Saí de um cargo que nunca ocupei

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, há dois meses havia informado aqui que assumiria o cargo de diretor de  Comunicação do clube social do São Paulo, nada tendo a ver com o futebol. Mas sempre deixei claro que minha postura de total independência, algo que sempre pautei neste site, permaneceria ilesa.

De fato eu nunca assumi essa diretoria. Apenas me propus a ajudar o diretor Social Carlos Belmonte, amigo que fiz há 25 anos e com quem trabalhei junto por mais de 20 anos na Jovem Pan, de excelente caráter, idoneidade e um são-paulino de coração acima de tudo. Um nome indicado por Leco, acima de qualquer suspeita, que sucedeu Carlos Sadi, então vice-presidente Social e de Esportes Amadores, não menos respeitado, ético e são-paulino, que fez excelente gestão à frente do clube.

Mas, como dizia, nunca assumi essa diretoria. Apenas alinhavei o norte para o departamento de comunicação e sequer tive meu nome colocado na lista de diretores ou peguei a tal carteirinha, pela qual muitos se matam dentro do clube, e que para mim não faz a menor diferença. Ou melhor, faz sim: não a quero. Meu foco é ajudar o São  Paulo, não ter a ajuda do São Paulo.

O episódio, no entanto, acabou se transformando num fato errôneo, pois entre conselheiros e candidatos a tal correu a versão de que eu era diretor. Eu, por minha vez, deixei seguir para ver onde chegaria. Todas as vezes que alguém me perguntava eu confirmava. Aí pude ver quem são as pessoas que gravitam em torno do poder no clube. De pessoa respeitada e, modéstia à parte, querida por muitos, passei a ser odiado e ridicularizado através das redes sociais e dos grupos de WhatsApp dos conselheiros. Confesso, me diverti muito com essa situação, até porque esses sujeitos, que assim agiram, acabam sendo desmascarados com o tempo.

Nunca deixei de fazer críticas às diversas esferas políticas do clube – recentemente falei que Roberto Natel estaria trabalhando nos bastidores para inviabilizar a gestão Leco – e fui exorcizado por parte da diretoria. Acreditem: fui levado ao Conselho Administrativo pelo vice-presidente, que pedia minha demissão. Lá ele teve os votos de Silvio Médici, Julio Canegero e Eduardo Mesquita Pimenta. Me defendendo votaram Leco, Julio Casares, Adilson Martins, Saulo de Castro e Raí. Percebam: será que não há divisão? Mas me demitir do que, se eu nunca fui?

Por outro lado, ao defender algumas posições de Leco fui hostilizado pelos conselheiros de oposição. O mais interessante é que esses seres falam pelas costas, pelas redes de WhatsApp e quando descobrem que tive acesso, criticam quem por ventura tenha me passado as informações. Ou seja: não assumem a covardia. E usam as páginas do Tricolornaweb, com pseudônimos, para atingir nossa credibilidade. Uma tal “Samira” falou um monte de bobagens. Pelo seu IP localizei seu endereço. Mandei um recado marcando um encontro com ela no bairro do Paraíso, na rua em que “ela” trabalha. Respondeu???? Não.

Quando publiquei a matéria afirmando que a Under Armour estava atrasada com seus pagamentos para o São Paulo, fui taxado de estar fazendo o jogo do presidente do clube, que queria mudar o fornecedor de material e estava me usando para isso. Pois o site da revista Época publicou a matéria no dia seguinte, quando, inclusive, a Under Armour quitou sua dívida. São, realmente, ridículos.

Alguns leitores chegaram a colocar em dúvida a credibilidade do Tricolornaweb, outros entenderam que deveriam dar o devido tempo para ver se eu vetaria algum comentário crítico à diretoria. Nunca, repito, nunca vetei qualquer comentário, nem deixei de externar minha posição.

A colaboração espontânea, pensando apenas no São Paulo, que vinha dando, não poderá mais ser dada. Estou em vias de concluir uma negociação que venho travando há dois meses com dois portais que querem fazer do Tricolornaweb sua página de notícias do São Paulo. Apenas estou pesando qual caminho será mais viável financeiramente para o Tricolornaweb. Aliás, sobre isso, quando ocorrer o acordo, comunicarei a vocês, apesar de já deixar claro que nada, repito, NADA vai mudar do que é hoje. A linha editorial continuará a mesma e eu continuarei sendo o responsável por tudo. É apenas uma mudança de hospedagem e um ganho de amplitude na visibilidade do nosso site.

Mas, apesar de gratificante, foi por demais dolorosa essa experiência. Conheci o perfil e o caráter de muitas pessoas que hoje estão no poder – a favor ou contra -. Estou coletando muitas coisas que fiquei sabendo, de ambos os lados do muro, mas que carecem de alguns documentos para que eu possa mostrar publicamente quem é quem no Conselho Deliberativo e na diretoria do São Paulo. Certamente o farei com o passar do tempo.

Se eu criticar o presidente aqui, é porque é merecedor. Se eu elogiar, é porque o fez por merecer. Tudo isso sempre de acordo com a minha visão, admitindo, logicamente, o contraditório. Entretanto, acreditem: ruim com Leco, muito, mas muito pior sem ele. É triste, mas é a realidade.

7 comentários em “Saí de um cargo que nunca ocupei

  1. Por essas e outras que o jogo mais importante do spfc no brasileirão até aqui é o de amanhã, pois nosso campeonato é na parte de baixo da tabela.

    E assim vem sendo em todos os campeonatos, tirando a libertadores onde nossa torcida leva o time.

    Acredito em você quando diz que o Leco é o menos pior, pra você ver a nossa situação.

  2. Se sem o Leco é pior do q ta.. então infelizmente meu São Paulo tá no fundo do poço mesmo.. 150 milhões em receita somente de vendas de jogadores, e eles não trazem 1 reforço de peso.. acham R$ 15 milhões demais pelo Everton Ribeiro q ta comendo a bola.. não dá p entender..

  3. Paulo Pontes, era o mais correto a se fazer. Sem dúvida. Esse tipo de mistura nunca deu certo em nenhum lugar. Não vale a pena se desgastar dessa maneira. Eles não merecem esse gostinho. Você já faz muito pelo São Paulo. Expor os bastidores e manter um espaço democrático para a discussão é algo que todo são-paulino lhe deve agradecimento.

    É triste, muito triste mesmo. Passei a acompanhar o tricolornaweb justamente por causa das informações sobre a política do São Paulo. Como torcedor comum – não sou associado, muito menos tenho vínculos com a “corte” tricolor – queria entender o porquê do clube ter estagnado, o porquê da não existência de um plano administrativo realmente profissional, como é praxe no meio empresarial. Agora está muito claro: a ganância e a vaidade que reinam em Brasília também assombram o São Paulo Futebol Clube. Não há união como você bem evidencia. A ética é a do cada um por si.

    Se o Leco é o melhor, o que fazer? Porque ele é um dos responsáveis pelo apequenamento do clube nos últimos dez anos. O torcedor está perdido. Quem está dentro não demonstra competência e alguém de fora dos cardeais jamais terá paz para administrar.O jeito é ficar atento, policiando. Para isso, a torcida depende do tricolornaweb. Sucesso no novo espaço.

  4. Entendo, mas parece que senti uma certa linha de decepção por não continuar no cargo. Isto é política, senhor Pontes: nem mais nem menos! Se não é por mim, é contra mim; e a vida segue. Por um mandato ousei me eleger para participar da administração de minha cidade. Descobri que se precisa entrar na política para conhecer verdadeiramente o caráter do ser humano: eleitos e eleitores. Nunca mais tive tal ousadia e só cumpri meu mandato por responsabilidade com aqueles que me elegeram. É assim e, pelo jeito, no Brasil, continuara assim. É preciso ter estômago para ser político (em qualquer nível); e parece que as pessoas de bem preferem ficar longe da política e, enquanto isso, o mal prolifera e vai assumindo todos os governos possíveis. E vamos cantando: “sou brasileiro, com muito…”

    • Apenas esclarecendo um pouco melhor: não exerci cargo algum. Se eu o quisesse – e o quiser – ele está lá, à minha disposição. Portanto, não há linha de decepção por não continuar num cargo, mas com as pessoas que fazem o clube. Não tenho estômago para política, apesar de no meu dia a dia trabalhar com ela.

  5. Prezado Paulo Pontes:
    É por essas e outras que há anos ficamos apenas com a migalhas é uma instituição que no passado foi exemplo de gestão hoje é motivo de chacota e gozação.
    Até quando vaidade pessoais e apego a cargos irão se sobrepor aos interesses do SPFC?

  6. Brilhante, mas revela verdadeira situação com reflexo direto nos resultados do futebol. Começando no início da direção do falecido Juvenal e que se perpetuou até aqui. O modelo de administração do passado se transformou no pior ex que não deve ser seguido.

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