Em clima de festa no Tricolor, Muricy volta a cobrar reforços para 2015

O São Paulo garantiu a segunda colocação no Brasileiro e a vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2015 com o empate diante do Figueirense, por 1 a 1, e a derrota do rival Corinthians, goleado por 5 a 2 pelo Fluminense. A alegria do Tricolor neste domingo, dia de festa pela despedida de Kaká do Morumbi, também teve o aniversariante Muricy Ramalho, que completou 59 anos. Por conta da data, o treinador ganhou um bolo surpresa, que gerou uma “guerra” generalizada iniciada por Kaká. Emprestado pelo Orlando City até 31 de dezembro, o ídolo fez seu último jogo na casa são-paulina.

Apesar do clima de festa, Muricy voltou a cobrar reforços para o São Paulo em 2015. O treinador fez uma retrospectiva do seu trabalho no clube desde quando chegou em 2013, quando tinha a missão de salvar a equipe do rebaixamento, passando pela reformulação feita nessa temporada até o atual momento.

– Não se consegue nada no futebol sem planejamento e muita organização. Por acaso não dá. A pergunta é o que nós queremos. No ano passado nós brigamos para não cair e nesse ano reformulamos, mas agora precisamos ganhar títulos. Então tem de trabalhar mais. E eu sou chato mesmo. Sei o que é isso. Conheço esse clube mais do que ninguém. Às vezes tem de conversar duro em grandes empresas para crescer. Agora temos uma base boa, mas a pergunta é: dá só com isso? Não dá. Precisamos ser realistas. Temos de caprichar muito nesse fim de ano. Sabemos as dificuldades. A diretoria está trabalhando. Não dá para trazer jogador mais ou menos. A camisa é muito pesada. Tem de trazer quem suporta. Como fizemos nesse ano: todos estão jogando, porque foi escolhido com critério. Então não temos o direito de errar – avisou.

Com o planejamento para 2015 em andamento, o Tricolor busca um zagueiro pela esquerda, um volante e um lateral-direito. Questionado sobre se o clube também precisa de um substituto para Kaká, Muricy lamentou principalmente a perda do bom ambiente gerado pelo meia no dia a dia.

– Como pessoa é impossível. Sinceramente é muito difícil, porque é um cara muito acima da média. Ele se entrega. Muitos jogadores cresceram com a chegada dele. É um exemplo de atleta. Com tudo o que tem e fez, chegava cedo e treinava muito, porque precisa disso. A parte física sempre foi o forte dele. É excepcional como pessoa. Sinceramente, estou há muitos anos nisso, e encontrar um cara que ganhou tudo o que ele venceu e ser desse jeito é difícil. No campo podemos achar uma outra maneira de jogar. Ele faz falta também como um cara que orienta em campo. O Rogério é o nosso capitão e líder, mas fica longe. E o Kaká fica perto dos jogadores. Ele sabe fazer isso. Substituir como caráter e pessoa é muito difícil. Como jogador é possível – finalizou.

Muricy Ramalho, São Paulo X figueirense (Foto: Marcos Ribolli)Muricy quer reforços para o São Paulo em 2015: “Trazer jogador mais ou menos não dá” (Foto: Marcos Ribolli)

Confira os principais trechos da entrevista de Muricy Ramalho:

Coisas melhores em 2015

– O Rogério nos conhecemos há muitos anos. Ele só resolveu renovar contrato porque começou a ter confiança nesse grupo, assim como a torcida. Agradeço o apoio antecipado da torcida, desde o ano passado, quando estávamos numa situação muito complicada. E eles estão conosco até hoje: apoiando e incentivando. Claro que é importante o time jogar bem, mas eles querem mesmo é um time comprometido e que se doa em campo. Esse time foi isso. O nosso ambiente é excelente. Como o Kaká falo aqui, da turma do baralho. Nem pelo baralho, mas para ficar junto chegavam mais cedo no clube para se encontrar. Muito diferente. Já vi times com grandes ídolos e jogadores sem resultado, porque o ambiente era ruim. Não sei se foi competência ou sorte, mas erramos muito pouco nas contratações. Mesmo com os que chegaram depois. Isso é fundamental no futebol brasileiro, em que você não pode errar pela parte financeira. Agora nesse fim de ano esperamos não errar, porque é fundamental nas contratações. A torcida comprou a ideia, e os jogadores também. Principalmente o nosso capitão, que voltou a ser feliz no segundo semestre. Queremos gente que quer ganhar. Somos muito parecidos. Quando não ganhamos, não comemos, nem dormimos. Não vivemos bem. A gente só vive de vitórias. A verdade é essa. Somos viciados nisso. O Kaká não dava para ficar mesmo, mas por isso torcemos bastante para o Rogério assinar o contrato.

Dificuldade substituir Kaká

– Como pessoa é impossível. Sinceramente é muito difícil, porque é um cara muito acima da média. Ele se entrega. Muitos jogadores cresceram com a chegada dele. É um exemplo de atleta. Com tudo o que tem e fez, chegava cedo e treinava muito, porque precisa disso. A parte física sempre foi o forte dele. É excepcional como pessoa. Sinceramente, estou há muitos anos nisso, e encontrar um cara que ganhou tudo o que ele venceu e ser desse jeito é difícil de ver. No campo podemos achar uma outra maneira de jogar. Ele faz falta também como um cara que orienta em campo. O Rogério é o nosso capitão e líder, mas fica longe. E o Kaká fica perto dos jogadores e sabe fazer isso. Substituir como caráter e pessoa é muito difícil. Como jogador é possível.

Jogo da última rodada antecipado

– Temos um problema que é o jogo marcado contra a imprensa. O calendário está formado (risos). Marcou tem de cumprir. Vai ser porrada em vocês de novo. O campo e o churrasco são nossos. Seria bom (antecipar). Se trouxesse mais para cá seria melhor ainda, mas acho que está em cima. Para nós seria ótimo, porque entrava de férias antes e todos nós estamos precisando. Esse segundo semestre foi muito duro e os jogadores foram muito cobrados. Claro que o ideal era ser campeão, mas só chegaram porque aguentaram muito e foram parceiros. Não foi fácil jogar o que jogamos: três jogos em uma semana. Seria legal, porque nosso time precisa descansar.

São Paulo na Libertadores 2015

– Não se consegue nada no futebol sem planejamento e muita organização. Por acaso não dá. Se não planejar, não dá. Fizemos um planejamento desde o ano passado. A primeira etapa, quando chegamos, era não pensar em nada. Atrasou demais, porque queríamos salvar o time. Seria o maior desastre da história desse time. A torcida ficaria com a autoestima lá embaixo. Seria ruim em todos os aspectos. Não aconteceu. Demos sorte. A verdade é essa, porque muitas coisas erradas foram feitas. O ambiente era horrível, com falta de comprometimento, mas conseguimos. A segunda etapa era a reformulação, que também foi muito dura. Se contratou muito. Havia jogadores que não eram usados e estavam insatisfeitos. Mas ganhavam bem, e nenhum time queria pagar isso. Entramos no Brasileiro reformulando, com gente insatisfeita. E quando reformulamos, também fomos atrás de jogadores que precisávamos. Se esse time estivesse desde o início, estaríamos brigando contra o Cruzeiro pau a pau. Perdemos muito no primeiro turno. Fizemos o time no meio da competição. Hoje está diferente, porque temos uma base. Precisamos de alguns jogadores mesmo. A pergunta é o que queremos. Ano passado brigamos para não cair, nesse ano reformulou, mas agora precisamos ganhar títulos. Então tem de trabalhar mais. E eu sou chato mesmo. Sei o que é isso. Conheço esse clube mais do que ninguém. Sou chato e as pessoas não gostam muito, mas é o jeito que tem de ser. Às vezes tem de conversar duro em grandes empresas. Agora temos uma base boa, mas a pergunta é: dá só com isso? Não dá. Precisamos ser realistas. Temos de caprichar muito nesse fim de ano. Sabemos as dificuldades. A diretoria está trabalhando. Não dá para trazer jogador mais ou menos. A camisa é muito pesada. Tem de trazer quem suporta. Como fizemos, todos estão jogando, porque foi escolhido com critério e como homens também. Então não temos o direito de errar.

 

Fonte: Globo Esporte

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