Ceni deu parabéns a atletas em sua única Libertadores como ‘torcedor’

O São Paulo já comemorava o título da Taça Libertadores de 1992 no vestiário, após a invasão de milhares de pessoas no gramado, quando um jovem tímido de 19 anos passou por dirigentes extasiados e gotas de champanhe que voavam por todo lado para dar parabéns aos jogadores.

Esse jovem se chamava Rogério Ceni. Goleiro da equipe de juniores do Tricolor, ele assistiu à final contra o Newell’s Old Boys (ARG) no anel intermediário do Morumbi, exatamente atrás do gol onde Zetti defendeu a cobrança de pênalti do zagueiro Gamboa. Um privilégio, principalmente para quem não precisou nem comprar ingresso e muito menos enfrentar trânsito e fila para chegar ao local.

Naquela época, assim como todos os garotos das categorias de base, Rogério morava nos alojamentos dentro do Morumbi.  No dia 17 de junho de 1992, matou aula, como fazia nos jogos mais importantes – desde que não houvesse prova, faz questão de ressaltar -, para torcer e presenciar o momento histórico do primeiro título da Libertadores.

– Para a gente era muito fácil chegar. Morávamos no alojamento perto do portão 17, ali de frente para a Avenida Giovanni Gronchi. Ficava perto do elevador. Era só mostrar a carteirinha do clube e subir para ver o jogo. Naquela noite tivemos de chegar cedo para conseguir lugar – relembra o goleiro, 20 anos depois.

Aquela foi a única das três Libertadores conquistadas pelo São Paulo que não rendeu medalha a Rogério Ceni. Ele não estava inscrito. Os três goleiros principais eram Zetti, Alexandre e Marcos. Ainda jovem, vindo do pequeno Sinop-MT havia quase dois anos, Rogério treinava esporadicamente com os profissionais no CT da Barra Funda.

Seu momento de maior “importância” era quando defendia a equipe de aspirantes em jogos preliminares dos profissionais. Sua função era ser “informante” de Zetti. Ele dizia se a grama estava alta ou baixa, seca ou molhada, se havia buracos na área… As visitas no vestiário eram frequentes, mas, naquela noite, Ceni não falou com ninguém.

– Nem dava para falar. Era só parabéns. Uma festa total, uma gritaria, e eu ainda não tinha tanto contato, era extremamente tímido. Mas foi um momento marcante.

O público da final contra o Newell’s Old Boys, cerca de 105 mil pagantes, foi o maior que o atual goleiro viu pessoalmente no Morumbi. A explosão de alegria na defesa do amigo Zetti deixou Rogério impressionado. E deu início à sua paixão pela Libertadores.

Em 1993, após a morte do goleiro Alexandre num acidente de carro, ele já se revezava no banco e fez parte do grupo bicampeão. No ano seguinte, já fixo na condição de reserva imediato, viveu a frustração do vice-campeonato na derrota para o Vélez (ARG).

– Eu pensei: “Puxa vida, será que nunca vou viver aquilo como jogador?” Aquela invasão de campo foi uma coisa diferente, não existe mais hoje em dia. Tinha tanta gente no gramado quanto na arquibancada – destaca Rogério.

A realização do sonho veio em 2005. Titular, capitão, artilheiro do time no torneio com cinco gols e maior ídolo da torcida, Ceni ergueu o tricampeonato da Libertadores no Morumbi após vitória por 4 a 0 sobre o Atlético-PR. Apesar da grande atuação no Mundial contra o Liverpool (ING), considera o título sul-americano o mais “legal” no São Paulo.

Fruto de uma obsessão pela Libertadores, que acomete jogadores, dirigentes e torcedores da equipe do Morumbi. E que teve início em 1992, quando o atual camisa 01 era somente mais um dos milhares de torcedores na arquibancada.

– A partir daquele ano, todos passaram a ver a Libertadores de modo diferente. Isso se acentuou no bicampeonato, em 93. Eram jogos difíceis, havia rivalidade, é um título muito gostoso de se conquistar e tudo isso ficou ainda maior depois de 1992.

 

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