Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, de quinta-feira passada para cá muita coisa aconteceu nos bastidores do Morumbi. Muita água rolou, com fluxo e refluxo e o que posso falar nesse momento é que espero que as aparências não nos enganem.
O acordo feito entre o presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar e a Torcida Tricolor Independente, com o clube pagando os ônibus que levariam os “torcedores” deixou a entender que a torcida deveria um favor a ele. E que essa dívida foi prontamente paga com a postagem pedindo a demissão imediata de Muricy Ramalho e a contratação de Wanderley Luxemburgo.
Levando-se em conta que ano retrasado, quando time lutava para não ser rebaixado e que Juvenal Juvêncio estava no período final de seu longo mantado, a mesma Independente fazia manifestações contra o técnico, contra o time, conta a imprensa, contra tudo e todos, mas em nenhum momento levantava a voz contra Juvenal, não seria demais imaginar que o acordo com Aidar estaria selado.
Todos sabem da forte ligação que existe entre Muricy Ramalho e Juvenal Juvêncio e, também, que o ex-presidente abomina o nome de Wanderley Luxemburgo. Que tacada melhor seria se Aidar demitisse Muricy e contratasse Luxemburgo, para sufocar ainda mais qualquer movimento “juvenalino”?
Acredito piamente que a jogada estava prontinha para ser feita. Só que a Independente foi obrigada a recuar de sua posição, apagou de seu site a “ordem” e engoliu a verdadeira torcida que estava no Morumbi no último sábado apoiar Muricy. Concomitantemente, o vice-presidente de Futebol do São Paulo, Ataíde Gil Guerreiro, saiu em defesa do técnico falando, até, em renovação de seu contrato.
A divisão na diretoria estava patente. E Muricy, conhecedor emérito do clube, parte para o ataque dizendo saber quem são seus executores e que não está ali pelo São Paulo, mas que se quiserem, que o demitam.]
A vitória de 4 a 0 sobre o Audax, a necessidade premente de vitória sobre o Danúbio amanhã e a revolta que toma conta da torcida tricolor contra este estado de problemas instalado no Morumbi pressionaram Carlos Miguel Aidar e ele foi obrigado a sair de sua sala, vir à imprensa declarar publicamente seu apoio a Muricy e, mais do que isso, ir pessoalmente nesta terça-feira conversar com Muricy e reafirmar seu apoio e confiança no técnico.
Menos mal que esta seja a atual situação. Repito o que coloquei de título neste editorial: “Que as aparências não nos enganem”. O presidente tem o direito e, mais do que isso, o dever de cobrar resultados. Deu os jogadores que o técnico pediu e, portanto, quer títulos. Mas que se dê tempo ao tempo e que essa lavagem de roupa suja volte a ser feita internamente. O São Paulo é infinitamente maior do que aqueles que o administram, porque eles passam e a instituição e sua imensa torcida ficam. As vaidades pessoais, o superego e as picuinhas não podem se sobrepor ao bem para a coletividade tricolor.
Estamos de olho e esses olhos não se fecharão nem essa boca se calará.