Com viagem a São Paulo, família de Negueba revela angústia do atacante

Guilherme Ferreira Pinto, o Negueba, viu no fim da tarde de sábado a chance de um feliz 2013 se transformar em pesadelo.

Na sexta-feira, ele foi apresentado no CFA de Cotia em meio à pré-temporada, vestiu pela primeira vez a camisa do São Paulo e mostrou entusiasmo com a chance no novo clube. No dia seguinte, durante o treino, sofreu um entorse no joelho direito, rompeu o ligamento cruzado anterior e descobriu que ficará afastado dos campos por pelo menos seis meses. A cirurgia, primeira da vida do garoto de 20 anos, é o que mais o desespera.

– Ele ficou muito chateado, ficou preocupado. Quando falaram em cirurgia, ele entrou em desespero. Falei com ele no sábado e hoje (domingo), agora ele está um pouco mais calmo – conta a mãe Tereza, que conversou ontem com o LANCE!Net após o pai, Carlos, dizer educadamente que não conseguiria dar entrevista por estar muito chateado.

O desespero de Negueba é por conta da cirurgia e também pela inesperada chance que pode ter evaporado. Em 2012, ele teve péssimo ano no Flamengo, com algumas chances, mas perseguição da torcida. No fim do ano, a negociação envolvendo Cleber Santana com o clube carioca resultou de maneira inesperada no empréstimo de Negueba ao São Paulo – a pedido do técnico Ney Franco, com quem trabalhou na Seleção Brasileira sub-20.

Apresentado pelo São Paulo na sexta-feira, Negueba elogiou a estrutura e até a alimentação oferecida pelo Tricolor, e comparou as instalações do novo clube, com o qual assinou contrato de empréstimo por um ano, às de clubes europeus. No sábado de manhã, sorriu e recebeu as primeiras brincadeiras de Luis Fabiano e Cortez. O diagnóstico da lesão que aconteceu na tarde de sábado só veio à tona ontem porque a atividade foi fechada para a imprensa.

Ainda na noite de sábado, porém, Negueba conversou com a família, já sabendo que teria de fazer cirurgia. Como o filho ficará sem atuar no primeiro semestre, os pais, que moram no Rio de Janeiro, vão se mobilizar para que estejam em São Paulo pelo menos nos próximos três meses, enquanto o jovem estará com a mobilidade comprometida. A família viaja nesta segunda à capital paulista.

– A gente não está entendendo, foi tão rápido. Não estamos acreditando no que aconteceu. Ele próprio não acredita. Vamos nos revezar, eu, meu marido e meu enteado, para ficar em uma casa em São Paulo com ele – acrescentou Tereza.

Negueba sofreu a entorse no joelho direito com a bola nos pés, em coletivo em campo reduzido, sem contato com outro jogador. No São Paulo, ele começaria o ano longe da disputa por vaga no time titular, mas teria no Paulistão – competição que não vai mais disputar – a principal chance de jogar e mostrar valor.

Para o atacante, 2013 só começará em julho. Até lá, ele sabe que terá o apoio integral da família e do novo clube, pelo qual ainda espera jogar.

Com a palavra, José Sanchez
Médico do São Paulo, em entrevista coletiva no domingo, no CFA de Cotia

Ele teve uma lesão de cruzado anterior, nesse caso o prazo de retorno é em torno de seis meses. Depende da evolução, depende do paciente. Tem a expectativa para que seja nesse prazo de seis meses. A gente tentará trabalhar para que isso se reduza em 15 dias, um mês. Ele está chateado, já conversamos com ele, com o Runco (médico do Flamengo). Negueba falou com o pai, está aparentemente bem. Costumamos esperar alguns dias para esfriar o processo da entorse. Como é uma cirurgia que tem uma fase artroscópica, ele vai trabalhar. Há possibilidade de, no final da próxima semana, ele fazer o procedimento cirúrgico.

Wellington tranquiliza e dá apoio ao atacante

O volante Wellington prestou apoio ao atacante Negueba, após a lesão do jovem. Aos 21 anos, o volante, que passou por duas cirurgias  no joelho esquerdo, tranquilizou o novo reforço da equipe.

Em 2010, durante treinamento pela Seleção sub-19, Wellington sofreu uma torção no joelho esquerdo e teve de ficar parado por oito meses. Já no ano passado, em fevereiro, no CT da Barra Funda, em lance isolado, o volante sofreu uma entorse no joelho esquerdo.

Agora, Wellington presta apoio. O jogador passa palavras para que Negueba seja forte, siga as orientações médicas, pois pode retornar e ter alto rendimento nas atuações.

Durante os três primeiros dias de pré-temporada, Negueba sempre andou ao lado de Wellington. Nas corridas e no Reffis, o atacante conversou bastante com o volante e se manteve perto do camisa 5.

Outro fator que anima Negueba é a rápida evolução de Wellington. Após seis meses, o volante já estava treinando com bola, junto com o grupo. Depois, entrou gradativamente na equipe e terminou o ano como um dos pilares do time. Agora, Negueba tem o “espelho” para auxiliá-lo na recuperação.

Fonte: Lance

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