Conselheiros de oposição pedem expulsão de vice do São Paulo

O Conselho Deliberativo do São Paulo recebeu na última segunda-feira um pedido para expulsar do quadro de conselheiros do clube o vice de comunicação e marketing, José Francisco Manssur, por conta das notas fiscais emitidas pelo seu escritório de advocacia com cobranças que iam de entrevistas a emissoras de TV a reuniões e viagens ao exterior enquanto o cartola era assessor voluntário da presidência tricolor.

As notas foram reveladas com exclusividade pelo ESPN.com.br no fim de outubro, quando a reportagem teve acesso a nove faturas do escritório de Manssur ao São Paulo de um período entre abril de 2012 e setembro de 2013.

Na documentação, o escritório emitiu faturas de R$ 933 mil por serviços prestados ao clube, sendo que pelo menos R$ 321 mil do montante seriam honorários de atividades realizadas pelo dirigente, na época assessor voluntário da presidência de Juvenal Juvêncio.

A representação encaminhada agora ao conselho tricolor foi aberta pelos conselheiros Erovan Tadeu da Silva Carmo, Danilo Decoussau e Antônio Donizetti, conhecido no clube como Dedé, e é datada do dia 29 de novembro de 2016.

“Entramos com essa representação no Conselho Deliberativo pedindo uma punição máxima e exemplar. Há dois anos o Erovan e o Tadeu entraram com uma ação pedindo para ter conhecimento sobres os gastos com a empresa AMVO, pois desconfiaram de desmandos. Eu recentemente tomei conhecimento sobre os relatórios e notas de serviços dessa prestação imoral que o senhor Mansur fez ao SPFC durante seis anos. E descobri pelas notas tão escondidas que ele nunca quis apresentar de livre espontânea vontade que de voluntário não tinha nada: ele cobrava por qualquer serviço que até uma secretaria poderia fazer”, disse o conselheiro Antônio Donizetti ao ESPN.com.br.

Na representação, os conselheiros pedem esclarecimentos, como o fato de que o escritório de Manssur tenha faturado em torno de R$ 8 milhões somente com o clube.

Também pedem a apuração dos casos citados para saber “se houve infração ao estatuto do São Paulo, à legalidade e aos princípios da moralidade, ética e transparência, com eventual cobrança de horas em excesso e sob a natureza estatutária, conflito danoso de interesses, cuja ocorrência deve impor a eliminação do seu autor dos quadros do Conselho Deliberativo, órgão soberano do clube”, segundo diz a documentação, recebida em mãos pelo ESPN.com.br.

Ao ser consultado pela reportagem, Manssur respondeu por meio da assessoria de imprensa de seu escritório de advocacia que o “único objetivo dessa representação é político” e disse também que os conselheiros autores do requerimento “possuem, há um ano, acesso às notas e contratos do escritório do qual ele [Manssur] é associado, sua declaração de Imposto de Renda desde 2008 e seus extratos bancários, por conta de outras acusações nefastas feitas contra ele”.

“As ‘dúvidas que precisam ser minuciosamente esclarecidas’, como diz o requerimento, já foram minuciosamente esclarecidas, exaustivamente, ao Conselho Deliberativo, e consequentemente aos mesmos solicitantes, ao Ministério Público, por iniciativa exclusiva de Manssur, e até a esta ESPN.com.” (confira toda a resposta ao final deste texto).

A reportagem também procurou os presidentes do conselho deliberativo e da comissão de ética, órgãos internos do São Paulo, que terão de apreciar o requerimento. Entre os questionamentos, eles foram indagados se Manssur poderia ser investigado no clube por um caso ocorrido quando ele ainda não fazia parte do quadro de conselheiros.

Ambos os presidentes fizeram questão de deixar claro que estavam respondendo o assunto apenas tecnicamente, pois ainda não tinham conhecimento da representação dos conselheiros e que só poderiam ter uma posição melhor após apreciarem o documento.

“Como qualquer outro requerimento, esse tem de sofrer um crivo de apreciação do presidente do Conselho Deliberativo. O presidente do Conselho é que vai dizer se o caso prossegue ou não. Isso é competência dele. Se ele mandar para a Comissão de Ética, significa que ele deferiu o processo. Se ele não mandar, é porque ele indeferiu. Mesmo não sendo conselheiro no período, o caso pode ser apreciado pelo Conselho de Ética. Nada impede”, definiu o presidente da Comissão de Ética, José Roberto Ópice Blum.

“Todas as análises de admissibilidade de qualquer processo disciplinar são feitos pela Comissão de Ética. É essa Comissão que analisa o caso e define se abrirá um processo disciplinar ou não. Reitero que não tive acesso à representação e não gostaria de emitir opinião sem ter ciência”, declarou o presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Pupo.

Relação com empresário

Outras questões também são questionadas na representação do dia 29 de novembro, como a relação com o empresário Eduardo Uram, que já foi motivo de polêmica no São Paulo anteriormente, conforme também foi noticiado pelo ESPN.com.br.

Em dezembro do ano passado, um conselheiro fez um requerimento para que o clube investigasse se houve alguma relação entre o escritório no qual trabalhava José Francisco Manssur, conselheiro e vice-presidente de Comunicação e Marketing, Gustavo Vieira de Oliveira, filho do ex-jogador Sócrates e então diretor executivo do clube, com o empresário Eduardo Uram.

Na ocasião, o ex-presidente Carlos Miguel Aidar deu uma entrevista ao jornal “Diário de S.Paulo” na qual acusou o São Paulo de pagar R$ 9,5 milhões ao Tombonse, clube mineiro que o cartola chamou de “barriga de aluguel” de Uram, nos últimos três meses da gestão de Juvenal Juvêncio, em 2014.

Também na ocasião, Manssur se defendeu por meio de sua assessoria de imprensa e afirmou que o requerimento citado não foi apresentado por um conselheiro, mas sim por um sócio. Acrescentou que o sócio em questão (sem nomeá-lo) já havia tentado se candidatar ao conselho, mas o pedido foi impugnado pelo departamento jurídico tricolor – na época, dirigido por Manssur.

Na representação de agora, assinada pelos três conselheiros citados acima, é lembrada essa relação entre o escritório de Manssur e Eduardo Uram.

Ameaças e discussão

Existe uma representação contra Manssur nas mãos da Comissão de Ética do São Paulo. E também aberta pelo conselheiro Antônio Donizetti.

O ESPN.com.br revelou o caso em setembro, quando Dedé, acusou o atual vice de comunicação e marketing de ter entregue informações pessoais dele para a torcida Independente. O conselheiro fez um boletim de ocorrência.

Manssur, por sua vez, se disse inocente, negou ter feito qualquer coisa, colocou seu celular à disposição para esclarecer os fatos e prometeu ir à Justiça. No mesmo dia em que a reportagem foi publicada, os dois bateram boca de forma áspera durante reunião do Conselho Deliberativo tricolor.

Outro lado

“Sobre a representação com pedido de abertura de investigação no Conselho Deliberativo do São Paulo FC, o advogado José Francisco Manssur tem o seguinte a declarar:

1) É evidente que o único objetivo dessa representação é político e faz parte de um mais um factoide pré-eleitoral para atacar a gestão Carlos Augusto Barros e Silva, do qual Manssur é vice. Os autores do citado requerimento possuem, HÁ UM ANO, acesso às notas e contratos do escritório do qual ele é associado, sua declaração de Imposto de Renda desde 2008 e seus extratos bancários, por conta de outras acusações nefastas feitas contra ele no mesmo CD;

2) As levianas insinuações políticas dessa solicitação servem como tentativa de ataque à imagem do conselheiro Manssur, com a mesma ladainha de sempre, pela sua forte atuação no processo que resultou na renúncia e expulsão do ex-presidente Carlos Miguel Aidar. Os conselheiros que assinam esse documento já tiveram totais condições e oportunidades de investigar a vida de Manssur e sua relação com o clube e NADA encontraram que deponha contra a lisura de seus atos;

3) As “dúvidas que precisam ser minuciosamente esclarecidas”, como diz o requerimento, JÁ FORAM “minuciosamente esclarecidas”, exaustivamente, ao Conselho Deliberativo, e consequentemente aos mesmos solicitantes, ao Ministério Público, por iniciativa exclusiva de Manssur, e até a esta ESPN.com;

4) O advogado reafirma, mesmo que já o tenha feito a todos os poderes do São Paulo Futebol Clube, que TODOS os documentos necessários para QUALQUER investigação sobre sua pessoa estão disponíveis para as comissões do CD Tricolor.

5) A repetição das MESMAS PERGUNTAS, reitera Manssur, JÁ RESPONDIDAS, não atende a outra missão que não buscar novas reportagens com a criação de factoides que o coloquem como investigado no SPFC. O advogado entende e respeito profundamente o trabalho de todo os veículos de comunicação no direito de reportarem fatos que acontecem no clube. De qualquer forma, Manssur lamenta que, por conta desse direito irrevogável, ainda que apenas no cumprimento de sua função, acabem se transformando em ferramentas para os levianos fins de terceiros, cujas inconfessáveis intenções são todas, menos defender a instituição.

6) Consta em ata de reunião ocorrida no conselho deliberativo do São Paulo, em 15 de dezembro de 2015, que o conselheiro Manssur colocou à disposição do órgão todos os documentos exigidos em representação do então sócio José Marcelo Previtalli Nascimento. O texto da ata diz: ‘O conselheiro José Francisco Cimino Manssur solicitou a palavra pela ordem, solicitando a oportunidade de se manifestar naquele momento e não no último item. Iniciou lembrando da época em que o Delegado Previtalli pretendeu abrir loja São Paulo Mania, mesma oportunidade que negociava a abertura da loja Poderoso Timão, razão pela qual as tratativas não prosperaram. Com vasto material a apresentar, dispôs de notas de honorários da AMVO, contratos da AMVO; requereu expressamente que tudo fosse objeto de auditoria. Disponibilizou também suas declarações de impostos de renda desde 2008, para que tudo seja passado a limpo. Informou que tinha conta no Banco Bradesco, agência da Av. Angélica e seu sigilo bancário poderia ser quebrado a qualquer tempo’.

 

Fonte: ESPN

 

Nota do PP: recebi alguns e-mails questionando a razão de o Tricolornaweb não ter entrado nessa questão até agora. Deixo claro que não foi por desconhecimento, mas por ter uma interpretação diferente da que os conselheiros da oposição tentaram mostrar – aliás, como deve fazer uma oposição -. Mas  verifiquei as notas que foram emitidas e todas elas foram anteriores a abril de 2014, quando José Francisco Manssur se elegeu conselheiro. Portanto, se os preços foram elevados ou não, o problema é de quem o contratou. No caso, Juvenal Juvêncio, que poderia ter zelado um pouco mais pelas finanças do São Paulo, evitando esse gasto, para mim, excessivo. Mas não vejo qualquer fato que leve à punição de Manssur, até porque, repito, essas notas todas são anteriores à sua eleição para o Conselho Deliberativo.

2 comentários em “Conselheiros de oposição pedem expulsão de vice do São Paulo

  1. Kkkkkk

    Você é um fanfarrão senhor PP!!

    Não noticiou porque nao concorda? Então você filtra as noticias que lhe são convenientes???

    Que espécie de jornalista é você?

    O que desta postura você acha que beneficia o clube?

    • Cidadão, minhas denúncias são fundadas. Quando algo é plantado, tendencioso ou não corresponde com a verdade, o Tricolornaweb não noticia. Simples assim. Por isso alcançamos a credibilidade que temos.

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