Breno é condenado a três anos e nove meses de prisão na Alemanha

O zagueiro Breno, do Bayern de Munique, foi condenado a três anos e nove meses de prisão, em sentença anunciada nesta quarta-feira. Ele foi apontado como causador do incêndio que ocorreu em sua casa, ano passado.

No julgamento de desta terça-feira, o que se viu foi um Breno calmo, sentado ao lado de uma intérprete que traduzia para o português tudo o que era dito pelos presentes (um dos problemas de adaptação do zagueiro a Munique foi a dificuldade com o idioma). Fora dos gramados, Breno foi obrigado a sofrer a marcação cerrada da juíza Rozi Datzmann, daquelas com um alemão bem arrastado, cara de má e que não permitiu que ninguém se aproximasse do atleta e nem que tirasse fotos dela. Com três intervalos longos, o julgamento durou cerca de 5h.

No início, a juíza lê tudo que foi dito nas outras sessões até o momento. Com poucos jornalistas e alguns curiosos presentes, o julgamento de terça foi baseado no depoimento de um psiquiatra e de uma legista que fez exames toxicológicos em Breno, alguns dias depois do incêndio.

O médico Aachen Henning Sass afirmou que o zagueiro bebia regularmente e que no dia do incidente havia ingerido uma garrafa de uísque, cinco a 10 cervejas e vinho do Porto. Quando ficou detido, durante 13 dias, após o ocorrido, Breno recebeu a visita da legista Jutta Schopfer, que afirmou que o atleta tinha 2,5 ml de álcool no sangue, no dia do exame, mas que isso não seria motivo para não se lembrar de nada no dia do ocorrido. O zagueiro não teria respondido a nenhuma pergunta feita por Jutta e a única coisa que disse foi que não se lembrava de nada no dia do incêndio. A juíza então insistiu no assunto e várias perguntas foram feitas para a legista. Drogas não foram encontradas no sangue do brasileiro.

Breno alega que usou isqueiros para acender cigarros

Em sua defesa, o advogado de Breno, Werner Leitner, afirmou que o jogador tomou um medicamento chamado “Stilnox”, remédio forte para dormir, que não pode ser misturado com álcool, e por isso não se lembrava de nada que acontecera naquela noite do incêndio. Esse medicamento teria sido dado por um médico do Bayern de Munique.

Um diretor esportivo do clube, que esteve presente no tribunal nesta quarta, afirmou que no clube não há remédios para dormir e que portanto nenhum medicamento teria sido dado ao jogador. Breno afirmou em seu depoimento que bebeu demais e fumou alguns cigarros também, por isso teria entregado três isqueiros para a polícia.

Para o jornalista Oliver Bendixen, que cobre o caso para a emissora “Bayerischer Rundfunk”, a justiça alemã está certa em cobrar explicações detalhadas do zagueiro brasileiro.

– Normalmente eles dão de 10 a 15 dias para resolver um caso assim. A justiça está dando tempo, é um crime sério, não havia ninguém em casa, o que deixa mais evidências de que o incêndio foi proposital – disse Oliver.

O jornalista afirmou ainda que Breno pode pegar de três a quatro anos de prisão e que teria que cumprir a pena na Alemanha mesmo. Caso seja condenado a dois anos, o jogador não irá para a cadeia: terá que fazer trabalhos sociais e não se envolver em nenhum tipo de confusão.

– Ainda se ele pegar três ou quatro anos terá revisão do processo, talvez a juíza dê dois anos. Pode haver algum acordo também, como pagar o valor da casa incendiada (cerca de € 1 milhão, ou R$ 2,5 milhões).

Vizinho critica zagueiro: ‘No Brasil, acaba tudo em pizza’

Vizinho de Breno no bairro de Grunwald, onde a casa pegou fogo, Klaus Popping criticou o jogador e afirmou que o pensamento do zagueiro estava no Brasil na hora do incidente.

– Ele deve ter achado que estava no Brasil e que nada iria acontecer. No Brasil, se a pessoa é rica, ela dá dinheiro e consegue tudo. No final acaba tudo em pizza. Aqui na Alemanha é mais sério e rígido. A justiça daqui não está levando em consideração que ele é famoso e jogador de futebol. Mas mesmo assim espero que ele receba apenas dois anos para não ter a vida destruída – afirmou o vizinho do bairro de Grunwald.

A esposa do jogador, Renata, não compareceu nenhum dia ao julgamento. Em uma das sessões, a juíza revelou gravações de conversas telefônicas de Renata com um amigo logo após o incidêndio, quando a brasileira teria dito que “satanás havia tomado conta do corpo de Breno” na hora do incidente.

Policiais que chegaram na casa de Breno durante o incêndio afirmaram que o jogador estava completamente fora de si, que corria pela casa e que gritava “schaise” (“merda” em alemão). Disse ainda que tudo na sua vida estava ruim e que a única coisa que conseguiu fazer foi salvar os cachorros.

Breno, que perdeu tudo no incêndio, inclusive os passaportes de toda a família, não pôde sair da Alemanha sequer para visitar parentes no Brasil. Na época do fogo, o zagueiro, a mulher e os filhos chegaram a ficar sem roupas, sapatos e objetos pessoais. A família foi ajudada pelo companheiro de clube, o lateral-direito Rafinha, que além de ter dado roupas, ainda os recebeu em casa logo após o incêndio. O ex-atleta do Coritiba chegou a afirmar que Breno era um “cara tranquilo até demais” e disse não entender o que teria acontecido. O zagueiro também teria ficado em depressão por não estar jogando (por problemas no joelho) e foi cogitada a hipótese de um incêndio proposital para o jogador receber o dinheiro do seguro da casa, já que na Alemanha, quando o atleta fica um tempo sem jogar, ele para de receber salários do clube e passa a ganhar uma espécie de seguro no valor de € 5 mil, cerca de R$ 12 mil. Depressão? Brigas com a esposa? Alcoolismo? O futuro de Breno está nas mãos da juíza de cara fechada

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