Aidar fortalece SP com Kardec e discurso afiado, mas deixa metas de lado

Carlos Miguel Aidar foi eleito presidente do São Paulo há menos de três semanas e, nesse curto período, mostrou qual será o tom de sua gestão, dentro e fora do São Paulo. O sucessor de Juvenal Juvêncio estabeleceu metas internas, com modificações em todo o clube, e externas, para o futebol brasileiro, com ideias como uma nova união entre os clubes, isolada da CBF. Os primeiros atos de Aidar, no entanto, serviram para dominar território. Enquanto o presidente fez do São Paulo um protagonista, com criação de novas receitas e contratação importante para o time, as metas externas foram afetadas e se tornaram quase impossíveis.

É claro que Aidar não colocou como promessas de campanha a seus eleitores a união entre os clubes, a criação de uma nova liga independente e o retorno do modelo de negociação coletiva pelos direitos de TV. O candidato da situação assumiu o compromisso de devolver o São Paulo ao patamar de protagonista do futebol brasileiro. Mas as metas externas, relacionadas ao futuro do futebol brasileiro, sempre foram ditas pelo presidente durante a campanha. Como objetivos, e não como promessas ou artifício para ganhar votos.

Em três semanas, Aidar trocou farpas com Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians e responsável pelo Itaquerão, por ter criticado a localização do estádio, chamou o Palmeiras de “pseudo-dono” de seu estádio, questionou os valores pagos pelo Santos em Leandro Damião e, principalmente, comprou briga com o Palmeiras ao contratar o atacante Alan Kardec. Quando foi chamado de “antiético” e “sorrateiro” pelo presidente palmeirense Paulo Nobre, classificou a atitude como “patética” e disse que o rival estava se “apequenando” por atitudes como essa.

A dominação territorial e o aviso de que alguém importante e disposto a fazer barulho apareceu no cenário do futebol brasileiro afeta diretamente aquilo que Aidar tinha como objetivo para o futebol brasileiro. Apesar de ter começado a atingir metas que projetou para o clube, comprometeu o projeto de mudança que vislumbrava. O Palmeiras, por exemplo, rompeu relações com o São Paulo enquanto Aidar for o presidente – o mandato vai até abril de 2017, podendo ser renovado por mais três anos. Outros clubes também ligaram o sinal de alerta. Sem Palmeiras, não há união independente da CBF que seja possível.

O que prova a preocupação de Aidar em atingir tais ideias para o futebol brasileiro é a escolha de Ataíde Gil Guerreiro como braço-direito e vice-presidente de futebol. Gil Guerreiro era diretor do Clube dos 13 até sua ruptura e, assim como Aidar, defensor da adequação do calendário do futebol brasileiro ao europeu, com redução dos estaduais, e do retorno do modelo de negociação coletiva pelos direitos de TV, que desde o fim do C13 polarizaram os principais aportes em Corinthians e Flamengo. Agora, no entanto, sem simpatia inicial dos rivais, tudo isso fica mais distante.

Além da contratação de Alan Kardec, selada nesta segunda-feira – a rescisão com o Palmeiras vai determinar quando o atleta poderá ser apresentado pelo São Paulo –, Aidar também investiu esforços na criação de novas receitas para o clube. A principal delas está com a criação da diretoria comercial, que trabalha junto com o marketing e viabiliza projetos como os eventos do Morumbi na Copa do Mundo, com transmissão de partidas, shows badalados e apoio de Pelé.

 

Fonte: Uol

Um comentário em “Aidar fortalece SP com Kardec e discurso afiado, mas deixa metas de lado

  1. Entendo que o novo Presidente está agindo certo ao se posicionar com “firmeza” diante dos rivais. Tem que mostrar aos demais que agora tem um “galo forte” no galinheiro. O JJ se apequenou em muitas situações e por isso o Morumbí deixou de ser o estádio da Copa. Com o Aidar seria diferente.
    Necessário será ele instituir um ‘aspone’ para assoprar quando ele morder e tudo caminhará bem.

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