Muricy lamenta eliminação: “Foi a maior injustiça da minha carreira”

O São Paulo fez, na etapa final do jogo contra o Atlético Nacional, nesta quarta-feira, no Morumbi, o “melhor meio tempo” do ano, segundo o técnico Muricy Ramalho. O volume, porém, não foi suficiente para que o time abrisse a vantagem necessária para se classificar para a final da Copa Sul-Americana nos 90 minutos regulamentares. O 1 a 0, gol de Ganso, levou a definição para os pênaltis – nas cobranças, os visitantes fizeram 4 a 1 e passaram para a decisão do torneio.

A apresentação da equipe nos 45 minutos finais fizeram Muricy lamentar muito a eliminação, que ele classificou como a “maior injustiça que já sofri no futebol”.

– O futebol fica nos devendo essa, porque, no que eu me lembro da minha carreira, é a maior injustiça que eu já vi, principalmente pelo que jogamos no segundo tempo. Vamos ficar até amanhã analisando e não temos condições de encontrar o motivo (da queda). A gente se preparou bem, mas pênalti é assim – afirmou o treinador.

Luis Fabiano São Paulo x Atlético Nacional (Foto: Marcos Ribolli)Luis Fabiano cabeceia no primeiro tempo da partida no Morumbi (Foto: Marcos Ribolli)

Ele também defendeu o atacante Alan Kardec, que escorregou logo na primeira cobrança tricolor e errou o pênalti – a outra penalidade perdida foi de Rafael Toloi.

– Foi uma infelicidade, porque ele tirou do goleiro. É nosso melhor batedor, infelizmente escorregou.

A eliminação foi doída, mas, para o técnico, os jogadores fizeram tudo o que podiam para colocar o São Paulo na final da competição.

– Falei para eles no vestiário. Eles podem ficar tristes, mas não devem abaixar a cabeça. Eles deixaram tudo dentro de campo. O duro é quando você vai pro chuveiro e pensa no que poderia ter feito. Hoje não podem falar nada. Os caras correram, o nosso time jogou bola, nossos volantes foram fantásticos A gente não está procurando nada que nos conforte. Futebol tem coisas que não se explica. Volto a repetir: foi a maior injustiça que já passei no futebol – completou.

O time agora tenta garantir, no Brasileiro, uma vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2015. Na segunda posição do torneio com 69 pontos, já está classificado ao menos para a primeira fase da competição continental. No domingo, a equipe recebe o Figueirense em casa e, com uma vitória, carimba o vice-campeonato nacional.

Veja os demais tópicos da entrevista do técnico:

Chuva
– Isso me preocuparia se o campo estivesse alagado. Acho que fica até melhor o futebol (com o gramado molhado). Não fica aquele futebol lento. O Kardec usa trava na chuteira, foi infelicidade. É coisa que não tem explicação. Nosso campo estava perfeito.

Balanço da temporada e 2015
– Tínhamos de fazer uma reformulação e começar o campeonato bem. Acabamos contra o Atlético-MG, que era o último jogo antes da Copa. É para ver o tempo que perdemos. No futebol, você não chega no clube com varinha mágica. Se tivéssemos o time há mais tempo, faria um primeiro turno melhor, brigaríamos mais em cima com o Cruzeiro. Acabamos o ano brigando na Sul-Americana, trouxemos o torcedor de volta. Os jogadores se comprometeram com o clube, dão alegria ao torcedor. Acabamos bem o ano, apesar de não ter título. Agora, temos uma base, mas ainda falta. Para brigar em várias competições precisa ter elenco maior. Isso aqui não para. Conversamos há algum tempo, mas ainda não aconteceu. E tem de acontecer. Conversei até com o presidente hoje. Estamos um pouco lentos. Temos de apertar um pouco mais. Isso aqui é gigante. Quer o cara? Tem de ir para cima. Primeiro que têm poucos. Não são muitos (jogadores). A base é boa. Estamos em competição que o clube adora, que é a Libertadores. Mas só com esse plantel não dá. Temos de caprichar um pouco mais.

Ceni
– Eu não sou de conversar muito com ele e com os jogadores depois do jogo. Mas para o Rogério eu falei uma coisa especial. Se ele quiser contar, ele conta. Mas falei uma coisa especial. Sei que ele sentiu demais e sei como é esse tipo de gente. Eu também sou assim, determinado, quando quero, vou atrás. Aí é com ele.

Aprendizado para Libertadores
– São jogos parecidos. Às vezes, campos bons, como agora na Colômbia. Mas também achamos coisas ruins, como em Guayaquil, os caras soltam bombas, querem bater em você. Você encontra de tudo, um futebol mais pegado, o juiz deixa correr. Foi bom voltar a jogar partidas assim, principalmente desse nível, como contra o Nacional.

Momento do futebol paulista
– Não dá esse negócio de varinha mágica. Dirigente tem que entender que não pode. É preciso ter visão, futebol não é para amador. O dia a dia precisa ser profissional. Às vezes, pecamos um pouco nesse sentido. Acho que o Corinthians foi bem no final, o treinador vai achando o time dele. O Palmeiras que, infelizmente, contratou bastante, um técnico que traria bastante coisa, mas sentiu porque veio para país estranho. Brigar para não cair é uma coisa lamentável, né? O Santos também teve seus problemas, eleição, troca de treinadores. Isso não é legal. Acho que o São Paulo está no caminho certo. Virá muito forte ano que vem.

Ceni para?
– É filosofia de vida, se juntar com os bons. É bom com bom e ruim com ruim. Não é jogador bom, mas, sim, caráter. Se acontecer (de ele ficar) excelente. Ele é o melhor da história. Quer ganhar, quer o melhor. Cara como ele e eu, incomoda. Às vezes, querem tirar, porque apertamos mesmo. Mas ele e o clube tem de definir. Eu já dei a minha opinião. Gente como ele, os diferentes que tem por aí, não gostam de sair por baixo. Às vezes, uma eliminação como essa pode mudar para o lado positivo e não negativo. Os caras querem sair ganhando. Por isso, acho que pode mudar bastante, para o lado bom.

Fonte: Globo Esporte

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*