Kardec vive lua de mel com torcida do SP e inspira provocação ao Palmeiras

Alan Kardec já conquistou o coração da maioria dos torcedores do São Paulo. Na última partida, o Morumbi inteiro cantou uma música que lembra provocativamente sua turbulenta transferência do rival Palmeiras: “E ninguém cala esse chororô, chora o presidente, chora o torcedor, Kardec é tricolor”.

Os dois times vão se enfrentar no domingo, às 19h30, no primeiro “Choque-Rei” do Kardec são-paulino no Morumbi. Ao se recusar, em maio, a renovar contrato com o Palmeiras e acertar com o rival, ele se tornou o pivô das desavenças entre as duas diretorias, que até hoje têm relações conturbadas.

Com dez gols no ano, ele vive seu melhor momento no São Paulo e se tornou titular absoluto em um elenco que conta com atacantes como Alexandre Pato e Luis Fabiano (ambos brigam por posição, e o último será titular no domingo ao lado de Kardec, segundo o técnico Muricy Ramalho).

A torcida valoriza, além de seus gols, sua entrega em campo. E pelo apoio que recebe mesmo em momentos difíceis, Kardec já se mostrou muito grato.

“Eles nunca pegaram no meu pé mesmo quando eu não vinha fazendo gols”, disse ele recentemente ao quebrar um jejum de bolas na rede. Chamou a atenção de jornalistas um gesto que ele andou fazendo ao comemorar gols, batendo com força a palma da mão no antebraço, como se exaltando o sangue que corre em suas veias.

Em entrevista, ele explicou que era um recado à torcida. Kardec queria dizer que eles sempre poderiam esperar dele raça e dedicação.

Questionado na última terça-feira sobre ter pulado o muro que separa os dois centros de treinamento na zona oeste de São Paulo, ele disse que o processo desgastante valeu a pena.

“A vida é feita de escolhas”, filosofou. “Se eu não tivesse feito a escolha que fiz, não estaria aqui compartilhando esse momento no São Paulo. O ambiente é tranquilo, você tem jogadores de caráter, que se respeitam, você tem vitórias e isso te deixa com um sorriso no rosto.”

Quando estava insatisfeito no Palmeiras, ele também teve o nome entoado pela torcida alviverde, mas em circunstâncias diferentes. Em abril, o atacante não entrou em campo num jogo contra o Fluminense, mas a torcida lembrou dele para pressionar o presidente Paulo Nobre a endurecer as negociações e fazê-lo ficar.

Uma semana depois, Kardec assinava com o São Paulo.

Nobre protestou, acusou um suposto comportamento antiético e cortou relações com Carlos Miguel Aidar, o presidente tricolor, que chegou a dizer que o Palmeiras “se apequenava” no processo.

Desde então, quem cresceu mesmo foi Kardec. Ele fez o gol da vitória são-paulina no primeiro clássico depois da polêmica. E chega ao último Choque-Rei do ano em alta.

Enquanto o Palmeiras ficou seriamente ameaçado pelo rebaixamento e hoje convive na intermediária da tabela, o São Paulo, com a ajuda fundamental do atacante, se consolidava na vice-liderança do Campeonato Brasileiro. Também está nas semifinais da Copa Sul-Americana.

O time tricolor depende de uma vitória para continuar sonhando com o título. Já os palmeirenses podem até a voltar a temer uma queda em caso de derrota no Morumbi.

 

Fonte: Uol

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