“Próximo presidente não tem obrigação nenhuma de renovar”, diz Dorival

Dorival Júnior voltou a abordar seu futuro à frente do São Paulo. O treinador condicionou a permanência à eleição presidencial e deixou a decisão nas mãos do próximo presidente do clube, que será definido em meados de dezembro deste ano.

O técnico retornou ao São Paulo para a terceira passagem em maio deste ano e assinou um contrato curto, válido somente até o fim da gestão Massis. Estará nas mãos do próximo presidente decidir se Dorival, que tem um aproveitamento de 42,8% em sua terceira passagem, fica ou sai.

Até por ter futuro indefinido, o comandante são-paulino evitou entrar em detalhes sobre um eventual planejamento para 2027, mas afirmou que quer deixar “um legado dentro de campo” para o futuro próximo. Para isso, tem feito um trabalho especial com os jogadores da base.

“Sinceramente, não. Não tive essa possibilidade, sempre acredito num planejamento. Como uma empresa, um clube também depende muito de ser assertivo nesses momentos. Estamos vivendo uma situação um pouco diferente, teremos uma eleição, ninguém sabe o que deve acontecer. Meu contrato vai até o fim do ano. Por obrigação, tenho que preparar algum material que eu possa deixar, independente da continuidade ou não. Tenho que ter esse nível de profissionalismo com quem aqui entre. O próximo presidente não tem obrigação nenhuma de renovação, tem que saber o que é melhor para o São Paulo. O que temos é que deixar o melhor possível. O nosso legado é dentro de campo. O que estamos tentando fazer é um trabalho com as categorias de base do clube”, afirmou o treinador.

O discurso de Dorival Júnior, inclusive, está alinhado ao de um dos candidatos à presidência do São Paulo. Marcelo Portugal Gouvêa, da oposição, busca o fortalecimento de Cotia em seu plano de gestão. O principal objetivo é reduzir custos e, ainda assim, montar um time competitivo alinhado à formação de atletas.

“Hoje mesmo, vendo o Brenner, foi lançado lá atrás. Nós não lançamos aleatoriamente. Hoje estamos com 11 jogadores sendo preparados. Não são relacionados aqui, jogam dentro das necessidades lá embaixo, voltam na segunda-feira para abrir uma nova semana de treinos. Em janeiro, quando o São Paulo se reapreesnte, teremos jogadores da base muito mais preparados para enfrentar um ano que será difícil e bem complicado, mas já vivendo um outro momento. Eles fazem um trabalho aqui, independente de estarem relacionados. Passam pelo psicólogo, pela fisiologia, pelo departamento médico para buscarem suplementações, fazem trabalhos físicos e técnicos, que é o que procuramos acrescentar”, comentou Dorival.

O treinador ainda relembrou o título inédito da Copa do Brasil de 2023. Na ocasião, o São Paulo possuía um elenco com muitos atletas que passaram por Cotia. O gol da conquista, inclusive, saiu de um deles: Rodrigo Nestor marcou no Morumbis no jogo de volta contra o Flamengo. Hoje, o meia defende o Bahia.

“Na última decisão, em 2023, tínhamos cinco jogadores da base. Nem todos foram lançados por mim, mas foram muito importantes. O autor do nosso gol na partida contra o Flamengo vivia um momento muito difícil, o Nestor. Ninguém acreditava nele. Se não tivéssemos acreditado, ele dificilmente estaria naquela partida fazendo um gol fundamental para a história do clube. Isso é uma obrigação dos profissionais que ali estão. Tentar deixar algo para que, se não aproveitados por nós, possam ser aproveitados por outros profissionais”, acrescentou o técnico.

Dorival reduziria salário para ficar no São Paulo?
Dorival Júnior deu a entender que reduziria seus vencimentos para permanecer no São Paulo. O treinador afirmou que o salário nunca foi um entrave para que ele retornasse ao Tricolor no meio do ano.

Contudo, ele não tem pressa para definir seu futuro. O treinador já sabe que precisará esperar as eleições para que, então, o novo presidente decida se dará continuidade ou não ao trabalho da atual comissão técnica.

“Esse não foi um problema para que eu pudesse estar aqui hoje. Tanto é que conversei muito bem conversado e, tudo que foi possível fazer, aconteceu. No momento certo, as pessoas irão conversar, caso haja o interesse, respeito muito isso. Primeiro temos uma eleição. Após ser definido quem presidirá o clube, a partir daí, é natural que ele tenha todo direito de escolher os melhores profissionais para estar ao seu lado”, projetou.

 

“As pessoas já me conhecem aqui, não é de hoje, são três passagens, mas na hora certa tudo vai acontecer. Não gosto de antecipar nada. Minha vida sempre foi assim, nunca me preocupei com o amanhã, mas com o hoje. Se for para continuar, vai ser um grande prazer. Não acontecendo, não deixarei de ser um torcedor do São Paulo”, concluiu.

Dorival está em sua terceira passagem pelo São Paulo. Até o momento, o treinador acumula sete vitórias, seis empates e sete oito, com 22 gols marcados e 22 sofridos.

 

A vitória

O técnico Dorival Júnior exaltou a vitória do São Paulo contra o Vasco por 1 a 0 pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro e elogiou a equipe por estar dando uma resposta, nos últimos jogos, depois de passar por o que chamou de “turbulência muito grande”.

— Equipe muito difícil de jogar, bem trabalhada. Essa dificuldade fez valer ainda mais o resultado que alcançamos aqui dentro. Não foi fácil. Nos primeiros 20 minutos fomos envolvidos, depois fomos mudando nosso posicionamento, colocando pequenas mudanças que foram importantes para ter um ímpeto um pouco maior e começamos a jogar por fora. Resultado muito importante por isso, por ter sido frente a uma equipe que vem em evolução — comentou o treinador em entrevista coletiva no Morumbis, na noite deste sábado.

Com o triunfo, o São Paulo chegou a 42 pontos e alcançou o 8º lugar, se distanciando ainda mais da zona do rebaixamento e podendo sonhar com uma classificação para a Conmebol Libertadores em 2027.

— Nós temos que ter consciência do momento que estamos vivendo, das dificuldades que estamos passando e da importância de uma campanha melhor, principalmente para a história do nosso clube. É muito pouco, entendemos isso. Temos consciência do que representaria uma classificação para o ano seguinte — disse Dorival.

— Pelo trabalho que esses jogadores vem fazendo, eles merecem uma condição melhor. Nosso trabalho continuará sendo pés no chão e procurando melhorar uma classificação. A equipe vem dando uma resposta depois de passar por uma turbulência muito grande. Isso acontece com equipes, mas poucas conseguem uma recuperação como essa que estamos vendo.

Depois de passar dez rodadas sem vencer, o São Paulo tem cinco vitórias e três derrotas nos últimos oito jogos.

Um comentário em ““Próximo presidente não tem obrigação nenhuma de renovar”, diz Dorival”

  1. Deus nos livre de renovar com esse TREINEIRO BISONHO, fraco demais e refém de paneleiros.
    Vai com Deus, já nos deu muito desgosto nessa pífia passagem!

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