Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, poderia começar esse editorial falando de mais uma derrota humilhante de um time sem brio, sem vontade, sem técnica, sem nada, mas com muito crédito. Estranho a incoerência? Não. A dívida está no futebol apresentado. O crédito nos salários atrasados. E muito.
O que eu posso falar sobre o jogo? Que 3 a 0 ficou barato? Que Rafael salvou nossa pátria novamente, pois sem ele poderíamos ter tomado de seis a zero? Que não temos elenco? Que enquanto no Rio sai Pedro, entra Bruno Henrique, sai Anibal Moreno entra Rafael Veiga, aqui sai Marcos Antonio entra Alisson, ou entraria Rodriguinho?
Isso é ser redundante, é pegar comentários anteriores, copiar e colar. Prefiro abordar o aspecto marginal, que pode explicar o que realmente está acontecendo para tanto desinteresse deste elenco. O São Paulo deve cerca de R$ 100 milhões em direitos trabalhistas – processos de ex atletas e salários (CLT e Direitos de Imagem). Talvez essa questão de dívida salarial também seja redundante nessa diretoria e seria mais fácil pegar comentários anteriores e fazer o copia e cola.
Mas nada é por acaso. Júlio Casares, mostrando “transparência”, convocou uma coletiva semana passada com pouco mais de 12 horas de espaço. Ela foi chamada às 17h30 para ocorrer no dia seguinte às 9h. Qualquer jornalista que se preze e que atue em Assessoria de Imprensa sabe que uma coletiva, salvo algo extraordinário, deve ser convocada com prazo de, no mínimo, 48 horas. A convocação imediata se deveu ao “fato extraordinário” do presidente querer anunciar um superávit de R$ 20 milhões no terceiro trimestre, com redução da dívida em R$ 51 milhões no período janeiro-setembro.
Ele só “esqueceu” de valar que nesse contexto entrou, por exemplo, a venda de R$ 240 milhões em atletas da base ( o previsto era um valor de R$ 120 milhões), que o aporte feito junto ao FDIC já entrou e que agora sobrou a despesa, ou a dívida, porque esse valor deverá ser pago aos investidores, com juros. E que o clube deve R$ 100 milhões em direitos trabalhistas.
Esqueceu de falar, por exemplo, que a grande maioria do elenco está com três meses de direitos de imagem atrasados; outros com seis meses. Alisson, por exemplo, não recebe desde maio.
Mas alguns vão fala aqui: esse site só fala de política. Então me faça outra análise para justificar o desempenho do time, que depois de ser eliminado da Libertadores, fechou o ano e só engatou derrotas. Rebaixado não vai ser, porém nos deixa ruidosamente desesperados para 2026.
O São Paulo não tem mais poço para afundar. Já passou do fundo e nem respira mais por aparelhos. A morte está próxima. E essa diretoria fica atrás de uma tal Maxxi. O que é isso? Os dirigentes destes novos voluntariosos são-paulinos (novos Jacks) estiveram reunidos com a diretoria do São Paulo e aguardam um retorno.
A “mágica” dessa Maxxi são ações do BESC, Banco do Estado de Santa Catarina, instituição que foi liquidada e absorvida pelo Banco do Brasil entre 2008 e 2009. Uma parte dos acionistas minoritários perdeu a “janela” de conversão, e ficou com esses títulos em tesouraria.
Esses papéis hoje são “títulos podres”, adquiridos dos detentores por algo como 5% a 10% do valor de face.
A Maxxi tem um roteiro jurídico que, segundo eles, garante que o pagamento aos credores seja feito com esses títulos, no valor de face, convertidos em ações ordinárias do Banco do Brasil, pela relação de conversão da época (aproximadamente 12 ações BESC para 1 do Banco do Brasil)
Dessa forma, o credor recebe o valor integral, e o SPFC teria um custo de 30% do valor total amortizado. Esses 30% cobrem os 10% de compra dos papéis do BESC, os custos do processo judicial e a o lucro da Maxxi na operação.
Entenderam agora que, ou Júlio Casares renuncia, ou é afastado por gestão temerária? Porque qualquer outra solução, que não uma dessas, está fora de qualquer cogitação para salvar um pobre moribundo.
