Contribuições de Kaká dentro e fora de campo já mudaram o São Paulo

Aos 32 anos, Kaká finalmente voltou ao São Paulo. O retorno ao clube de origem, tão sonhado por grande parte da torcida, aconteceu no momento em que parecia menos provável, logo depois da assinatura de contrato com o Orlando City, dos Estados Unidos, naquele que parecia o último passo da carreira do meia. A contribuição de Kaká, no entanto, é imediata, e acontece dentro e fora de campo: em pouco tempo, ele já causou diversas mudanças na forma do time jogar e no comportamento do elenco.

1. Meia que faz gols
Tão logo teve de falar sobre como armar o time com Kaká e Paulo Henrique Ganso lado a lado, o técnico Muricy Ramalho afirmou que a parceria renderia ajuda mútua. As características de cada um e a partida contra o Vitória, no último domingo, dão razão ao técnico. A entrada de Kaká deslocou Ganso ao lado direito do campo, mas por dentro, e não na ponta. O ex-santista fez bom jogo, tentou diversas assistências e conseguiu passe milimétrico para o primeiro gol, de Alexandre Pato. Com Kaká, Ganso não precisa ser cobrado para fazer algo que não tem facilidade de executar: entrar na grande área adversária e finalizar. Kaká entra e finaliza por ele, o time ganha um jogador além dos dois atacantes para fazer gols, como aconteceu na estreia pelo São Paulo, contra o Goiás, no Serra Dourada.

2. A braçadeira
O estranhamento foi geral quando Kaká entrou no gramado do Morumbi, no último domingo, com a braçadeira de capitão. A primeira reação de quem viu a cena foi se perguntar se Rogério Ceni, aos 41 anos, desfalcaria a equipe de última hora. Mas não. O goleiro decidiu presentear o meia com a faixa em sua reestreia no Morumbi, como um sinal de lhe dar autonomia para dividir a liderança em campo. Ceni se aposentará no fim do ano e ainda não deu a faixa para que outros jogadores a usem, como sinal de preparação do novo capitão para 2015. O goleiro mostra que neste momento é mais importante ter Kaká como líder – fica só até o fim de 2014 – do que preparar alguém para usar a faixa após sua aposentadoria.

3. Tutor de Pato
Kaká era o melhor jogador do mundo quando conheceu Alexandre Pato, com 18 anos, em 2007. Por anos, a dupla dividiu vestiários do Milan, na Itália, e da seleção brasileira. Tanto no Corinthians como no São Paulo, Alexandre Pato mostrou-se ligeiramente tímido nas relações com os novos companheiros ao voltar para o Brasil, e nas duas equipes ficou mais próximo dos jogadores mais jovens dos elencos. A volta de Kaká ao São Paulo fez com que a convivência de Pato mudasse. Agora os dois convivem juntos e dividem atividades no dia a dia no CT da Barra Funda. E, segundo os próprios companheiros, isso fez com que Pato mudasse o próprio comportamento. O volante Souza falou sobre o assunto na segunda-feira: “Posso estar errado, mas a chegada do Kaká ajudou bastante o Pato. Incentivo, companheirismo, Kaká está sempre conversando com ele. Contra o Criciúma ele criou as oportunidades, infelizmente pecou na finalização. Ontem a bola entrou. Deu um pouco mais de tranquilidade para ele também. Ontem vi o Pato ajudando na marcação, não perdeu a bola. Isso é não só o que Muricy e a diretoria esperam dele, mas a nação brasileira também. Ele é um jogador de seleção. Dentro de campo, infelizmente, não estava conseguindo dar sequência. É o que Muricy falou, jogando o que ele vem jogando é impossível tirar ele do time”.

4. Conhecimento tático
Muricy Ramalho teve problemas para montar o São Paulo com Ademilson e Osvaldo nas pontas, e ainda mais quando tentou fazer Alexandre Pato desempenhar a função de ponta, tendo que marcar o lateral adversário e tomando ainda mais cuidado para não perder a bola. Com Kaká, ganhou um jogador que entende como a equipe deve funcionar taticamente. “Ontem (domingo) mesmo, nas bolas que a gente falhou ali atrás, ele atravessava o campo, dava uma dura e reclamava”, contou Souza, também. Kaká também torna mais fácil executar a formação em algo próximo do 4-2-3-1 sem que os atacantes – Pato, principalmente – tenham que exercer tão rigorosa marcação ofensiva. Ele compensa no meio de campo, buscando bolas na mesma linha em que Souza atua como segundo volante.

5. Bilheteria
O São Paulo disputa com o Corinthians o topo do ranking de maior público acumulado no Brasileirão. E Kaká é o grande responsável, hoje, por levar torcida ao Morumbi. Antes do anúncio do retorno do meia, o maior público registrado pelo São Paulo havia sido contra o Coritiba, na terceira rodada, com 31.888 pessoas. Na primeira partida depois de seu anúncio, contra a Chapecoense, 42.979 pessoas foram ao Morumbi. Na partida em que ele faria a estreia – adiada por lesão –, contra o Criciúma, 46.512 estiveram presentes. Neste domingo, na reestreia no Morumbi, em pleno Dia dos Pais, 29.202 foram ao estádio.

 

Fonte: Uol

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