Calleri reencontra preparador do River Plate que salvou sua mente

Jonathan Calleri não faz gols há oito jogos e perdeu um pênalti na rodada passada do Paulistão. Quem conhece superficialmente o atacante do São Paulo, caso da imensa maioria no Brasil, onde ele é recém-chegado e só ficará até fim de junho, nem imagina que para conseguir encarar o mau momento com serenidade na mente e no semblante, ele teve como um de seus maiores aliados, ironia do destino, o compatriota Pablo Dolce, preparador físico do River Plate.

Voltar a Buenos Aires, onde nasceu e cresceu, é especial para Calleri. E nesta quinta-feira, além de enfrentar o River, velho e maior rival, no Monumental de Nuñez, o ex-artilheiro do Boca Juniors vai se reencontrar com o homem que, há quatro anos, o convenceu a procurar um psicólogo e mudou o rumo de sua carreira.

– Psicólogo por quê? Eu não sou louco!

Essa foi a reação de Calleri quando Dolce o sugeriu um profissional que cuidasse de sua cabeça. Ambos se conheceram no All Boys, clube do bairro da Floresta, onde o jovem passou sua infância e se encantou pelo futebol.

Com 18 para 19 anos, ele fazia seus golzinhos nas categorias de base da equipe, mas, sabe-se lá porque, não se firmava. Era sempre o último da fila a ser puxado para integrar o time principal. Em 2012, Dolce, que já havia trabalhado no River Plate, com o técnico Daniel Passarella, e passado pelo futebol mexicano, foi contratado pelo All Boys e, logo na chegada, viu Calleri se destacar num jogo-treino contra o modestíssimo Berazategui.

Pablo Dolce Calleri São Paulo (Foto: Arquivo Pessoal)Pablo Dolce, atualmente preparador do River, ao lado do atacante do São Paulo (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois da atividade, o preparador físico chamou o atacante e fez a sugestão. Calleri relembra:

– Nós empatamos por 2 a 2 e eu pude fazer os dois gols. Quando terminou o treino, ele me chamou e perguntou se eu ia ao psicólogo. Eu respondi: “Não estou louco”. E ele disse: “Não, veja, não quero que me leve a mal, mas conheço alguém que pode ajudar sua carreira”. Depois de dois ou três dias, ele me passou o número do Marcelo Roffé, psicólogo esportivo muito importante na Argentina, e me disse para ligar. Eu recebi com pouca fé, mas fui até lá e gostei do primeiro dia, do segundo, do terceiro… E fui durante três anos.

Até então, a ansiedade era inimiga número 1 de Calleri. Na adolescência, o futebol parecia ser um passatempo momentâneo em sua vida. Tanto que ele relutou mudar de clube para não ficar longe dos amigos, algo bem distante de quem almeja ser profissional, e cogitou largar tudo para estudar educação física ou jornalismo.

Só que ao mesmo tempo em que a ansiedade o prejudicava, o fato de ser “caxias” para alguém de sua idade, a determinação com que encarava os treinos, o fizeram dar passos mais largos do que alguns colegas mais talentosos, porém bem menos empenhados.

Desconfiado. É o adjetivo perfeito para definir o espírito de Calleri quando telefonou para Marcelo Roffé, autor de 10 livros sobre psicologia esportiva, figura fácil entre atletas de altíssimo nível, de serviços prestados à seleção argentina, a jogadores como Javier Mascherano, e, na Copa do Mundo de 2014, à Colômbia do técnico compatriota José Pekerman.

– Eu nunca havia ido a um psicólogo, e ele era diferente. Comecei a falar dos meus problemas futebolísticos, que passavam, principalmente, pela ansiedade, por querer tudo para já, não saber esperar. Ele me tratou durante três anos, estou mais sereno, aprendi muitas coisas. Antes de eu vir ao Brasil, prosseguimos as consultas, agora nos falamos por WhatsApp, mas sempre o tenho presente, e ele a mim – disse o atacante sobre a relação profissional que virou amizade.

Ao constatar logo que a sugestão de Dolce seria triunfal, Calleri também se aproximou do preparador físico. No ginásio, fizeram treinos particulares, trocaram confidências, e próximos se mantiveram até que um vestisse a camisa do Boca Juniors e outro passasse a trabalhar na comissão técnica de Marcelo Gallardo, no River Plate.

Pablo Dolce Calleri São Paulo (Foto: Arquivo Pessoal)Pablo Dolce (em pé) conheceu Calleri (sentado) no All Boys, clube de menor porte na Argentina (Foto: Arquivo Pessoal)

A partir desse momento, as mensagens tiveram que se tornar secretas.

– Na Argentina não gostam muito que um jogador do Boca fale com um “profe” do River, poderíamos ser mal interpretados. Nos chamamos de vez em quando, mas menos do que antes – diz Calleri, hoje com 22 anos.

Se está feliz pelo reencontro, o centroavante, que usa a camisa 12 em homenagem à torcida do Boca, usa as lições aprendidas com Dolce e Roffé para superar o incômodo jejum de gols, quem sabe contra o River Plate, num jogo especial, em seu país. A receita? Está na mente…

– Durante o tempo em que frequentei o consultório, aprendi técnicas para fazer as coisas positivamente. Sei que qualquer um pode perder gols ou pênaltis. Quem joga no ataque sempre quer fazer gols e eu não estou conseguindo, mas sou positivo, confio em mim, tenho fé que isso vai se reverter a qualquer momento. Confio nas minhas condições e, quando estiver de frente para o gol outra vez, vou eleger a melhor opção para converter.

São Paulo e River Plate se enfrentam nesta quinta-feira, às 19h30, com transmissão do Sportv e, Tempo Real do GloboEsporte.com. Ainda sem pontuar, o Tricolor tentará diminuir a desvantagem no Grupo 1 da Libertadores para o The Strongest, que tem seis pontos, e o próprio River, com três. O Trujillanos, da Venezuela, também está zerado.

 

Fonte: Globo Esporte

Um comentário em “Calleri reencontra preparador do River Plate que salvou sua mente

  1. as frangas do sortudo tite tititi perderam duas e ninguém da imprensa nojenta nao fala em crise,e olhem que perdeu um clássico e hoje para um time ruim que vinha de três derrota.

    abrer o olho soberano se perde para o river não é o fim do mundo ,mas a nojenta vai fazer de tudo para colocar a crise

    vergonha na cara ,estou de olho em vocês jogadores e treinador

    pra sempre soberano

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