Ganso promete resultado em 2012 e vê pressão nas ruas

Ainda cercado pelo aparato de fisioterapia de ponta do São Paulo, na enfadonha rotina de bicicleta, esteira e musculação, Paulo Henrique Ganso precisa controlar a expectativa íntima de estar em campo por seu novo clube. Mas a ansiedade aparece com mais força no contato com o torcedor tricolor nas ruas da cidade em que recentemente passou a viver: “os torcedores estão eufóricos para que eu possa estrear”.

Em entrevista ao UOL Esporte no Centro de Treinamento do São Paulo, Ganso diz que confia em completar a recuperação física a tempo de vestir a camisa do novo time ainda neste ano, na reta final do Brasileiro e, principalmente, na última chance de taça do clube na temporada [a reportagem apurou que a meta de estreia é diante do Náutico, dia 18 de novembro].

“Quero voltar em 2012, ainda tem título que a gente pode conquistar que é a Sul-Americana”, diz.  “Vai dar tempo suficiente porque eu tenho uma técnica apurada e vou mostrar dentro de campo isso”, acrescenta.

Aos 23 anos, Ganso nos últimos tempos trocou o status de grande promessa do futebol nacional para o de um jogador problemático, do ponto de vista médico. Neste cenário, o reforço do São Paulo admite ter perdido terreno na seleção que se prepara para a Copa, mas diz confiar na recuperação.

Na entrevista ao UOL o meio-campo ainda fala da expectativa de enfrentar o melhor amigo Neymar pela primeira vez e minimiza o desafio inevitável de pisar na Vila Belmiro agora como adversário do Santos. No entanto, se esforçou no papo para evitar palavras que sugerissem mal-estar em relação ao ex-clube, apesar da conhecida tensão no desfecho da relação. Confira a entrevista abaixo:

UOL Esporte: Quando você volta a jogar, quando será a estreia com a camisa do São Paulo?

Ganso: Estou na fase final de preparação, no processo de transição do Reffis (Núcleo de Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica) para começar o trabalho no campo, e minha ideia é que já estou 100% e quero voltar o quanto antes.

UOL Esporte: A sua volta apressada na semifinal da Libertadores [18 dias para jogar no Santos x Corinthians, diante do prazo inicial de dois meses] complicou de alguma forma este quadro que você enfrenta hoje?

Ganso: Complicado não, já estava recuperado. A única falta que iria sentir era de ter duas semanas só de trabalho físico. Como não tinha todo esse tempo a gente, em conversa, optou por ir logo direto trabalhar com bola e poder voltar antes.

UOL Esporte: Você já projetou como será sua volta à Vila Belmiro, agora como adversário, depois de tudo o que aconteceu na sua saída do Santos?

Ganso: Não parei para pensar, mas lógico que vai ter pressão do torcedor, vai fazer sempre em todos os estádios que eu for jogar pelo São Paulo. Sempre vai haver aquela pressão. Tenho uma cabeça super boa, só quero voltar a jogar futebol.

UOL Esporte: Você tem ainda algum vínculo com a cidade de Santos, pretende manter algum laço?

Ganso: Moro em São Paulo, mas lógico que vou ter sempre meu apartamento lá, tenho alguns negócios fora também, até porque minha esposa é de Santos também. Então sempre vou estar na cidade, mas hoje mesmo moro em São Paulo.

UOL Esporte: Você temeu pela sua segurança em algum momento da negociação para sair do Santos?

Ganso: Em nenhum momento, até porque eu não fiz nada de errado.

UOL Esporte: O São Paulo tem uma tradição de fazer seus jogadores com apelidos mudarem a identidade esportiva, usando nomes e sobrenomes. Você passou por essa conversa aqui?

Ganso: Ninguém me falou nada. Isso já mudou muito no futebol, até porque você tem que estar treinando no dia a dia sempre, tem que estar jogando com muita alegria. Como isso não atrapalha em nada, então não tem porque mudar. Hoje todo mundo brinca com o apelido Ganso.

UOL Esporte: Viraria Paulo Henrique Lima numa boa?

Ganso: É difícil mudar, o torcedor brasileiro só me chama de Ganso. É difícil você mudar.

UOL Esporte: Você conversa muito com o Kaká. Os conselhos dele foram importantes para você escolher o São Paulo?

Ganso: A gente não chegou a conversar sobre isso, ele passou conselhos sobre outras coisas, mas nunca chegou a conversar sobre isso.

UOL Esporte: Nos últimos meses, na sua ausência, a seleção encontrou uma nova formação, viu o time com o Oscar engrenar. Como você pretende fazer para recuperar terreno na seleção?

Ganso: Recuperar primeiro o espaço na seleção brasileira, só tem um jeito de fazer, é jogando futebol e estando 100% fisicamente, tecnicamente, em todos os sentidos e jogando no São Paulo pra ver o que vai dar. Lógico que você tem que respeitar quem está jogando na seleção atualmente, o treinador Mano, tem que respeitar a todos.

UOL Esporte: Como tem sido o contato com o torcedor do São Paulo?

Ganso: A recepção vem sendo muito boa, não só dentro do clube do São Paulo, como nas ruas. Os torcedores estão eufóricos para que eu possa estrear. Quero voltar em 2012, ainda tem título que a gente pode conquistar que é a Sul-Americana, já que o Campeonato Brasileiro está cada vez mais difícil, mas 2013 a gente vai buscar conquistar os títulos que disputar.

UOL Esporte: Como lidar com essa torcida exigente do São Paulo, que costuma pedir sempre muito de seus ídolos, às vezes até confrontá-los?

Ganso: Todo torcedor é exigente, o torcedor brasileiro é assim. Você tem que entrar dentro de campo e mostrar o seu melhor, quanto talento você tem.

UOL Esporte: Você precisa ainda passar pela readaptação ao campo, ganhar ritmo. Vai dar tempo de mostrar resultado esse ano?

 

Ganso: Vai dar tempo suficiente porque eu tenho uma técnica apurada e vou mostrar dentro de campo isso. E nos treinamentos, no dia a dia, você consegue mostrar.

UOL Esporte: O São Paulo tem uma história recente marcada por ídolos como Raí, Kaká, Rogério Ceni. Você tem algum deles como uma referência para a sua trajetória aqui, um lugar onde quer chegar?

Ganso: Todos eles são referências. Quero chegar no mesmo nível deles, mas construir a minha historia como eles fizeram, com muitos títulos, muitas alegrias para todo o torcedor são-paulino.

UOL Esporte: Muita gente te elogiou na final do Paulista de 2010, pelo fato de se recusar a deixar o campo num momento decisivo do jogo, exaltando uma maturidade precoce para um garoto. Mas, por outro lado, algumas pessoas criticaram sua postura de não assumir a frente das negociações para deixar o Santos, deixando tudo na mão de representantes, sem dar a cara à tapa. Qual é o Ganso que você acha que as pessoas veem hoje?

Ganso: Cada um tem sua opinião, o jeito de querer enxergar as coisas. Já naquela época, em 2010, eu sempre fui muito maduro, com experiência muito grande no futebol e fora também. Então as coisas de fora a gente deixa para as pessoas certas resolverem. E hoje deu tudo certo e eu estou aqui.

UOL Esporte: O que te motiva mais nesta fase de recuperação: voltar a jogar logo ou dar uma resposta a quem te critica?

Ganso: Sempre fui muito dedicado em todos os momentos da minha carreira, tanto dentro do campo quanto fora e na fisioterapia. A resposta que eu tenho que dar é para mim mesmo, pelo prazer de voltar a jogar futebol, pelo prazer de fazer a alegria de muita gente, dos mais jovens até os mais velhos, mais experientes. A resposta é para mim mesmo, poder jogar o futebol que eu sempre joguei.

UOL Esporte: Você fez questão de sair pela porta da frente após a última reunião no Santos. Por que?

Ganso: Naquele momento eu já tinha feito a minha historia naquela época pelo Santos, e isso é uma coisa que nunca ninguém vai apagar, isso vai estar sempre na historia e na lembrança. Eu entrei pela porta da frente, vou sair pela porta da frente. Hoje tenho meu pensamento no São Paulo, aquilo ninguém vai apagar.

 

Fonte: Uol

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*