidente tenta voltar. Já que é para voltar, que se chegue a Laudo Natel.

É a falência do sistema de cardeais. Um sistema fechado, em que pessoas se movem mais por ódio umas às outras, mais pela busca de um pequeno pequeniníssimo poder. O clube não aguentará por muito tempo. Precisa de oxigênio, precisa de ideias novas, precisa de pessoas que o defendam e que lutem por ele. E grandes ideias estão em falta entre os homens de imponentes sobrenomes.”

 

Nota do PP: Concordam que é uma análise perfeita?

13 comentários em “Cardeais sem grandeza estão matando o São Paulo

  1. Vejo nosso clube como um retrato de nosso País. Para ser breve vou exemplificar através da educação pública. Antigamente, tinha-se qualidade no ensino, hoje existe aprovação automática, portanto se buscava o conhecimento enquanto hoje em dia viu um filme no youtube já acha que aprendeu e tornou-se um especialista. Os cardeais eram pessoas notórias, pessoas com conhecimento de verdade na bagagem, com sucesso na vida pessoal e financeira, que podiam se dar ao luxo de dedicar seu tempo, conhecimento e sucesso em troca de uma paixão, sem esperar uma recompensa. Hoje, sócios querem ser diretores, conselheiros, administradores do parquinho, apenas para obterem vantagem, pois não tem o que ao menos oferecer ao clube, afinal estes carregam uma bagagem vazia de conhecimento e conquistas pessoais. Triste retrato!

  2. Vejo nosso clube como um retrato de nosso País. Para ser breve vou exemplificar através da educação pública. Antigamente, tinha-se qualidade no ensino, hoje existe aprovação automática, portanto se buscava o conhecimento enquanto hoje em dia viu um filme no youtube já acha que aprendeu e tornou-se um especialista. Os cardeais eram pessoas notórias, pessoas com conhecimento de verdade na bagagem, com sucesso na vida pessoal e financeira, que podiam se dar ao luxo de dedicar seu tempo, conhecimento e sucesso em troca de uma paixão, sem esperar uma recompensa. Hoje, sócios querem ser diretores, conselheiros, administradores do parquinho, apenas para obterem vantagem, pois não tem o que ao menos oferecer ao clube, afinal estes carregam uma bagagem vazia de conhecimento e conquistas pessoais. Triste retrato!

  3. Vejo nosso clube como um retrato de nosso País. Para ser breve vou exemplificar através da educação pública. Antigamente, tinha-se qualidade no ensino, hoje existe aprovação automática, portanto se buscava o conhecimento enquanto hoje em dia viu um filme no youtube já acha que aprendeu e tornou-se um especialista. Os cardeais eram pessoas notórias, pessoas com conhecimento de verdade na bagagem, com sucesso na vida pessoal e financeira, que podiam se dar ao luxo de dedicar seu tempo, conhecimento e sucesso em troca de uma paixão, sem esperar uma recompensa. Hoje, sócios querem ser diretores, conselheiros, administradores do parquinho, apenas para obterem vantagem, pois não tem o que ao menos oferecer ao clube, afinal estes carregam uma bagagem vazia de conhecimento e conquistas pessoais. Triste retrato!

  4. Vejo nosso clube como um retrato de nosso País. Para ser breve vou exemplificar através da educação pública. Antigamente, tinha-se qualidade no ensino, hoje existe aprovação automática, portanto se buscava o conhecimento enquanto hoje em dia viu um filme no youtube já acha que aprendeu e tornou-se um especialista. Os cardeais eram pessoas notórias, pessoas com conhecimento de verdade na bagagem, com sucesso na vida pessoal e financeira, que podiam se dar ao luxo de dedicar seu tempo, conhecimento e sucesso em troca de uma paixão, sem esperar uma recompensa. Hoje, sócios querem ser diretores, conselheiros, administradores do parquinho, apenas para obterem vantagem, pois não tem o que ao menos oferecer ao clube, afinal estes carregam uma bagagem vazia de conhecimento e conquistas pessoais. Triste retrato!

  5. Vejo nosso clube como um retrato de nosso País. Para ser breve vou exemplificar através da educação pública. Antigamente, tinha-se qualidade no ensino, hoje existe aprovação automática, portanto se buscava o conhecimento enquanto hoje em dia viu um filme no youtube já acha que aprendeu e tornou-se um especialista. Os cardeais eram pessoas notórias, pessoas com conhecimento de verdade na bagagem, com sucesso na vida pessoal e financeira, que podiam se dar ao luxo de dedicar seu tempo, conhecimento e sucesso em troca de uma paixão, sem esperar uma recompensa. Hoje, sócios querem ser diretores, conselheiros, administradores do parquinho, apenas para obterem vantagem, pois não tem o que ao menos oferecer ao clube, afinal estes carregam uma bagagem vazia de conhecimento e conquistas pessoais. Triste retrato!

  6. O Millor dizia que o diabo não era perigoso por ser o diabo, mas porque era velho.
    Nada contra a velhice, eu mesmo sou um. Só acho que, acabando-se os sonhos, bate o desespero e, principalmente aqueles que tiveram algum sucesso em suas vidas – por méritos próprios ou herdados, vivem a buscar oportunidades de ainda “se acharem” na vida; terem oportunidade de se mostrarem “poderosos”; de continuarem nas mídias se exibindo ao lado de personalidades do esportes e, preferencialmente, ao lado de belas acompanhantes. Para isto não medem esforços nem ridículos. Acredito que é o que vem acontecendo no SPFC dos últimos anos. Se voltarmos no tempo, vamos ver que os cardeais de antigamente não escolhiam a “velharia” para dirigir o clube. Esses que estão querendo voltar ou continuar, já passaram pela diretoria em idades produtivas, quando sonhavam em ver o São Paulo como um grande clube e, um após outro, realizaram esse sonho. Hoje não! Hoje é apenas “poder pelo poder”! O sonho de ver o clube voltar a ser exemplo não passa pela cabeça de nenhum deles, que não vêem futuro para si e, portanto, não interessa pelo futuro de ninguém, a não dos seus. Sem sonho, é o dia a dia; o toma lá da cá; o dane-se (farinha pouca meu pirão primeiro). O Menon está certíssimo no diagnóstico: enquanto os tais cardeais continuarem absolutos dentro do clube, o futuro será o aportuguesamento do tricolor, com chance de não ficar ninguém para apagar as luzes no final…

  7. Sim. O sistema ds cardeais que já pode ter sido um trunfo em outra época época hoje faz com que o SPFC caminhe com a velocidade de uma lesma. Enquanto você vê os adversários correndo como com uma ferrari.

    É um apego muito grande ao poder. Essas pessoas vão passar e o spfc permanecerá, mas atrapalhado por essas pessoas.

    Como bem observado no texto, o sp pertence aos torcedores. O clube precisa se abrir a novas idéias, a novas pessoas, talentosas. Tem tanto são paulino brilhando no mercado, seria ótimo ouvir suas idéias. Mas não, o clube se fecha, como se bastasse em si mesmo.

    O Leco é uma pessoa de bem, cumpriu seu papel e ajudou o SP em um momento de grande turbulência, mas acho que seria a hora de passar o bastão para uma pessoa com mais vigor e intransigente com a honestidade e com os valores do SP, para colocar o estatuto em vigor e o clube no século XXI. Não é possível que não tenha ninguém com esse perfil.

    O SP precisa estudar de que forma se abrir mais ao torcedor e a novas idéias.

  8. O menon é realmente uma pessoa diferente, que texto primoroso! Explicou de forma clara e objetiva o maior problema do nosso amado clube, parabéns menon.

    Paulo, você poderia colocar esta matéria em destaque por alguns dias? É bom que todos saibam o porquê das coisas que acontecem no nosso clube querido.

    Parabéns pela atitude de replicar o texto Paulo.

  9. Sempre pontuei que se Abílio Diniz quisesse ser presidente que o fizesse pelas vias legais. Infelizmente temos um palpiteiro de mão cheia, e que acha que o clube e sua diretoria tem se subordinar a ele como seus empregados nas suas empresas.

    Quer se presidente, faça como Dona Leila Pereira da Crefisa no Palmeiras ! Acredite e ajude o clube, pois de bons conselhos o inferno está cheio. O SPFC precisa muito mais do que palpites.

  10. Essa podridão política ocorreu depois que resgataram aquele TRASTE do juvenal, talvez o único erro do grande MPG.
    Ele implantou essas sorrateiras políticas de compra de apoio que permanece até hoje, por isso eu o considero um destruidor de clube.
    A podridão continu, mas o pior é que a incompetência impera junto.
    Desde 2009 é um show de incompetência, vergonhas e mais vergonhas.
    Não tenho muitas esperanças, torço pro Pimenta pelo seu passado que levou o SPFC ao topo do mundo e nao foi por sorte, foi competência que a grandeza do clube merece.
    Quanto ao Lero Leco, pode até swr honesto, mas já provou ser incompetente. Natel nem se fala, o homem lambe bolas do jumencio e dos postos de gasolina, seria um absurdo dar o clube nas mãos desse sujeito.

  11. É perfeito e é o que digo há meses. Só acrescento que o sistema doente não irá mudar, o que levará a uma decadência acentuada do São Paulo. Não me levem a mal, não desejo o mal de ninguém, mas a solução será esperar essa enorme geração de cardeais morrer. Muitos já estão pra lá dos 75, como Leco e Pimenta. É uma questão estatística. Corinthians e Palmeiras já passaram por esse processo (vide Matheus e Mustafá) e hoje tem lideranças mais jovens. Resta saber se dará tempo de recuperar. Para o Vasco, não deu.

  12. É uma análise de quem, realmente, conhece e acompanha a vida nas entranhas do São Paulo. Contudo, no meu entender, ele peca pela parcialidade ao tentar, de forma camuflada, enaltecer e conclamar apoio a gestão do Leco, cuja presidência, todos sabem, lhe caiu no colo por oportunismo e absoluta carência de prazo para o surgimento de potenciais candidatos ao cargo. O São Paulo, lamentavelmente, nada mais é que um retrato do atual momento político-partidário do país. Uma grande colcha de retalhos, uma grade taba, na qual a quantidade de caciques é bem maior que a de índios. Quanto ao Sr. Abílio Diniz, eu desconfio que ele nem torcedor é. Fui colega de classe, no ginásio, do seu irmão mais novo, Alcides
    Diniz, mais conhecido como Sidão, e sei que a família era constituída de grandes beneméritos da A.Portuguesa de Desportos. Mas, vamos lá, temos que continuar acreditando que somos o clube da fé.

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