Terror do Morumbi, Raí vê estádio como trunfo do SP contra o Galo

“Raí, Raí, o terror do Morumbi”. Esse talvez tenha sido o principal canto da torcida do São Paulo no início e no final dos anos 90. Além de ser o maior ídolo daquela época, o meia costumava infernizar os adversários quando jogava em casa. Está na força do time no estádio, aliás, uma das esperanças do Tricolor para o duelo desta quinta-feira, contra o Atlético-MG, pela ida das oitavas de final da Libertadores.

Raí sabe muito bem como é isso. Contratado do Botafogo de Ribeirão Preto no final dos anos 80, o craque criou uma relação muito próxima com o local. Viveu lá os momentos mais especiais de sua carreira. Fez gols importantes, criou jogadas com maestria e, o mais importante, levantou taças e mais taças com a camisa do São Paulo. Tornou-se o capitão e maior líder da geração que brilhou nos anos 90.

– A minha identificação com o São Paulo e o Morumbi foi crescendo pouco a pouco. A partir da afinidade, eu fui me adaptando e todos viram que eu tinha o jeito do clube, a maneira de jogar que eles queriam. E isso foi representado no estádio, pela torcida. Ajudou muito na minha relação com o Morumbi – declarou o ex-jogador, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM.

O ex-camisa 10 tem bons números no estádio. Foram 191 jogos na casa tricolor, com 120 vitórias, 42 empates e 29 derrotas. Os 72 gols marcados diante dos são-paulinos fazem de Raí o quinto maior artilheiro do Morumbi, atrás apenas dos atacantes Serginho Chulapa (135), Luis Fabiano (95), Muller (91) e França (91).

Não há nenhum estudo que aponte que torcida ganha jogo. Mas Raí tem certeza que a atmosfera criada pelo torcedor são-paulino no Morumbi deixa o time diferente dentro de campo. Principalmente na Libertadores. Tricampeão da competição sul-americana (1992, 1993 e 2005), o São Paulo cultivou bem essa fama ao longo dos anos. E hoje o Morumbi vira um caldeirão no torneio.

– O time tem uma confiança maior quando está no Morumbi. Isso traz um ambiente de otimismo e acaba influenciando nos resultados. Especialmente na Libertadores – comentou Raí, que tem um camarote no estádio, a Sala Raí.

Bicampeão da Libertadores, em 1992 e 1993, Raí lembrou ainda um episódio curioso que viveu na decisão de 1993, contra o Universidad Católica, do Chile. Era ainda o primeiro jogo daquela final, no estádio do Morumbi, mas o São Paulo goleou por 5 a 1 e encaminhou o título – perderia como visitante por 2 a 0. Depois ao apito final, o camisa 10 tricolor foi procurado por um adversário e ouviu um desabafo.

– O Universidad Católica tinha um bom time, mas foi atropelado no Morumbi. Ao final do jogo, um dos caras da equipe deles chegou em mim e disse que realmente não tinha jeito de nos vencer, que nosso time era fenomenal, que ganhar no Morumbi era impossível e que a goleada foi merecida – contou Raí, sem lembrar o nome do jogador do time chileno que o procurou.

Presença certa na próxima quinta-feira no estádio do Morumbi, Raí não arrisca palpite para o primeiro duelo das oitavas de final – o segundo jogo, em Minas Gerais, será no dia 8 de maio. Mas tem certeza que o fato de o São Paulo ter conseguido a classificação na fase de grupos, justamente com uma vitória sobre o Galo, reacendeu o orgulho tricolor na Libertadores.

– Agora vai ser muito mais complicado para o Atlético-MG – finalizou o craque.

Fonte: Globo Esporte

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