Briga entre São Paulo e Penalty vai muito além de gafe com Rogério Ceni

Na última semana, a Penalty anunciou a aposentadoria de Rogério Ceni e gerou uma crise institucional que pode terminar no rompimento da parceria com o São Paulo. É o que quer o clube, ao menos. Só que a gafe com o capitão tricolor é só o último episódio da queda de braço entre as partes.

São Paulo e Penalty estão em pé de guerra desde que Carlos Miguel Aidar assumiu a presidência do clube, no meio do ano. A explicação da confusão passa por crise política, problemas financeiros e modelos diferentes de gestão. Se confirmar o rompimento do contrato de fornecimento de material esportivo com a marca brasileira, o clube encerrará uma parceria de dois anos que foi polêmica desde seus primeiros passos.

A Penalty chegou ao São Paulo em janeiro de 2013 substituindo a Reebok. Na época, a diretoria anunciou que o contrato renderia R$ 35 milhões por temporada aos cofres tricolores, o que faria desse acordo o segundo maior do país, à frente de Corinthians-Nike (R4 30 milhões) e atrás apenas do Flamengo-Adidas (R$ 38 milhões).

Só que o valor divulgado levou em conta o valor de mercado das peças que seriam fornecidas para o São Paulo durante o tempo de contrato. Em dinheiro, o clube recebeu “apenas” R$ 13 milhões. Na época do anúncio, a revista Época Negócios divulgou a matemática feita pelos dirigentes. O clube reagiu com uma nota oficial em que acusou o jornalista em questão de, entre outras coisas, se deixar levar por clubismos. Um ano depois, o balanço tricolor deu razão ao repórter e desmentiu os cartolas.

A primeira confusão, porém, não afetou as relações entre São Paulo e Penalty. O primeiro abalo foi no lançamento da terceira camisa, toda vermelha. O modelo gerou controvérsia entre os torcedores e foi bastante rejeitado pelos patrocinadores, pelo simples fato de que o desenho não dava visibilidade às marcas estampadas no uniforme. O clube comemorou que todo o (pequeno) estoque de camisetas foi vendido, mas teve de administrar uma disputa interna entre as marcas parceiras por conta da iniciativa.

Ainda assim, isso tudo pareceu fichinha perto da turbulência de 2014, quando Aidar assumiu a presidência. O novo mandatário não aprovou o modelo de confecção do contrato, feito pela gestão do agora desafeto Juvenal Juvêncio. Além disso, sempre reclamou que a marca brasileira não conseguia dar ao clube a internacionalização desejada, já que não conseguia pôr o uniforme tricolor à venda no exterior. Por último, e não menos importante, pesava o atraso dos pagamentos mensais da Penalty, que vivia crise financeira.

Pouco depois de assumir, Aidar chegou a dizer publicamente que negociava com Adidas, Puma e Under Armour para substituir a Penalty antes do fim do contrato da mesma, marcado para dezembro de 2015. A notícia caiu como uma bomba no mercado e passou a prejudicar as vendas, o que afeta tanto a fornecedora quanto o próprio São Paulo, que deixa de lucrar.

Por isso, em outubro, os dois lados ensaiaram uma aproximação. Em uma entrevista coletiva que chegou a ser interpretada equivocadamente como uma renovação de contrato, São Paulo e Penalty anunciaram uma parceria renovada, em moldes diferentes, que poria paz na relação. A cereja do bolo seria justamente a camisa especial para Rogério Ceni, que está em via de se aposentar, mas ainda faz mistério sobre o tema.

Na semana passada, a Penalty enviou um comunicado à imprensa convidando os jornalistas para um evento de “despedida de Rogério Ceni”. A gafe revoltou o São Paulo, que já na semana passada falava em processar a marca. Na última segunda, logo depois do vazamento do modelo que será lançado em homenagem ao goleiro, Carlos Miguel Aidar reuniu-se com executivos da Penalty para tentar uma rescisão amigável, em movimento que pode finalmente colocar fim à turbulenta parceria.

 

Fonte: Uol

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