Fanatismo e estádio intimidador: o que o São Paulo encontra em Rosário

– Por favor, ganhem do Rosario Central. Estarei em Curitiba, para ver Newell’s Old Boys x Atlético-PR, também pela Copa Sul-Americana, na quinta-feira, mas, por favor, que o São Paulo ganhe. Por favor.

A frase acima era dita com frequência a brasileiros pela recepcionista que registrou a chegada do São Paulo no hotel, em Rosário, há dois dias. E expõe bem o sentimento que domina Rosário, cidade na qual o Tricolor estreará pela Copa Sul-Americana, às 21h30 desta quinta-feira, diante do Rosario Central, no estádio Gigante de Arroyito.

A recepcionista expõe o amor ao futebol que marca a cidade de Rosário. Em diversos pontos da cidade, há uma espécie de marcação de espaço bem clara. Muros e postes estão pintados de vermelho e preto, cores do Newell’s Old Boys, ou de amarelo e azul, cores que marcam o Rosario Central. É praticamente impossível não perceber em qual território se está.

A reportagem do LANCE!, que está em Rosário desde terça-feira, constatou a grande rivalidade de forma definitiva depois do treino do São Paulo, nessa quarta-feira, no centro de treinamento do Newell’s Old Boys. O taxista que buscou a equipe era torcedor do Newell’s gargalhou ao saber que brasileiros que fariam a cobertura do jogo desta quinta-feira estavam no campo do “inimigo do Central”, como definiu. Só fechou a cara quando foi informado que teria de levar a reportagem à sede social do Rosario Central para buscar as credenciais da partida.

– Por favor, quebre tudo lá dentro. Tenha em mente o tempo todo que a parte boa de Rosário vai vestir a camisa do Brasil nesta quinta-feira. Somos todos São Paulo contra o Central – disse o taxista, brincando, mas sem sorrir ao passar a sua mensagem.

Se os torcedores do Newell’s gostam de se afirmar em palavras, as cores do Rosario Central se fazem presentes desde a chegada do São Paulo na cidade. Um viaduto próximo ao hotel que abriga o Tricolor está pintado com azul e amarelo e a mensagem “Bem-vindo a Rosário”, em espanhol.

No estádio Gigante de Arroyito, local da partida, a pressão certamente será ainda mais sentida. A arena é uma das mais marcantes do futebol argentino e carrega histórias ruins para brasileiros. Foi no local, por exemplo, que a Seleção empatou por 0 a 0 diante da Argentina, na Copa do Mundo de 1978, em resultado que antecedeu ao fim do sonho brasileiro da conquista mundial com a polêmica vitória por 6 a 0 dos argentinos diante do Peru, classificando os anfitriões para a final do torneio, contra a Holanda.

O retrospecto de clubes brasileiros no Gigante de Arroyito é bem ruim. Foram 13 partidas oficiais no local contra o Rosario Central, com oito vitórias argentinas, quatro empates e só uma vitória brasileira (1 a 0 para o Inter, pela Copa Sul-Americana de 2005). O próprio São Paulo já perdeu duas vezes do adversário desta noite no estádio, levando 2 a 1 na Copa Mercosul de 2000 e 1 a 0 na Libertadores de 2004.

Foi no Gigante de Arroyito que o São Paulo enfrentou o Newell’s Old Boys na final da Libertadores de 1992, a primeira conquista do clube no torneio. Mas, há 26 anos, o time argentino venceu em casa por 1 a 0 – o placar se repetiu a favor do Tricolor no Morumbi e, nos pênaltis, a equipe de Raí assegurou a taça continental. A pressão no local é tão famosa que Fernando Prass, hoje goleiro do Palmeiras, já a comparou com a Bombonera, do Boca Juniors.

– O estádio tem uma pressão imensa. É muito semelhante à Bombonera, vertical, próximo ao campo. O fator local é muito forte para eles. Lembro que descemos na rua e caminhamos no meio da torcida para entrar no estádio. Os policiais só nos falavam para olharmos para o chão, não para eles. Não houve problema de violência, é um bom estádio. Mas é um caldeirão – já chegou a dizer Prass, lembrando de sua passagem pelo Gigante de Arroyito defendendo o Coritiba, na Libertadores de 2004, perdendo por 2 a 0 em partida na qual o zagueiro Miranda, posteriormente ídolo do São Paulo, chegou a ser agredido.

É neste clima que o São Paulo começará a Copa Sul-Americana. Passar por essa provação logo na primeira fase do torneio seria uma prova de força que o clube precisa em meio à pressão da torcida por títulos. E é exatamente o que os torcedores do Newell’s Old Boys (que enfrenta o Atlético-PR nesta quinta-feira, em Curitiba, também pela Sul-Americana), ao menos, sonham para esta quinta-feira em Rosário.

 

Fonte: Lance

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