Autuori apresenta pior desempenho do que demitidos no São Paulo

O São Paulo contratou o técnico Paulo Autuori para reerguer a equipe, que vive instabilidade na temporada, e lutar por títulos. Porém, desde que deixou o time do Morumbi no final de 2005, o novo comandante não emplacou bons trabalhos em um time no Brasil. Por Cruzeiro, Grêmio e Vasco, o treinador não conseguiu completar um ano de trabalho, ficou sem títulos e teve desempenho pior que seus antecessores no Tricolor.

Em sua primeira passagem na equipe do Morumbi, Autuori conquistou a Copa Libertadores e o Mundial de Clubes e deixou a equipe com um aproveitamento de 54% de pontos, após vencer 26 jogos, empatar 11 e perder 18 dos 55 que disputou durante oito meses (entre abril e dezembro). Durante o Campeonato Brasileiro, houve um relaxamento natural do time, que já havia gastado seus cartuchos nos dois títulos mais importantes.  O contestado Ney Franco ganhou uma Copa Sul-americana durante o ano em que ficou no clube e teve 58,6% de aproveitamento (41 vitórias, 16 empates e 22 derrotas em 79 jogos).

Comparando sua passagem pelo São Paulo com os sete técnicos que assumiram a equipe na sequência, Autuori só tem desempenho melhor que Adilson Batista (45%) e Sérgio Baresi (45%). Suas últimas duas passagens por times brasileiros também ficam abaixo dos últimos treinadores do Tricolor: 46% em 36 partidas pelo Grêmio em 2009 e 42% em apenas 11 confrontos no Vasco este ano. A exceção foi o Cruzeiro em 2007, quando teve 63% em 20 jogos e foi demitido após perder por 4 a 0 para o Atlético-MG na final do estadual.

 

Aproveitamento dos Técnicos do São Paulo após Autuori

  • Reprodução/Twitter• 65,9% – PC Carpegiani (2010/11) – 29v, 4e e 13d em 46 jogos• 63,63% – Emerson Leão (2011/12) – 26v, 6e, 12d em 44 jogos

    • 63% – Muricy Ramalho em 2006/09 – 194v, 100e e 66d em 360 jogos

    • 58,9% – Ricardo Gomes em (2009/10) – 38v, 15e e 20d em 73 jogos

    • 58,6% – Ney Franco (2012/13) – 41v, 16e e 22d em 79 jogos

    • 53,9% – Paulo Autuori (2005) – 26v, 11e e 18d em 55 jogos

    • 45% – Sérgio Baresi (2010) – 5v, 4e e 5d em 14 jogos

    • 45% – Adilson Batista (2011) – 7v, 9e e 6d em 22 jogos

Vale lembrar, contudo, que Paulo Autuori tem o respaldo da diretoria tricolor justamente por ter vencido nas partidas decisivas. Foi vitorioso na reta final da Libertadores e conquistou o Mundial de Clubes, quando o São Paulo era dado como azarão frente ao Liverpool. Tanto é que saiu do clube por vontade própria e os cartolas tentaram trazê-lo de volta em mais de uma oportunidade.

“Quando ele pediu a liberação, eu disse que não. Era campeão do mundo. Mas depois ele me explicou suas razões, eu entendi e fui um defensor de sua saída. Depois fizemos alguns convites ao Paulo para assumir o futebol do São Paulo. Talvez se ele pudesse ter aceitado naquelas oportunidades, no plural, talvez eu não tivesse sofrido tanta crítica em relação à substituição permanente de técnicos. Mas ele não pôde nos atender”, disse o presidente Juvenal Juvêncio.

O treinador, contudo, também sofreu com um jejum de títulos e nos últimos sete anos só conseguiu um bicampeonato da Copa do Emir, em 2010 e 2011. No Grêmio, chegou em uma equipe vice-campeã brasileira e terminou o ano em oitavo lugar, longe da zona de classificação para a Copa Libertadores (deixou o clube faltando quatro jogos para o final da temporada, quando já não haviam mais chances).

O contrato de longo prazo, firmado até dezembro de 2014, também tem sido um problema para o treinador: depois de ficar oito meses no São Paulo, ele passou quatro meses no Cruzeiro, seis meses no Grêmio e três no Vasco. Estabilidade ele conseguiu apenas no Qatar, onde treinou o Al-Rayyan por três temporadas completas e ainda fez um trabalho de um ano pela seleção local (contanto time olímpico e profissional).

 

Fonte: Uol

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