Modernização do Morumbi: túnel de vento

Mais um passo dado rumo à contínua modernização do Estádio do Morumbi! O maior e mais lucrativo estádio particular do Brasil em breve terá todos os seus assentos cobertos e abrigará uma moderna arena de eventos, além de um estacionamento para até 3.000 veículos – o projeto segue à espera das aprovações do Poder Municipal -, e uma importante fase desse processo está sendo executada não muito longe, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), na Cidade Universitária.

“Pudemos verificar o altíssimo padrão tecnológico e nos procedimentos adotados pelo IPT para a realização dos testes. Isso reforça nossa convicção de que realmente foi essencial submeter o Projeto aos testes no túnel de vento, aumentando a confiabilidade e a segurança na escolha dos materiais a serem utilizados e nos métodos construtivos”, afirma José Francisco Manssur, assessor da presidência e um dos gestores do projeto pelo São Paulo FC.

Além de validar os cálculos já realizados, o estudo produzirá dados que determinarão quais materiais serão utilizados na cobertura do gigante são-paulino, um dos principais palcos esportivos e de entretenimento do continente. Para isso, foi construída uma maquete em escala 1:200, que em breve estará exposta ao público.

“Tendo em vista o volume dos investimentos para construção da cobertura e, principalmente, a responsabilidade para com as pessoas que frequentam o Estádio do Morumbi, que hoje já recebe 55 eventos por ano e deverá receber ainda mais depois que a cobertura estiver pronta, estamos buscando juntamente com a Andrade Gutierrez realizar todos os testes que forem necessários para garantia das condições da obra. Os testes no túnel de vento do IPT, com padrão internacional de excelência, foram mais uma importante etapa nesse sentido”, completa Manssur.

A cobertura e o estacionamento são iniciativas fundamentais para garantir ainda mais conforto às centenas de milhares de pessoas que frequentam o Morumbi anualmente. Além disso, o Tricolor finalizará até janeiro de 2013 a troca de todos os assentos do estádio, que será dominado pelo vermelho do escudo são-paulino – um dos novos setores de cadeiras já foi inclusive inaugurado no jogo Brasil x África do Sul.

“A modernização do Estádio do Morumbi é um processo de que cuidamos todos os dias, ininterruptamente. A cobertura e a casa de shows de 25 mil lugares são etapas muito importantes nesse contexto. E muita coisa já foi e está sendo feita além disso”, diz o Presidente Juvenal Juvêncio, que destaca a importância das demais iniciativas de modernização do Estádio do Morumbi que estão em curso desde 2008.

“Até o final deste ano, todos os assentos do Estádio do Morumbi serão novos e na cor vermelha, dando uniformidade estética para o Estádio. Para isso, já trocamos todos os assentos do Setor Térreo e boa parte do Setor Intermediário. Já compramos mais 50 mil novos assentos, 40 mil para a troca de todos os assentos da arquibancada e os demais para completar o Setor Intermediário, que chegarão todos em outubro. Além disso, reformamos os corredores internos, trocamos piso e forro, reformamos os banheiros para que tenham padrão de shopping center e construímos 92 camarotes. Tudo isso garante que, com a cobertura e a arena de 25 mil lugares somadas a todas as outras melhorias, o Estádio do Morumbi continuará sendo o principal centro de eventos esportivos e culturais da Cidade de São Paulo”, completou.

 

ENSAIOS

O Centro de Metrologia de Fluidos (CMF), que abriga o túnel de vento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), está realizando uma série de ensaios sobre esforços de vento em uma maquete do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi. Os testes irão fornecer os coeficientes de forma e de pressão que darão confiabilidade aos projetistas na concepção da nova cobertura de 30 mil metros quadrados de área total.

A estrutura metálica da cobertura empregará cerca de quatro mil toneladas de aço tratado, com oito grandes pilares. O material a ser usado na própria cobertura em sistema de treliça espacial está em estudos: telha de aço e membrana tensionada são algumas das opções, e a escolha irá considerar também o desempenho da proteção acústica, a fim de minimizar o impacto sonoro dos eventos do estádio. As sondagens para medir profundidade e detectar os materiais que podem ser encontrados no solo, procedimento necessário para escolha e cálculo das fundações de apoio à estrutura, já estão quase concluídas – a instalação dos pilares não será simétrica, para que eles não avancem para as ruas do entorno e respeitem inteiramente a legislação vigente.

Para a execução dos ensaios em um modelo rígido fabricado em PVC e acrílico, os pesquisadores simularam primeiramente as características do vento na área da cidade onde o estádio está localizado. Os testes são referenciados em função da norma NBR 6123:1998, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que estipula as condições exigíveis na consideração das forças devidas à ação do vento, para efeitos do cálculo de edificações – os ensaios anteriores das maquetes do Castelão e da Arena Pantanal também foram feitos em modelos rígidos para determinação somente do carregamento estático de vento na cobertura.

A base da simulação da camada limite atmosférica adotada pelos pesquisadores do IPT nos ensaios foi desenvolvida por J. Counihan e combina uma barreira castelada (que provoca um déficit de momento linear na parte inferior do escoamento logo à entrada do túnel), quatro geradores de vórtice e blocos de rugosidade distribuídos ao longo dos 40 metros de comprimento do túnel de vento – para o ensaio realizado no Morumbi, são 580 elementos retangulares de madeira.A rugosidade de um terreno pode ser definida como a medida da aspereza de uma superfície e fator de redução da velocidade do vento: ela é classificada em cinco categorias pela norma da ABNT e o terreno do Morumbi está na categoria V, caracterizada pela presença de obstáculos numerosos, grandes, altos e pouco espaçados, e por uma cota média do topo dos obstáculos igual ou superior a 25 metros.

Após a confirmação dos resultados de simulação, a equipe do túnel de vento executou a instalação de 300 tomadas de pressão na maquete em escala 1:200 e deu início às medições das cargas.Os pesquisadores do IPT optaram por incluir nos ensaios da maquete do Morumbi as representações do relevo do entorno, de um futuro (e ainda em estudo) prédio em anexo que funcionará como estacionamento e das residências mais próximas, em um raio de 250 metros a partir do centro do estádio, pois eles podem modificar as características do escoamento e diminuir o carregamento do vento.

Com a posse do laudo final fornecido pelo CMF, os responsáveis pela obra (o projeto da estrutura metálica é da empresa Projeto Alpha Engenharia de Estruturas, enquanto a Construtora Andrade Gutierrez é a integradora e responsável pela obra) irão cruzar os dados com as informações das rajadas de vento na região para projetarem a cobertura final.Para os pesquisadores do túnel de vento do IPT, um dos principais benefícios com a execução dos ensaios nas maquetes dos estádios está no aperfeiçoamento dos softwares livres de processamento e análise de dados desenvolvidos internamente, que refinam a qualidade dos relatórios. “À medida que são feitosos testes, estamos aprimorando os recursos dos programas para que o cliente possa visualizar as informações de distribuição de forças e fazer qualquer seleção para análise”, afirma Gilder Nader, pesquisador do IPT e responsável pelo túnel de vento.

Fonte: Site OFicial

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