Um grupo de conselheiros do São Paulo FC protocolou uma representação na Comissão de Ética do clube solicitando a expulsão do conselheiro vitalício e ex-diretor social Antônio Donizete Gonçalves, conhecido como Dedé. O documento aponta supostas irregularidades na gestão do departamento social e condutas consideradas lesivas aos interesses institucionais.
A representação contou foi formalizada na noite da última segunda-feira (23) e contou com a assinatura de doze conselheiros. O UOL apurou que um novo grupo de integrantes do Conselho do clube deve formalizar um pedido semelhante nas próximas horas. A representação como base fatos que vieram a público em reportagens e ações judiciais envolvendo a empresa FGoal Eventos e Marketing, antiga fornecedora de alimentos e bebidas do Morumbis.
Atuação questionada no caso FGoal
Um dos principais pontos levantados pelos conselheiros diz respeito à relação entre o clube e a FGoal. Em 4 de fevereiro, o São Paulo notificou a empresa solicitando a rescisão por justa causa do contrato após identificar movimentações financeiras consideradas suspeitas na plataforma Zigpay, sistema utilizado para processamento de pagamentos no estádio
Segundo o clube, uma apuração interna indicou que a empresa operava uma agenda financeira vinculada ao sistema sem autorização formal, sem respaldo contratual e sem o conhecimento dos departamentos responsáveis pela gestão financeira. Em sua defesa, a fornecedora afirma que agiu sob autorização verbal de Dedé.
Na representação, os conselheiros afirmam que, enquanto diretor social, ele teria permitido a operação da empresa sem a formalização jurídica necessária e sem submeter o tema aos órgãos competentes do clube. Na avaliação dos autores do documento, a conduta pode configurar falha grave de gestão, ao permitir atividades financeiras sem contrato formal e fora dos fluxos institucionais.
Além disso, a representação também afirma que Dedé teria colaborado com a própria FGOAL na disputa judicial contra o clube. Os conselheiros acrescentam que, em 14 de março, o ex-dirigente produziu uma declaração a pedido da empresa, na qual afirma ter autorizado verbalmente as movimentações financeiras na conta do São Paulo, justamente o ponto central que embasou a rescisão por justa causa. No mesmo documento, ele também teria indicado que o departamento financeiro do clube tinha ciência das operações.
Falhas de governança e inquérito policial
A representação sustenta que a existência de operações sem contrato formal e sem transparência adequada indica, em tese,
um ambiente de gestão paralelo dentro do clube. O documento menciona ainda tratativas informais, movimentações financeiras consideradas atípicas e a participação de outros integrantes do São Paulo em negociações com a empresa, o que amplia a preocupação sobre a governança no período.
Outro elemento destacado é a existência de um inquérito policial, instaurado em janeiro de 2026, para investigar possíveis irregularidades no departamento social do clube. Na avaliação dos conselheiros, esse fato por si só afasta a interpretação de que se trata apenas de falhas administrativas.
O que os conselheiros pedem
No pedido encaminhado à Comissão de Ética, os conselheiros solicitam a abertura de um procedimento formal para apuração dos fatos. Entre as medidas solicitadas estão a notificação de Dedé para apresentação de defesa, a coleta de documentos internos, registros financeiros e comunicações, além da oitiva do ex-dirigente e de outros envolvidos, como integrantes do departamento financeiro e conselheiros citados no caso.
Também pedem investigação detalhada das movimentações financeiras ligadas à FGOAL, especialmente no sistema Zigpay, e esclarecimentos sobre a ausência de contrato formal que regulasse a atuação da empresa. Além disso, solicitam análise da declaração assinada por Dedé e utilizada na ação judicial contra o clube.
Possíveis punições
Ao final do processo, caso as irregularidades sejam confirmadas, os conselheiros pedem a aplicação das penalidades previstas no Estatuto. Entre elas, a possibilidade de eliminação do quadro associativo, que na prática representa a expulsão de Dedé do clube. O documento também prevê que, se houver indícios de ilícitos civis ou criminais, o caso seja encaminhado aos órgãos competentes.
O texto, assinado por 12 conselheiros, solicita a tramitação em caráter de urgência, sob o argumento de risco à imagem, ao patrimônio e à credibilidade do São Paulo.
Próximos passos
A decisão agora cabe à Comissão de Ética, que deve analisar a admissibilidade da representação. Caso entenda que há elementos suficientes, o órgão instaura o processo disciplinar, inicia a fase de instrução com coleta de provas e depoimentos e, posteriormente, elabora um parecer conclusivo.
Esse relatório pode recomendar desde o arquivamento até a aplicação de sanções, incluindo a expulsão, que então seguiria para votação no Conselho Deliberativo, conforme previsto no Estatuto do São Paulo. Até o momento, não há manifestação pública de Dedé sobre o caso.
Fonte: Uol