Ney Franco arruma o São Paulo e consegue primeiro título pós-Muricy

Ney Franco chegou ao São Paulo no começo de julho e encontrou um clube assolado pela crise, pressionado pela seca de títulos e desacreditado na temporada. O treinador mineiro “falou grosso” logo na apresentação, pediu para ser cobrado e, cinco meses depois, mostrou que estava certo. Com seu estilo “paizão”, arrumou o Tricolor e conseguiu o primeiro título de um treinador após a era Muricy Ramalho com a taça da Copa Sul-Americana.

A última taça conquistada pelo São Paulo havia sido sob o comando do atual treinador do Santos: o hexacampeonato brasileiro em 2008. Desde então, o Tricolor havia sido comandado por seis treinadores, e nenhum deles obteve tal façanha.

Ney Franco conseguiu dar um padrão tático ao São Paulo. No 4-2-3-1, com Osvaldo e Lucas pelas pontas, Jadson na criação e Luis Fabiano no ataque, o Tricolor conseguiu ser agressivo sem deixar de marcar. A improvisação do zagueiro Paulo Miranda na lateral deu mais solidez ao setor defensivo.

Com a tática definida, os resultados começaram a aparecer. O São Paulo teve a melhor campanha do segundo turno do Brasileirão e conseguiu com sobras voltar para a Libertadores, competição que o Tricolor não disputava havia duas temporadas.

Mas o ápice da retomada do São Paulo no segundo semestre sob o comando de Ney Franco se deu com a conquista da Sul-Americana, que acabou com um jejum de quatro anos sem conquistas do Tricolor. O treinador conseguiu a taça de forma invicta.

O bom trabalho de Ney Franco também pode ser explicado por sua forma de comando. Ele utiliza do estilo “paizão” com os jogadores. Sua relação com Casemiro serve de exemplo: o treinador o defende e reconhece suas qualidades da mesma maneira que cobra por um desempenho melhor nos treinos e em campo.

Apesar de ser dócil no trato com todos, Ney Franco também se mostrou firme nos episódios mais polêmicos no São Paulo, a ponto de peitar o goleiro Rogério Ceni nas oitavas de final contra a Liga de Loja e escalar Willian José quando o capitão pediu a entrada de Cícero. Sua postura fez o ídolo são-paulino se retratar e pedir desculpas em entrevista coletiva.

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