Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, acordei hoje e comentei com minha mulher: “teve jogo do São Paulo ontem?” Não queria acreditar no que tinha acontecido e eu mesmo tinha narrado pela Rádio São Paulo. Não é qualquer dia que um time da Série A do Brasileiro, outrora o maior das Américas e um dos maiores do mundo, perde de 6 a 0 para um time que, outrora, frequentou a Série C do Brasileiro e voltou para a A sem pagar a B.
A descrença da torcida sobre a possibilidade de vitória era grande desde sempre. Afinal, com 15 jogadores no DEM e Crespo tendo que levar três goleiros para ter, ao menos, 21 jogadores na delegação, ninguém em sã consciência acreditava em vitória. Mas passar a humilhação pela qual passou, isso ninguém esperava. O pênalti aos 4 minutos, o segundo gol aos dez e o terceiro aos 15 deram, no entanto, o cardápio do que nos seria servido naquele Maracanã fatídico pela sua própria história.
Júlio Casares e Carlos Belmonte não foram para o Rio de Janeiro. Nelson Ferreira também não. Foram Marcio Carlomagno, Rui Costa e Chapecó. Ou seja: um para “armar”, outro para falar bobagem e outro para comer. São tão despreparados para o negócio chamado futebol que não perceberam que no vestiário, antes do jogo, estavam colocados a foto e o uniforme do Ferreira, sendo que ele nem saiu de São Paulo e não joga mais este ano. Time abandonado por completo. Um presidente que não aparece mais por medo de protestos e um diretor de Futebol que não exerce mais o cargo há alguns meses. Estamos na chamada “hora da Xepa”.
De positivo – e muito positivo – ficou a entrevista de Luiz Gustavo, logo após o jogo, ainda no campo da tragédia. Ainda que envolvido pela emoção da humilhação, disse o que a mídia alternativa e a já não alternativa vem afirmando há tempos, mas que conselheiros da dita oposição e mesmo os que adulam Júlio Casares não conseguem falar: o São Paulo está abandonado. Luiz Gustavo falou que os jogadores vem toda hora e colocam a cara para explicar e pedir desculpas pelos péssimos resultados, mas que a diretoria se esconde, não dá respaldo ao grupo, deixa todos aos leões, só aparecendo nos momentos bons. Que o São Paulo está largado à própria sorte.
Rui Costa correu para tentar apagar o incêndio e alegou que o atleta falou tudo aquilo sob o calor da emoção do jogo, e, por pouco não repetiu o que disse na coletiva, que o São Paulo voltou a ser referência. Sim, referência de má gestão, de negociações escusas, de falta de transparência, com requinte de crueldade.
Luiz Gustavo ganhou meu respeito, minha admiração. Se eu já nutria esse sentimento pelas entrevistas de Crespo, que tem sido direto ao apontar os erros e onde eles se encontram, Luiz Gustavo foi no alvo e desnudou o pouco que ainda restava encoberto desta diretoria maléfica, a pior da história do São Paulo.
Parabéns Júlio Casares por ter conseguido superar presidentes maléficos como José Augusto Bastos Neto, Paulo Amaral, Juvenal Juvêncio, Carlos Miguel Aidar e Leco.
Quando um time vai mal, perde muito, a diretoria troca o técnico. Porém quando o time vai mal, o clube se afunda em dívida e as humilhações ganham força, o presidente não é trocado. O Conselho Deliberativo é cúmplice de tudo isso, porque não toma atitude. Quiçá pudéssemos ter uma atitude homem, ao menos uma vez na vida, deste presidente bloqueirinho (ausente das redes sociais atualmente, é verdade) e ele apresentasse sua carta de renúncia. Mas não. Já conseguiu vários feitos. Quem sabe ainda esteja em seu projeto nos rebaixar no Brasileiro do próximo ano. Cuidado. Tem o Paulista na frente. E nossa chance de rebaixamento existe.
Triste São Paulo, um clube largado na mão de políticos que não valem o prato que comem.
