Recorde surpreendente faz Hudson acreditar em título no São Paulo

Nem sequer Hudson sabia sobre o recorde de aproveitamento na história do Morumbi. A torcida, como de costume em 2016, também duvidou, mas acabou celebrando o gol do volante que iniciou a virada sobre o Oeste no último sábado. E nesta terça-feira, às 21h45, contra o Trujillanos (VEN), o marcador poderá provar mais uma vez que seus números na casa do São Paulo não são apenas estatísticas baratas.

– Esse gol deu um alívio, tirou um peso. Sempre na minha carreira eu tinha uma média de um a cada oito jogos. Não São Paulo isso está bem menor. Neste ano tive grandes chances e não fiz. Deu um alívio. Fazer gol é uma sensação única. É tipo amor de pai para filho. Dá uma descarga de adrenalina indescritível – desabafou o criticado volante, ao LANCE!.

Se o São Paulo chega pressionado para vencer e deixar a terceira posição, Hudson vai ao duelo da quarta rodada do Grupo 1 da Copa Libertadores da América com números ainda mais expressivos no Morumbi. O aproveitamento histórico – que leva em consideração atletas com mais de 30 jogos no estádio – passou a 86,8% e vem acompanhado de três gols e nove assistências.

– A assessoria me chamou para conversar na sexta-feira passada e perguntou se eu sabia quem tinha o maior aproveitamento da história no Morumbi. Eu chutei Rogério Ceni, claro. Depois Raí (risos). Disseram que o recorde era meu, não tinha noção. Fiquei superfeliz, é uma marca importante e difícil – contou.

Para Edgardo Bauza, no entanto, o desempenho de Hudson é consequência do trabalho. O técnico considera o atleta essencial para seu esquema, a ponto de optar por sacar o badalado Thiago Mendes para João Schmidt entrar. Esse respaldo também vem dos números. No Paulistão, por exemplo, o volante é o tricolor que mais acerta passes (47,7 por jogo) e desarmes (46, no total).

O problema é que nem só de estatística vive o jogador. Hudson ainda precisa de mais se quiser convencer a maioria da torcida sobre sua capacidade. E ele tem a receita:

– Ser campeão. Jogar aqui e não ser campeão seria uma frustração muito grande – reconheceu.

Confira bate-papo exclusivo com Hudson:

Há alguma partida especial no Morumbi em que você não tenha gol ou assistência?
Fiz um jogo contra o Internacional no ano passado bem demais. Osorio gostava de colocar um volante na frente dos zagueiros e ficar ali, foi minha partida melhor com ele. A zaga estava sem ritmo, com Lyanco e Edson Silva, que não jogavam.

O Morumbi pode atrapalhar?
Não creio. Nós jogadores é que temos que evitar que o jogo fique mais difícil do que já será. Entrar bem postados, seguros atrás, criando jogadas para inflamar a torcida. Isso tudo dá mais força. Depende só de nós. Se entrarmos moles e desconcentrados, tomarmos um gol, ficará f… buscar o resultado.

Hudson - São Paulo
Hudson também é líder em desarmes e passes certos no Campeonato Paulista (Foto: Marcello Zambrana/AGIF/Lancepress!)

Aprovou o novo gramado?
Gostei, mas ainda não está o ideal. Tem muita areia ainda, um pouco irregular, mas algo normal para um gramado novo. Só que isso não é uma desculpa. O que dá a diferença não é o tipo ou a dimensão do gramado.

O que faz a diferença, então?
É a atmosfera, o que os outros sentem quando entram, nosso psicológico mais fortalecido. Mesmo sem estar cheio, qualquer jogador respeita. A força vem daí. O time já estava sentindo falta. Diante da dificuldade de bons resultados, voltar para deu um ânimo diferente. No Morumbi, respeitam a gente. Ali, ganhamos tudo. É o palco das maiores glórias.

Qual a expectativa para hoje?
Espero que o Morumbi esteja lotado, com a torcida empurrando até o final. Vai ser sofrido, como tem sido sempre nesta temporada. Ganhar com resultado elástico é bom, mas não acreditamos que isso vá acontecer facilmente. Vai ser difícil e precisamos lutar até o final, entrar focados para sair vitorioso. Temos que continuar buscando a classificação, porque depois tem o River Plate (ARG).

Fone: Lance

4 comentários em “Recorde surpreendente faz Hudson acreditar em título no São Paulo

  1. Concordo com o Waldir, mas acho q poderia cobrar esses números dele. Hudson foi contratado em 2014 com o prêmio de melhor volante do Paulistão e o jogador que mais desarmou. Em 2016 ele tem mais de 94% de aproveitamento nos passes (como foi dito, passes para trás). Então que a Comissão Técnica cobre o jogador para dar passes mais efetivos, cobre ele para continuar desarmando, cobre ele para ser o melhor volante do torneio. Se não houver cobrança, haverá comodismo.

  2. Como certa vez ouvi do Prof, Delfim Neto, média e estatística, a despeito de derivarem de conceitos exatos, ao serem analisadas podem apresentar lamentáveis distorções. Por exemplo: se um cara ficar com a cabeça no freezer e os pés no forno, a temperatura média do corpo pode ser satisfatória, mas as extremidades estarão sofrendo. Mal comparando, e como mencionou o Paulo RP, o Hudson pode acertar a maioria dos seus passes, contudo, o grau de dificuldade dos seus passe é zero, pois a maioria deles são recuos de bola para os zagueiros. Já PH Ganso erra muito e não deve ter uma média satisfatória, mas seus passes são, em boa parte, verticais e que podem demandar situações de gol. A despeito da estatística, considero o Hudson um jogador apenas razoável. Antigamente, chamávamos jogadores com as suas características de “carteiro”, pois só entrega a domicílio, portanto, incapaz de fazer um lançamento.

  3. Acho o Hudson muito esforçado: se entrega em campo e, por isso, muitas vezes comete faltas bobas. A questão dos passes certos é porque ele, na imensa maioria das vezes, toca para algum defensor atras da linha da bola e sem marcação. O que o Hudson precisa é de orientação do técnico para tentar mais passes verticais, o que não deve acontecer com o Bauza, treinador, por ele não saber montar times que joguem no ataque (se não houver movimentação à frente o volante, mesmo que fosse o Toni Kross, não tem como verticalizar seus passes)…

  4. Antes de criticar, vou elogiar: esse é um cara dedicado. Joga onde pedirem, não reclama, corre os 90 minutos. Bom jogador para ter no elenco.
    Mas… O primeiro volante é a posição mais importante de um time de futebol atualmente. Além de velocidade e vigor, que Hudson tem, o primeiro volante deve ter um senso de posicionamento infalível, uma alta qualidade e repertório variado de passes para sair jogando, e uma capacidade de contribuir com o ataque chegando de trás. Essas coisas Hudson não faz bem. Por isso, não tem condições de ser titular. Thiago Mendes não vem bem, mas tem maior potencial.
    Conclusão: Hudson, um ótimo reserva, um titular apenas razoável.

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