De saída, Kaká nunca brilhou tão pouco, mas fará falta ao São Paulo em 2015

Kaká se despediu do Morumbi neste domingo, e deve jogar apenas mais uma partida com a camisa do São Paulo: contra o Sport, pela última rodada. Aos 32 anos, defenderá o Orlando City, dos EUA, por três temporadas. Fazendo um balanço da provável última passagem do meia com a camisa tricolor, será que, pelo que produziu em campo, ele vai fazer falta?

É visível que a versão de Kaká que defendeu o São Paulo em 2014 é muito diferente da que encantou a Europa entre 2003 e 2008. Os números comprovam isso: apesar de meia, sempre foi goleador; sua produção ofensiva, entretanto, neste ano, foi a pior em toda sua carreira.

Na temporada, Kaká marcou três gols em 24 jogos – uma média de 0,12 gol/jogo. No Milan, onde viveu a melhor fase de sua carreira, entre 2003 e 2009 balançou as redes 95 vezes, em 270 partidas: 0,34 gol/jogo. A marca é similar a de sua primeira passagem no Morumbi, quando surgiu para o futebol.

No Real Madrid, já assolado por lesões, Kaká marcou 0,24 gol por partida – mesma marca que manteve em sua segunda passagem pelo Milan. No total, foram 33 gols em 157 jogos. O próprio jogador reconheceu que seus números já não mais os mesmos, mas, mesmo assim, disse acreditar que deixou um legado no clube.

“O que mais ficou, acho, é que futebol não é só bola. Meus números aqui ficam muito abaixo da maioria dos lugares que passei, o que agreguei foi outra coisa muito boa, e o São Paulo também agregou muito para mim”, disse.

A ovação da torcida do São Paulo neste domingo indica que Kaká está certo, assim como os lamentos do treinador Muricy Ramalho e do capitão Rogério Ceni sobre a saída do meia. Acima de tudo, os números mostram que de fato, o ídolo trouxe algo diferente ao Morumbi: com ele, o aproveitamento no Brasileirão foi de 67%, em 19 jogos; sem ele, 59%, em 18 jogos.

Profissionalismo e união do elenco são os fatores citados pelos seus companheiros para explicar a falta que Kaká irá fazer – não seus gols.

“Não tem substituto, como pessoa, é espetacular. Treina muito, faz falta também como um cara que orienta dentro de campo. Sabe fazer bem isso, substituir ele como pessoa, como caráter, é muito difícil. Como jogador, é possível”, disse Muricy Ramalho.

Rogério endossa o coro do treinador. “É o efeito para os jogadores que estão no elenco. O cara foi melhor do mundo, chega cedo, treina desse jeito. Isso cria um modelo a ser seguido”.

Dentro de campo, o São Paulo pode encontrar um substituto para Kaká – Michel Bastos, nas últimas partidas, vêm rendendo mais do que o camisa 8. Alguém com seu perfil, porém – experiência na Europa, títulos de melhor jogador do mundo e identificação com o clube – não existe no mercado.

Segundo todos que conviveram com ele, Kaká fará, sim, muita falta no clube em 2014. Pelo menos, a liderança de Rogério Ceni continuará por mais alguns meses, já que o goleiro disputará a Libertadores em 2015. Caberá a ele, então, garantir que seus companheiros não esqueçam o legado do camisa 8.

 

Fonte: Uol

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