Da solidão ao choro de alívio da mãe, joia celebra contrato com o São Paulo

O grandioso CFA Laudo Natel causou um choque na vida de Paulinho. O garoto chegou à casa das categorias de base do São Paulo aos 15 anos e feliz pelo passo dado no sonho em ser jogador de futebol, mas fragilizado pela despedida dos pais e da irmã. Do Distrito Federal, a família só poderia torcer de longe, até ser recompensada na última semana com um presente de Natal.

A surpresa veio por telefone, quando o atacante de 18 anos fez a mãe chorar com a notícia de que tinha assinado seu primeiro contrato profissional da carreira. No Tricolor Paulista, manterá os sonhos vivos pelo menos até dezembro de 2020, quando espera ter nome e cabeça prontos para voos tão altos quanto aquele que o tirou da região do Gama para viver em Cotia.

– Eu jogava em um time muito simples chamado PVM (Projeto Vida Melhor), na periferia de Brasília. Quando me mudei para São Paulo, senti falta das amizades, da família. Sempre fui muito apegado. O São Paulo me ajudou, me acolheu, com muitas conversas. Eles me deram forças. Ganhei confiança e sigo com saudade, mas é a vida, né? – refletiu Paulinho, ao LANCE!.

O Boia, como é conhecido por parentes e amigos, hoje trocou as lágrimas da solidão pelas do alívio. Chorou com a mãe Luiza ao telefone, vibrou com o pai Marcos e festejou com a irmã Luana. Alívio por uma vida mais segura e confortável para os familiares. Alívio pelo fim das dúvidas sobre o futuro, diante da demora para assinar o vínculo profissional com o São Paulo.

– Minha família esperava por isso há tempos. Apareceram propostas de fora, houve uma indefinição, mas eu sempre disse quer preferia ficar no São Paulo. Meu empresário (Luciano Couto) entendeu isso, que quero fazer história aqui. Não era a hora de sair. Quase não liguei para as propostas, embora tenha ficado feliz – disse, sobre as ofertas de Red Bull Salzburg (AUT) e Watford (ING).

Paulo Henrique - São Paulo
Paulinho foi eleito o melhor jogador da Al Kass Cup de 2015, disputada no Qatar. O Tricolor foi vice-campeão (Foto: Divulgação/Al Kass Cup)

Apesar da consciência sobre a falta de maturidade para se arriscar na Europa, a simplicidade da vida no Gama é mantida no riso fácil ao comentar os próximos passos no Tricolor. Em janeiro, deve participar pela primeira vez da Copa São Paulo de Juniores. Para ele, a maior chance da carreira. Então é bom Rogério Ceni dar um jeito de testá-lo entre os profissionais.

– Expectativa é de ir muito bem, fazer gols, ser artilheiro. Aí quem sabe o Rogério me chama (risos)! Não penso se vou jogar, só de ir ao profissional já estaria ótimo. Vi na entrevista que o Rogério quer usar a base, tanto que subiu sete caras, então acredito que também tenho chances de subir – confessou.

Confira bate-papo exclusivo com Paulinho:

Qual foi sua reação quando assinou o contrato profissional?
A primeira coisa que fiz foi ligar para minha mãe e para meu pai. Ela logo começou a chorar, porque foi uma conquista muito grande em nossas vidas. Dedico à minha irmã também, que participou de toda minha trajetória.

Em que função prefere atuar: aberto, como no sub-20, ou centralizado, como jogou nos tempos de sub-17?
Minha função de verdade é como ponta, como o André Jardine vinha me escalando na última temporada. Mas antes eu jogava como centroavante para ficar mais perto do gol e não cansar tanto marcando o lateral adversário. Eu precisava marcar o volante e ficar livre para atacar, era o pedido do técnico Orlando Ribeiro.

Por que diz que não está pronto para a Europa?
Eu quero fazer minha história no São Paulo primeiro, não é hora de sair. Se Deus quiser, vou chegar na Europa com o nome já feito. Agora não seria o momento, não teria como jogar muito, teria dificuldades em me adaptar. Ainda não me vejo pronto, de verdade.

Fonte: Lance

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