Saída de Juvenal encerra legião de cartolas folclóricos em SP

Qual é o estereótipo do cartola do futebol brasileiro? O modelo mudou nos últimos anos, mas vive seus últimos momentos em alguns personagens. É o caso de Juvenal Juvêncio no São Paulo, atendendo ao rótulo folclórico, pitoresco e continuísta. Com opiniões polêmicas, frases impactantes e há mais tempo do que o esperado inicialmente, Juvenal colocará fim nesta quarta-feira à legião de cartolas clássicos no estado de São Paulo. E cada clube teve seu último representante.

Se Juvenal é quem fecha a turma de cartolas estereótipos, os rivais Corinthians, Palmeiras e Santos também tiveram há pouco tempo quem fizesse jus ao rótulo. Alberto Dualib, Mustafá Contursi e Marcelo Teixeira reúnem as características. Cada um à sua maneira, todos continuístas.

Nesta quarta-feira Juvenal conseguirá eleger o sucessor que indicou para seu lugar. Carlos Miguel Aidar deverá vencer com vantagem de 30 votos o opositor Kalil Rocha Abdalla. Aidar foi presidente do clube entre 1984 e 1988, antes do primeiro governo de Juvenal, mas não se enquadrará no que se espera do cartola clássico. Este, no estado de São Paulo, acaba agora, com Juvenal.

Alberto Dualib

 

Flávio Florido/UOL

 

Presidiu o Corinthians de 1993 a 2007. Participou de período importante na história do Corinthians, passando pelo título mundial de 2000 e pela parceria com a MSI, de Kia Joorabchian, que renderia um título do Brasileirão em 2005 e, dois anos depois, o rebaixamento.

A gestão ficou marcada pela falta de transparência. Dualib foi acusado pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha na parceria com a MSI. Sob risco de sofrer um impeachment, renunciou ao cargo. Também foi indiciado pela Polícia Civil por estelionato ao ser investigado em caso de aproximação a uma empresa suspeita de vender notas fiscais frias ao Corinthians.

Antes da MSI, Dualib firmou parceria com o Banco Excel e com a HTMF. Marcou-se pela contratação de jogadores conhecidos durantes os períodos em que o clube teve parceiros para contratar. Ao renunciar, deu espaço para que Andrés Sanchez, vencedor do processo eleitoral que se abriu, governasse. Hoje o clube está nas mãos de Mario Gobbi, que se distancia ainda mais do estereótipo do cartola apesar de usar algumas frases de efeito.

Mustafá Contursi

 

Eduardo Anizelli/Folhapress

 

Assim como Dualib, governou no Palmeiras por um longo período e viveu momentos de total sucesso, como o título da Libertadores, em 1999, e de completo fracasso, como o rebaixamento, em 2002.

Presidiu o clube de 1993 a 2005, mas diferentemente do rival corintiano até hoje é influente no cenário político. Ainda é o mais poderoso do conselho do clube, e tem com seus aliados o domínio atual do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização).

Foi o presidente que firmou e colheu os frutos da parceria com a Parmalat. Após os títulos com o parceiro, marcou-se pelo “bom a barato”, sem gastar muito no futebol e tampouco pensar em profissionalização do departamento. Em 2002, ao ver o time ser rebaixado no Brasileirão, veio a público e pediu para que fosse reeleito para que pudesse devolver a equipe à elite do futebol brasileiro. Tamanho o poder no conselho, conseguiu permanecer.

Sempre teve ótima relação com a CBF e com a Federação Paulista de Futebol. Até hoje tem correligionários que atuam em sua defesa, interna e externamente. Depois dele governaram Affonso Della Monica, Luiz Gonzaga Belluzzo, Arnaldo Tirone e, hoje, Paulo Nobre.

Marcelo Teixeira

 

Flavio Florido/UOL

 

O santista é mais jovem que os rivais usados como exemplo, mas atende ao rótulo. A partir de sua segunda eleição para comandar o clube da Vila Belmiro fez com que a reeleição não pudesse acontecer mais vezes. Nunca evitou o conflito, marcou-se por atos intempestivos e negociações surpreendentes.

Segundo relatos de jogadores que atuaram no Santos entre 2000 e 2009, em sua segunda gestão, era comum fazer um pedido salarial a Teixeira e receber uma oferta maior do que a sugerida.

Durante seu mandato, colocou verba da própria família no clube para permitir investimentos. A situação criou uma dívida do Santos com a família Teixeira. Depois dele vieram Luis Alvaro Ribeiro e Odílio Rodrigues. Teixeira ainda é figura forte no clube.

Juvenal Juvêncio

 

Leandro Moraes/UOL

 

Nasceu em Santa Rita do Viterbo, no interior de São Paulo, mas puxa o R e o S em sotaque que adotou por opção. Não revela a própria idade. Se diz o dirigente mais vencedor da história do clube: como diretor de futebol venceu a Libertadores e o Mundial de 2005. Como presidente, fez a campanha do tricampeonato nacional.

Assim como os rivais, também viveu um dos mais altos e um dos piores momentos da história de seu clube. Fez do São Paulo o maior do Brasil em 2008, e quase o levou para a segunda divisão do futebol nacional em 2013. Antes pioneiro no estilo de contratações baratas e que resultavam de muita observação em conversa, passou a errar muito na montagem das equipes. Em 2011, trocou o departamento de futebol e perdeu definitivamente a linha de trabalho. Triturou técnicos: Muricy Ramalho, Ricardo Gomes, Sergio Baresi, Adilson Batista, Paulo Cesar Carpegiani, Emerson Leão, Paulo Autuori… todos caíram.

Fez de Cotia, obra de seu antecessor, uma usina de atletas. Apesar de utilizar menos revelações do que esperava, conseguiu vender uma delas por R$ 116 milhões: o meia Lucas, para o Paris Saint-Germain (FRA).

Brigou contra a CBF ao ver o Morumbi fora da Copa de 2014 e resistiu à ruptura do Clube dos 13, motivada pelo rival Andrés Sanchez. No clube, mudou o estatuto pela primeira vez em 2008, para passar o mandato de dois para três anos, e pela segunda vez em 2011, quando aprovou a decisão de permitir uma segunda reeleição.

 

Fonte: Uol

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