São Paulo tem o maior valor em contratos de jogadores com R$ 92 mi

Apesar das enormes dívidas que totalizam R$ 4,6 bilhões, os grandes clubes brasileiros têm um ativo importante além de suas marcas: seus jogadores. Os contratos dos atletas dos 12 principais times do Brasil somam R$ 590 milhões, segundo levantamento do UOL Esporte nos seus balanços financeiros de 2012. Esse número serve como parâmetro para saber quanto um clube gasta para obter seus jogadores e qual a possibilidade de recuperar esse dinheiro e lucrar com eles, mas não é igual a multa rescisória.

Por larga distância, o São Paulo tinha ao final do ano passado o maior valor reunido de contratos entre os clubes do Brasil, com um total de R$ 92 milhões. Ou seja, houve um alto investimento pelo clube do Morumbi em atletas caros. Isso não deu resultado como demonstraram as eliminações da Libertadores e do Estadual e levou a cortes no elenco. Os outros 11 times têm acordos com atletas que giram entre R$ 30 milhões e R$ 50 milhões, com o Palmeiras na segunda posição neste ranking.

É importante ressalvar que esses valores não se referem às multas rescisórias, recebidas em caso de transferências ou rompimento unilateral do acordo. É, sim, o montante dos gastos com formação e com a compra dos direitos de atletas, menos a desvalorização dos contratos deles durante os anos. Ou seja, em caso de ruptura do contrato, um jogador deve gerar muito mais do que o previsto no balanço. Assim, o mercado tem influência decisiva sob o real ganho dos clubes.

Para exemplificar, Neymar pode ser vendido por mais de R$ 200 milhões no meio do ano. Mas, ao final de 2012, seu contrato valia muito menos do que isso para efeito de contabilidade no balanço do Santos. Isso porque seu acordo é registrado pelo valor que o clube teve para formá-lo, mais custos de renovação como luvas, menos o desconto a cada ano que corre do seu contrato. E falta só um ano para seu compromisso. Se ele sair de graça em 2014, os gastos com o atleta são descontados do ativo de atletas do time.

Os clubes nacionais são obrigados a registrar os contratos de seus jogadores no seu “ativo intangível”. Esse valor é flutuante de acordo com o que o clube gasta e com a evolução do elenco.  Em geral, há perdas porque os atletas são dispensados ou acabam seus contratos. Quando isso é registrado, o time sofre um prejuízo financeiro.

O São Paulo tem o maior montante registrado em contratos de jogadores porque tem um alto investimento em formação de jogadores – mais de R$ 20 milhões por ano – e também em aquisição de jogadores nos últimos anos.

É o maior registro de ativos são-paulino para atletas nos últimos anos, o que se explica pela contratação de vários jogadores com acordos recentes. Foram investidos R$ 68,7 milhões só para obter novos atletas em 2012. Entre eles, está o meia Paulo Henrique Ganso, cujos direitos foram comprados por R$ 23,9 milhões.

Considerados os investimentos totais anteriores até a 2009, o São Paulo gastou R$ 218,7 milhões e não conseguiu recuperar R$ 120 milhões desse total, seja de atletas formados nos clube ou contratados de fora. Esse valor foi amortizado – descontado – do balanço. Isso não significa que o gasto foi inútil porque o atleta pode ter sido importante em campanhas do time.

“Sempre registramos esses jogadores no ativo intangível. Cada um que termina o contrato, damos baixa”, explicou o diretor financeiro do São Paulo, Oswaldo de Oliveira de Abreu.

Essa suposta perda de dinheiro é normal em todos os clubes. Primeiro, há um grande número de atletas da base dispensados. No caso são-paulino, foram dispensados 196 jogadores só em 2012. O Cruzeiro anotou a dispensa de 34 jogadores. Cada vez que um é dispensado, o custo da formação dele é descontado do total de contratos do clube.

Em outra ponta, é possível observar a desvalorização de um ativo do clube também pela evolução de um atleta dentro do clube desde a sua chegada. O caso mais clássico é o argentino Matias Defederico, como demonstra o detalhado balanço do Corinthians.

O valor de seu custo foi R$ 10,3 milhões, em 2009, data do início de seu contrato. No final de 2012, Defederico valia para o time alvinegro R$ 1,9 milhão, ou seja, menos de um quinto do montante original. Isso porque seu contrato acaba em poucos meses, em agosto de 2013. Ou seja, nesta data, o Corinthians perderá todo montante investido neste atleta sem possibilidade de recuperação.

Mas até jogadores que deram certo, como o meia Romarinho, sofrem desvalorizações do seu contrato sob o ponto de vista contábil. O custo de aquisição do meia foi R$ 1,6 milhão, mas, ao final do ano passado, seu contrato valia R$ 1,376 milhão. Óbvio, sob o ponto de vista do mercado, esse jogador teve uma valorização considerável e sua multa rescisória saltou de patamar. Para se ter uma ideia, o jogador corintiano mais valioso, no balanço, é o volante Guilherme, cujo contrato é recente.

O Corinthians registrou no valor total de seus contratos R$ 49,3 milhões, também com uma perda grande de R$ 45,5 milhões no ano. “Não tem relação com a multa. É o total dos contratos. Há atletas que chegaram a custo zero. Posso renovar e aumentar o valor. Não é o que vale para avaliar o elenco, mas para saber o total dos contratos em vigor”, ressalvou o vice-presidente de finanças do Corinthians, Raul Corrêa e Silva.

O time corintiano não tem um número tão alto de contratos atualmente, mas fez alto investimento. Registra um total de custo de R$ 107,4 milhões com a aquisição de atletas como Defederico, Guilherme, Guerreiro, Ralf, Cássio, entre outros. Mas vários desses acordos já sofreram desvalorizações, alguns por serem curtos, outros por já terem sido assinados há longo tempo.

Sem custo de aquisição para o Santos, Neymar, mais uma vez, serve como exemplo para demonstrar como o valor de mercado não está diretamente ligado ao montante do contrato registrado no balanço. Dono do mais valioso jogador do país, o clube da Baixada Santista registrou apenas R$ 39,4 milhões como seu ativo de jogadores profissionais e em formação. Um detalhe é que, desse total, R$ 7,5 milhões são representados por atletas do infantil. A saída do meia Paulo Henrique Ganso também influenciou a queda do valor total de ativo do Santos, já que ele tinha contrato alto.

Mesmo assim, não foi suficiente para alavancar a receita do clube. “A razão é simples, vendemos menos atletas. A gente só vendeu o Ganso”, disse o membro do comitê de gestão do Santos Álvaro de Souza.

Acima do Santos, apesar do elenco aparentemente modesto, está o Palmeiras, com R$ 55,2 milhões. “No final de cada exercício, o clube avalia a possibilidade de recuperação econômico financeiro do valor contábil do custo do atleta registrado nesta conta, e, caso, existam evidências de irrecuperabilidade do custo, o valor é baixado da conta específica”, explicou o balanço palmeirense.

Fora de São Paulo, os cariocas têm valores similares de ativo com jogadores. O Flamengo registrou em seu ativo um total de R$ 50,9 milhões, pouco mais do que o seu rival Vasco, R$ 52,3 milhões. Estão próximos ainda o Botafogo, com R$ 35,3 milhões e o Fluminense, com R$ 36,3 milhões. Ressalve-se que o Fluminense tem vários jogadores com contratos terceirizados pela Unimed, isto é, não incluídos em sua conta.

Minas Gerais também tem montantes similares para os contratos de seus dois clubes: somam um pouco mais de R$ 40 milhões cada. A diferença é que o Cruzeiro demonstra fazer maior investimento na formação de atletas, com R$ 6,5 milhões, mais do que os R$ 3,9 milhões gastos pelo rival Atlético-MG.

Já, no Sul, o Grêmio tem registro de ativos de R$ 42,9 milhões, contra R$ 50,2 milhões do Internacional. Ambos têm fortes investimentos em formação de atletas. O time colorado registra ter 139 jogadores sob contrato, contadas todas as categorias.

 

Fonte: Uol

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