Rogério Ceni faz hora extra no CT e pede reforços à diretoria do São Paulo

Rogério Ceni quer mais reforços para o elenco do São Paulo de 2017. Em entrevista ao lado dos seus auxiliares, o inglês Michael Beale e o francês Charles Hembert, ele falou também em compensar a ausência de jogadores consagrados, como há no rival Palmeiras, com o aproveitamento de jovens. A ideia de Ceni é trabalhar com 28 ou 29 atletas, dos quais 14 são de Cotia, dado ressaltado pelo treinador nesta quinta-feira.

– Preciso de bons exemplos dos mais velhos e dedicação dos mais jovens. Não tenho um elenco como o do Palmeiras, de jogadores mais consagrados, mas esperamos compensar com os mais jovens, com a competitividade, que acelerem o ritmo dos mais velhos, e os mais velhos passem conhecimento para os mais jovens. Ainda seria necessário duas ou três peças para um time ideal, vamos procurar – afirmou.

Aposentado da função de goleiro desde o fim de 2015, o agora técnico Rogério Ceni respira São Paulo no CT da Barra Funda, local em que fica de 10 a 11 horas por dia. As primeiras impressões do comandante da nova função é de que ele tem de dedicar muito mais tempo ao trabalho agora do que antes.

– Chegamos aqui às 7h30 e fomos embora às 20h30. Talvez esse início, pelo fato de não ter tanta experiência e querer me dedicar tanto a novos exercícios, desenvolver novos treinamentos… temos reuniões diárias, informações pelos testes de cada jogador para sabermos como reagir a cada atleta, risco de lesão, quem precisa de mais trabalho. Venho dedicando muitas horas desde dezembro, com os meninos do vídeo, Felipe e Raony. São fantásticos, conhecedores de futebol em busca de atletas que pudessem estar conosco. Permanecer 10 ou 11 horas por dia aqui dentro está sendo a maior mudança. É uma nova família aqui dentro. Até encerrar o trabalho e preparar a sessão para o dia seguinte – disse.

Depois de fazer o último treino no Brasil nesta tarde, o São Paulo embarca na madrugada desta quinta para os Estados Unidos, onde vai fazer a pré-temporada. O time disputará o Torneio da Flórida no país.

Rogério Ceni e auxiliares São Paulo (Foto: Alexandre Lozetti)Michael Beale, Rogério Ceni e Charles Hembert em entrevista coletiva no CT da Barra Funda (Foto: Alexandre Lozetti)

Veja as respostas de Rogério Ceni na entrevista:

FUNÇÃO DE TÉCNICO

– Trabalhamos na terça-feira com a equipe sub-17 em função da adaptação do Michael, pela língua, e do Charles. Fizemos um treino de entrosamento do time para trabalhar com a equipe profissional, um grupo muito bacana, pessoal de cara boa, muito boa vontade. Os primeiros dias são mais chatos, exigem mais da parte física, todos os testes. E à tarde, quarta e quinta, parte técnica, com bola. Viajamos essa madrugada e a partir do dia 7 começamos o trabalho em dois períodos com bola, logicamente mesclando com os preparadores físicos, fisiologistas, para atingir a todos os objetivos. Com bola é mais interessante, menos desgastante psicologicamente.

OPÇÃO DE FOGUETE NO LUGAR DO AURO 

– O Foguete na equipe do Jardine já atuou como terceiro zagueiro numa linha de três, lateral-direito e cai bem pelo meio. Sabe fazer três funções. Auro é mais útil numa segunda linha de ataque do que numa primeira linha de defesa, no setor onde tenho Neres, Wellington Nem… Como as vagas do Paulista são limitadas, um erro que podemos melhorar, fica difícil trabalhar além dos 28. Eu gostaria de trabalhar com 28 ou 29, se for um quarto goleiro jovem, e que os 25 estejam à disposição para jogar. Para poderem participar do Campeonato Paulista. A troca do Hudson pelo Neilton nos deu quatro jogadores pelos lados, rápidos, por isso optamos pelo Foguete, já que o Buffarini pode ser uma alternativa pela esquerda.

UTILIZAÇÃO DE BRENO

– O Breno está começando uma recuperação. Vimos nos testes, vamos trabalhar bastante individualmente e coletivamente, mas minha primeira intenção é de que ele jogue como zagueiro.

VOCÊ SE ESPELHA EM ALGUM TREINADOR?

– Eu me espelho em muita gente que trabalhei, aprendizado, não me espelho num determinado time atual. Tenho um sistema na minha cabeça, com o Michael, Charles e Pintado (auxiliares), e debatemos as melhores opções. Preciso ver as peças que tenho para encaixar com o adversário, o campo que vou jogar, uma série de circunstâncias. Não vou abrir meu sistema preferido, mas vamos nos adaptar.

MILTON CRUZ FOI VETADO PARA VOLTAR?

– O Milton faz parte da história do São Paulo, profissional do mais alto nível, ajudou muito o crescimento do clube quando trouxemos vários jogadores do Goiás, em 2003, 2004. E é um grande amigo, parceiro, conhecedor profundo de futebol. Seria incoerente da minha parte propor uma volta do Milton no mesmo mandato em que foi decidida sua saída. Não houve veto de presidente, só coerência.

COBRANÇA POR RESULTADOS

– Os resultados são importantes, mas o mais importante é a maneira como o time atua, mostra o que quer, deseja e pode produzir. Às vezes você produz muito no jogo e tem resultado negativo. Contra o Liverpool do Michael (em 2005) chutamos três vezes, não tivemos nenhum escanteio e ganhamos o jogo. A paciência do torcedor é a mesma em relação a qualquer treinador.

TRABALHO NO SÃO PAULO

– Não vim aqui como goleiro, vim dirigir bem a equipe e espero conseguir bem desde o começo, apesar da sequência difícil, com os finalistas do Paulistão, Santos e Audax, e a Ponte Preta que ficou na nossa frente no Brasileiro. Cobranças vêm para qualquer treinador, espero o incentivo de todos e a análise do jogo como um todo. Espero começar vencendo.

COMISSÃO ESTRANGEIRA COM INGLÊS E FRANCÊS

– Vamos tentar evitar as derrotas. O treinador é brasileiro, o Charles fala muito bem português, o Michael está aprendendo e veio trazer seu conhecimento. Espero que os resultados venham, se as derrotas vierem é natural que cobrem, tentem encontrar motivos. Por isso estamos tentando preparar uma equipe forte, competitiva.

CUEVA PODE SER LIDERANÇA TÉCNICA

– Cueva é talentosíssimo, tivemos um pequeno problema de ordem médica com ele, um problema nas amígdalas, ele até falou um pouquinho comigo ontem (quarta-feira), pediu desculpas por não se apresentar nesse momento. Nosso médico está em contato com o médico deles, aguardamos que ele possa estar presente o mais rápido possível. Cícero já estava em viagem, seria incoerente voltar dos EUA para dois dias. Cueva é jogador interessantíssimo, de muita qualidade técnica, espero que esteja recuperado da saúde para iniciar a pré-temporada. Devo demorar um pouco mais para contar com ele, e o Lucas Fernandes pela cirurgia do ombro, por isso até tive que trazer o Shaylon. Acho que está tendo uma grande oportunidade e terá minutos de jogo para mostrar o que mostrou nas competições sub-20.

APROVEITAMENTO DA BASE

– Foi um ano especial, com cinco conquistas na última categoria que antecede o profissional. Você compete com caras da mesma idade, com mesmo desenvolvimento físico e técnico, são conquistas relevantes e devemos ressaltar o trabalho do Jardine, e do Vizolli também. Não é fácil chegar ao fim do ano com três competições e dividir o elenco.

– Um time não pode ser composto por 70 ou 80% de jogadores da base, mas pode ser composto. O Tormena foi emprestado para o Novorizontino, um pedido nosso para que jogue. Estamos à procura de um time para o Kal, o Artur, o Pedro, o Gabriel, que estamos negociando o empréstimo a uma equipe japonesa, todos para ganharem experiência. Gosto desse desafio de trabalhar com esse perfil de jogadores.

COMPENSAÇÃO

– Preciso de bons exemplos dos mais velhos e dedicação dos mais jovens. Não tenho elenco como o do Palmeiras, de jogadores mais consagrados, mas esperamos compensar com os mais jovens, com a competitividade, que acelerem o ritmo dos mais velhos, e os mais velhos passem conhecimento para os mais jovens. Ainda seria necessário duas ou três peças para um time ideal, vamos procurar.

CARA DE CENI

– Minha cara é para tentar ser dada desde ontem. Meu modo de trabalhar, ver o jogo, ver a vida, que é o mais importante. Acima da qualidade técnica, os valores e o caráter de cada jogador são muito importantes. Atleta é importante, mas as pessoas por trás de cada jogador vale muito na formação de um elenco. Espero o máximo profissionalismo e dedicação deles.

TÁTICA

– Nos dias 10 e 11 começaremos a trabalhar mais a parte tática para desenvolver esse primeiro jogo-treino, depois daremos sequência nos EUA e após nossa volta. Tudo em relação às partes física e tática será feito nessa época porque depois o calendário brasileiro é muito exigente, ficaremos muito mais em recuperação de jogadores do que implantação de novos treinamentos.

– A intenção é montar um time que possa se mudado dentro do jogo, com uma linha de quatro ou três, quatro ou cinco no meio, dois ou três na frente.

 

Fonte: Globo Esporte

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