Indeciso sobre futuro, Ceni faz o talvez último aniversário de clube

Rogério Ceni completa nesta sexta-feira o 22º aniversário de São Paulo sem saber se, nopróximo 7 de setembro, ainda será goleiro. Aos 39 anos, ele não descarta se aposentar ao fim do contrato, válido até dezembro. Além de conviver com dores, pode pesar em uma eventual decisão de abandonar os gramados o fato de já ser multicampeão e, para alguns, o maior ídolo do clube.

Admitido em peneira em 1990, Ceni tem no currículo títulos que poucos conseguiram pela equipe. Dentre eles, três Brasileiros, duas Libertadores e um Mundial. O último, conquistado em 2005, é um dos que mais se orgulha. Até por ter sido o principal jogador do torneio, mesmo tendo entrado em campo com dores no joelho esquerdo na final contra o Liverpool.

“Tanto que, quando voltou do Japão, teve que fazer cirurgia (no menisco). Jogou mesmo com dor, suportou até o fim e foi premiado. Ninguém sabia o que estava se passando com ele”, lembra Haroldo Lamounier, preparador de goleiros da equipe desde 2003, deixando a definição sobre a renovação ou aposentadoria a cargo exclusivamente do camisa 1, que é também goleiro-artilheiro, com 105 gols.

“Ele sabe os limites dele. Quando dá, dá. Quando não dá, não adianta forçar. Teve duas lesões graves na carreira. Foi através delas que ele viu realmente que é um ser humano e está sujeito a isso”, diz, ao garantir, porém, que Ceni tem condição física de atuar até mais quatro anos. “Mas ele que tem que ver o que tem mente, se já se deu por satisfeito pelas conquistas. Isso só ele e o dia a dia é que vão poder dizer”.

João Pires/VIPCOMM

Preparador de goleiros do São Paulo, Haroldo Lamounier trabalha com o camisa 1 Rogério Ceni desde 2003

No início desta semana, o arqueiro avisou que não vai condicionar sua decisão a um título ou a vaga na próxima edição Libertadores. Segundo ele, qualquer conversa com a diretoria só ocorrerá a partir de novembro, às vésperas do encerramento do vínculo, renovado pela última vez em 2009. “Nem quero pensar nisso agora”, comentou o jogador, mais preocupado em tentar levar o time ao título da Copa Sul-americana ou, no mínimo, ao G-4 do Campeonato Brasileiro.

Há exatamente um ano, ele entrou em campo também movido por vitória. E conseguiu: o São Paulo derrotou o Atlético-MG por 2 a 1, no Morumbi, e assumiu a liderança provisória da competição nacional. Aquele foi seu milésimo jogo com a camisa tricolor. Desde então, já atuou mais 28 vezes. Poderia ter sido mais se não tivesse passado por cirurgia no ombro direito, no início da temporada – período em que foi substituído por Denis.

Denis seria, a propósito, o reserva imediato caso Ceni se aposentasse em dezembro. “Ele está preparado, jogou durante a ausência de um ídolo do clube. Para substituir um atleta dessa qualidade, tem que ter personalidade e qualidade, e ele mostrou que tem. Mas é aquele negócio: tem que estar sempre evoluindo, dia após dia, jogo após jogo, até o momento de continuar a trajetória do Rogério”, avalia Lamounier.

Fonte:  Gazeta Esportiva

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