Dívida é maior que R$ 137 mi, mas SP projeta 2016 equilibrado

O presidente Carlos Miguel Aidar apresentou na última sexta-feira um programa de reforma de gestão com o objetivo de aliviar os problemas financeiros do São Paulo. Na ocasião, mudou de postura e disse que foi “induzido ao erro” ao afirmar durante meses que a dívida total do clube estava entre R$ 270 milhões e R$ 280 milhões, e apresentou o valor de R$ 137 milhões como correto da dívida total ao final de 2014. O valor real, porém, é maior do que o anunciado e atualmente, se contabilizado entre empréstimos bancários, impostos não pagos, obrigações da Timemania e débitos com fornecedores e empresários, ultrapassa R$ 240 milhões.

O valor de R$ 137 milhões anunciado como dívida total de 2014 não levou em conta dívidas operacionais e a Timemania, e resulta da subtração de R$ 13 milhões de disponibilidade de uma dívida bancária total de R$ 150 milhões. “É dívida financeira. Você sabe a data, ele [Aidar] estava analisando o semestre [de 2014]. Se você pega a dívida financeira, bancária, toda a dívida com instituições financeiras, é aquela mesmo”, disse o vice-presidente de administração e finanças, Osvaldo Vieira de Abreu, ao UOL Esporte. Ele comandou o departamento financeiro também na gestão Juvenal Juvêncio. A assessoria de comunicação do clube afirma que o cálculo de R$ 137 milhões só contempla a dívida bancária porque outros débitos já foram encaminhados em programas de refinanciamento e que estes valores são considerados “obrigações” e não dívida – especialistas contestam a interpretação (veja mais abaixo). O próprio clube incluiu a dívida da Timemania no passivo do balanço de 2014 como “obrigações tributárias parceladas”.

Em 2015, porém, o São Paulo aumentou o endividamento bancário, antes em R$ 150 milhões, porque recebeu um empréstimo do atual diretor de marketing Vinicius Pinotti para realizar o investimento na contratação do atacante argentino Ricardo Centurión. A operação custou cerca de R$ 14 milhões, e o empréstimo foi concedido com juros de mercado, na base de CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

Além disso, em 2015 o São Paulo deixou de pagar impostos como Cofins e PIS em meio à crise financeira que fez o clube dever até quatro meses de direitos de imagem para parte dos jogadores. Tal postura, encarada na ocasião como necessária, fez com que o São Paulo acumulasse nova dívida de R$ 30 milhões – Osvaldo Vieira de Abreu admitiu o valor há menos de um mês, em publicação doBlog do Rodrigo Mattos. A aposta do clube é resolver o novo débito com a sanção da Lei do Profut. O São Paulo também tem dívida de R$ 53 milhões a ser paga dentro do programa de refinanciamento da Timemania, que permite parcelamento de débitos como FGTS e INSS.

Até o início de agosto, o São Paulo contabilizava débitos de R$ 6 milhões com fornecedores. O clube também tem pendências com empresários de jogadores e investidores detentores de direitos econômicos. Tais débitos constituem a parte mais pesada da dívida operacional do clube atualmente – o São Paulo está usando parte dos R$ 24,3 milhões recebidos pela venda de Gabriel Boschilia para quitá-los.

Hoje o mais pesado para o São Paulo tem sido arcar com os pagamentos mensais de R$ 8 milhões a instituições bancárias entre amortizações e encargos. O clube, no entanto, tem empréstimos com vencimento entre o fim de 2015 e o início de 2016, e por isso acredita que estará equilibrado já no próximo ano. “Até o final do ano, vamos ter muitas baixas de dívidas com instituições bancárias. Um exemplo básico é o Polo Investimentos, do Rio de Janeiro”, diz o vice-financeiro do clube. “As coisas estão se ajustando, essa reestruturação de gestão está sendo implantada, e realmente o resultado disso demora. Até 2016 com certeza estaremos dentro do equilíbrio em continuando dessa maneira”, acrescenta.

O São Paulo ainda deposita grandes esperanças de alívio financeiro no fundo de investimento em direito creditório (FIDC), para refinanciar empréstimos de curto prazo com juros altos. “É aí que muda. O FIDC, o objetivo principal é você mudar o perfil da dívida, o que inclusive a gente já está fazendo. É você sair mais do curto prazo e passar para o longo prazo. Você tem duas grandes vantagens: o prazo, sai do curto e vai pro longo, você muda o perfil da dívida, e seus custos vão ser muito.

 

Fonte: Uol

5 comentários em “Dívida é maior que R$ 137 mi, mas SP projeta 2016 equilibrado

    • INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS

      Conta Corrente Garantida Circulante Não Circulante Total
      Banco Bradesco S.A. 15.208 15.208
      Banco Itaú S.A. 12.000 12.000
      Banco Rendimento S.A. 10.170 10.170
      Total 37.378 37.378

      Empr. Capital de Giro Vencimento Circulante Não Circulante Total
      Banco BMG S.A. mai-15 7.839 7.839
      Banco Tricury S.A. mar-15 1.206 1.206
      Banco Tricury S.A. dez-15 5.014 5.014
      BIC Banco jun-17 1.365 3.687 5.052
      Banco de Créd. e Varejo jan-16 8.182 703 8.885
      Banco de Créd.e Varejo jan-15 925 925
      Banco de Créd. dez-17 304 18.000 18.304
      Banco Bradesco nov-15 13.025 13.025
      Total 37.860 22.390 60.250

      Polo Clubes dez-17 11.348 36.724 48.072
      Fundo de Investimentos

      Algumas considerações:

      Conta Corrente Garantida: é como se fosse cheque especial. Não tem vencimento.

      Circulante: obrigações que vencem num prazo de até 365 dias do fim do período. Esses dados foram retirados do balanço de 2014, ou seja, posição contábil em 31/12/2014.
      Não circulante representa as obrigações com vencimentos após 365 dias.
      Ou seja, circulante vence até 31/12/2015, e Não Circulante vence após 31/12/2015.
      As já vencidas teoricamente já deveriam ter sido quitadas, mas podem ter sido renegociadas com um vencimento mais a frente.

      Esse é um retrato das nossas dívidas bancárias em 31/12/2014. O clube não divulga os seus números mensalmente, então não dá para dizer como estão agora, se sofreram acréscimo, se foram amortizadas ou se foram renegociadas com um prazo maior.

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