Finanças do São Paulo obrigarão clube a vender atleta

Rogério Ceni, desacreditado após eliminações precoces na Copa do Brasil e na Sul-Americana, trata com cuidado o assunto “reforços” a ser contratados pelo São Paulo para o Campeonato Brasileiro. “Se for possível, quem sabe, trazer um ou dois jogadores para reforçar o elenco”, sugeriu o técnico após a derrota para o Defensa y Justicia. Há motivos para tanta cautela sobre investimentos. Embora tenha melhorado sua condição financeira no primeiro ano de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, em 2016, o clube continua a ser penalizado pelo legado de Juvenal Juvêncio, presidente até 2013, e Carlos Miguel Aidar, em 2014 e 2015. A conta tricolor não fecha.

A administração são-paulina degringolou enquanto Juvêncio ainda era o chefão. Para que se tenha ideia, as despesas do clube passaram de R$ 260 milhões em 2012 para R$ 360 milhões em 2015. O acréscimo não seria um problema se o faturamento tivesse acompanhado os gastos. Mas não aconteceu. No mesmo período de quatro anos, as receitas recorrentes, que não consideram vendas de atletas, caíram de R$ 230 milhões para R$ 220 milhões. O orçamento que fechava no azul foi parar no vermelho, e aí as transferências de jogadores, que até então serviam para dar um gás nas finanças de vez em quando, passaram a ser obrigatórias para cobrir os rombos no caixa.

Leco não conseguiu reduzir a despesa do São Paulo em 2016, o maior dos problemas. Mas fechou as contas ao usufruir de duas receitas excepcionais. O cartola recebeu R$ 60 milhões da TV Globo pela venda antecipada dos direitos de transmissão da TV fechada de 2019 a 2024. No departamento de futebol, arrecadou mais R$ 85 milhões com transferências de jogadores. Essas duas fontes de receita, somadas a acréscimos modestos em patrocínios, bilheterias e sócios-torcedores, permitiram ao presidente encerrar seu primeiro ano no comando do clube, ainda como interino, após a renúncia de Aidar, com faturamento recorde de R$ 428 milhões e superávit em seu caixa.

O dinheiro excedente foi bem usado pela direção são-paulina. O endividamento do time cresceu para R$ 312 milhões, mas precisamos quebrá-lo em pedaços para não chegarmos à conclusão errada. O São Paulo chega a 2017 com R$ 137 milhões em dívidas de curto prazo, que precisam ser pagas no decorrer da temporada. Num clube que gasta R$ 360 milhões com suas despesas correntes, esse tipo de endividamento enforca o dirigente. Leco precisaria elevar o faturamento para meio bilhão de reais só para honrar com os compromissos que já tem, sem sair da linha, sem contratar ninguém. O ângulo otimista é que, graças ao superávit de 2016, ao menos essas dívidas de curto prazo foram reduzidas em R$ 30 milhões para 2017. Ainda está ruim, quase inviável, mas já foi pior.

Mais um sinal de que o superávit de 2016 teve uma finalidade responsável está num outro ângulo sobre o endividamento. A dívida bancária tricolor foi reduzida de R$ 130 milhões para R$ 88 milhões, uma jogada que reduz os juros a ser pagos a instituições financeiras. Em contrapartida, os empréstimos feitos por terceiros subiram de R$ 24 milhões para R$ 33 milhões – a maior parte disso para Vinicius Pinotti, atual diretor de futebol. Trocando em miúdos, a direção são-paulina pagou tudo o que podia aos bancos e trocou algumas dívidas pelo crédito apaixonado de seu próprio dirigente. O risco ainda é alto. A dívida fiscal (parcelada via Profut, com o governo) precisa ser honrada, os processos trabalhistas dos quais o time é réu aumentaram, bem como dívidas com outros clubes. Mas ao menos a dívida bancária, a mais traiçoeira de todas, baixou.

O São Paulo não deve quebrar em 2017. Como vendeu apenas os direitos da TV fechada, Leco ainda tem como carta na manga os direitos da TV aberta de 2019 a 2024. A renegociação tende a render mais uma vez luvas pela assinatura de um novo contrato. A transferência de David Neres ao holandês Ajax por cerca de R$ 50 milhões logo no início da temporada também deu fôlego ao caixa – ainda que R$ 20 milhões tenham sido redirecionados para a aquisição do argentino Lucas Pratto. Com mais um ou dois atletas vendidos no decorrer da temporada, é razoável crer que o presidente consiga chegar a mais um ano de superávit e redução das dívidas. Mas a causa dos problemas continua intacta. Sem adequar os custos à real capacidade financeira tricolor, uma jogada arriscada, fica a obrigação de vender atletas todos os anos. Para o desgosto de Rogério.

 

Fonte: Revista Época

9 comentários em “Finanças do São Paulo obrigarão clube a vender atleta

  1. Rodrigo Caio faz tempo que esta afim de ir para Europa, da para fazer um bom dinheiro, mas o problema que vendem tanto jogador e nao tem dinheiro, tipico de má gestor, sao esta entregue a gestores fracos, incompetentes, o resultado nao pode ser outro clube financeiramente pessimo e o time indo para o mesmo caminho.

  2. E o mais importante… na tentativa frustrada de obter uma redução na dívida, o Leco negociou e recebeu receitas antecipadas dos próximos exercícios. Como se diz na gíria nacional: “está vendendo o almoço para comprar o jantar.” O cenário é o pior possível, agravado pelo péssimo estágio do time de futebol. Apenas um detalhe: o Leco integrou a Diretoria em todas as gestões do JJ.

  3. Basta jogar futebol, conquistar títulos, saber negociar que o dinheiro entra, qualquer coisa diferente disto resulta em ginástica financeira e endividamento. Quem fabrica vassouras tem que vender vassouras, senão quebra.

  4. O São Paulo só é o São Paulo de hoje, porque de anos para cá tem se apequenado e tomado decisões de contratações erradas uma após a outra. Sempre essa ladainha de querer contratar jogadores sem expressão ou experiência e aí dá nisso que todos nós já vimos ano após ano. “Time amarelão, luta para não cair, não chega em finais, perde sempre em mata-matas decisivos para rivais e etc…”
    Ou seja, me parece que os dirigentes não estão nem aí para o torcedor oque eles querem mesmo é fabricar jogador ano após ano para revender e assim ganharem comissões. Então se utilizam da vitrine SPFC para se esbanjar nos manjares tricolores patrocinado por uma torcida apaixonada e burra, burra porque não sabem nada dos bastidores do clube e quando sabem não sabem cobrar, preferem jogar a responsabilidade em cima de alguns cabeças fracas de organizadas para saírem quebrando e ameaçando jogador. Acorda nação tricolor! Enquanto nós não mudarmos a nossa posição nas arquibancadas, seremos tratados sempre com menosprezo por quem de direito se acham donos do clube. A culpa não é só dos jogadores fracos que temos mas é tb em grande parte nossa porque não sabemos cobrar o respeito que devíamos ter.

  5. A culpa é de todos esses conselheiros, o Leco disse que a dívida tinha diminuído, depois foi constatado que a dívida aumentou, em 2012 o Lucas rendeu muito dinheiro e de lá pra cá a dívida disparou, onde está o dinheiro das vendas de Boschila, Souza, Ganso, Kardec, Lyanco, Ademilson, Paulo Miranda,Toloi, Denilson, Aloísio, Ewandro, Douglas, Jonathan Cafú, Kieza, Rogério do Nordeste, Maicom di Grêmio, enfim essas são as que lembro nos últimos anos, dinheiro teve, não foi bem administrado, contrataram mal e não pagaram as dívidas, fruto de incompetência geral, o JJ e sua corja continuam destruindo o Tricolor, mudou o estatuto só no nome porque continua uma festa entre amigos que se acham donos do São Paulo distribuindo cargos e favores, enquanto o time afunda financeiramente e no futebol já estamos na lama que será coroada com o rebaixamento este ano.
    Parabéns a todos os conselheiros, que para mim se igualam aos políticos desde país, se vendem por benefícios próprio e a massa que paga a conta.

  6. Faz quantos anos que o SPFC vende todo mundo e não tem dinheiro?

    Vende todo mundo e gasta muito em um ou dois jogadores, trazendo um bando de refugo pra fazer número.

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