Caso Ricardinho: São Paulo faz acordo para pagar R$ 30 milhões até 2023

O São Paulo fez um acordo para pagar R$ 30 milhões às empresas RES Empreendimentos e Participações e Time Traveller Turismo. O valor é de uma dívida pela contratação do meia Ricardinho do rival Corinthians em 2002, e será diluído ao longo dos próximos quatro anos, com pagamentos até o final de 2023. O acerto deve ser oficializado até o final da semana, e afastará o risco de bloqueio integral de R$ 35 milhões nas contas do clube, o que poderia comprometer seu dia a dia.

As negociações incluíram mais de dez horas de reuniões no Morumbi entre representantes das empresas e dirigentes do São Paulo, conduzidas pelo diretor jurídico Leonardo Serafim. Procurado pela reportagem, Serafim afirmou que não irá se pronunciar sobre o caso, ainda não finalizado na esfera judicial.

O UOL Esporte apurou que o São Paulo pagará os R$ 30 milhões em uma entrada de R$ 200 mil e mais 46 parcelas mensais, começando a partir de março de 2020. As 36 primeiras parcelas terão o valor de R$ 685 mil cada, com as dez últimas caindo para R$ 514 mil.

O atual mandato do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, termina em dezembro de 2020. Isso significa que o clube terminará os pagamentos no final do mandato do eventual sucessor de Leco, em dezembro de 2023.

As empresas adquiriram o crédito de investidores que ajudaram na contratação do jogador do rival alvinegro em 2002. A ação judicial contra o São Paulo começou em 2004 – o valor da causa era de R$ 5 milhões, mas foi crescendo com juros enquanto o clube se defendia. Atualmente, a execução poderia chegar a R$ 35 milhões.

As empresas foram vitoriosas em primeira instância, mas o São Paulo conseguiu reverter a decisão. O Superior Tribunal de Justiça, entretanto, voltou a reconhecer a validade de dívida. Sem a possibilidade de novos recursos, o processo passou à etapa de cobrança – já não era mais possível para o clube discutir o mérito.

No último dia 18, a Justiça decidiu rejeitar os documentos oferecidos pelo São Paulo como garantia. Na prática, isso deixou o clube na iminência de ter o valor integral bloqueado diretamente em suas contas bancárias, o que colocaria em risco o pagamento de salários, contas e despesas do dia a dia. Diante do cenário, a direção são-paulina e as empresas começaram as negociações e pediram a suspensão da ação para tentar um acordo.

Uma das contratações mais midiáticas da época, Ricardinho não teve a trajetória esperada no São Paulo, e permaneceu no Morumbi apenas até 2004, quando se transferiu para o Middlesborough, da Inglaterra.

 

Fonte: Uol

12 comentários em “Caso Ricardinho: São Paulo faz acordo para pagar R$ 30 milhões até 2023

    • Acrescente-se aos negócios estranhos com o DNA do Leco, o caso do pagamento de comissão referente a contratação do jogador Jorginho Paulista, que também gerou prejuízo ao clube.

  1. Mais uma para o “anedotário” Tricolor. Pagar 30 milhões por um cara meia-boca e que pouco vestiu nossas cores. Um salve para nossos Dps. Jurídicos jejunos, nomeados em todas essas catastróficas gestões.

  2. Vamos dar nomes aos bois: o presidente do São Paulo na época da contratação do Ricardinho era o Marcelo Portugal Gouvêa.
    O diretor de futebol era o Juvenal Juvêncio.
    Então, o problema é dessa mesma administração, pois o Leco faz parte do mesmo grupo político do qual o JJ fazia parte.
    Sem dúvida, o erro está no fato do clube não ter pago antes, mas vale ressaltar que o clube venceu na segunda instância e perdeu no STJ. Ninguém em sã consciência faria provisão do valor depois de ter ganho em segunda instância.

    • Caro Adelino, você se equivocou. Foi o Leco quem contratou o Ricardinho; Juvenal assumiu como diretor de futebol após ele na gestão do Marcelo Portugal Gouveia.

      • Você está certo. Eu falei errado. JJ só assumiu a diretoria de futebol em 2003. Mas já foi o JJ quem autorizou dispensa dele no final de 2003, sendo que existia uma cláusula contratual em que o clube teria que indenizar os investidores da contratação do jogador em 35% do valor de uma eventual venda. Ou seja, mesmo que não fosse uma venda, de fato (estranhamente o jogador apareceu no Santos alguns meses depois), o clube precisaria, no mínimo, da anuência formal desses investidores, que esperavam faturar com a venda dele, antes dispensá-lo.
        A partir da reclamação dos investidores quanto à dispensa sem custos, vai o presidente do clube e manda uma carta aos investidores informando que os ressarciria  em US$ 1,5 milhão caso vendesse o atacante Luis Fabiano até o fim de agosto 2005. E se não conseguisse, o clube devolveria o valor corrigido pelo IGPM.
        Para piorar a história, logo em seguida o clube muda o entendimento e envia uma carta aos investidores dizendo que não pagaria nada. 
        Com isso, o São Paulo foi deixando uma série provas na “cena do crime” e contra pessoas que estão mais do que acostumadas a resolver seus problemas nos tribunais com bons e caros advogados.

  3. E você que é Sócio Torcedor paga para cobrir o prejuízo causado por essas gestões bizarras. Parabéns aos envolvidos! Não é de se estranhar que o clube esteja numa situação financeira calamitosa. Imagine se virar uma S.A.? Em menos de uma década entrarão com pedido de falência.

  4. Infelizmente essa é a cara dos gestores brasileiros, quando não deixam a dívida para o setor público o fazem prejudicando a entidade privada, ou seja, para as empresas, que entram em recuperação judicial ou quebram! Os espertalhões prejudicaram a vida de todos os seus funcionários, pois espertamente já haviam desviado grande parte do seu patrimônio em beneficio próprio, e pasmem, voltam com um novo CNPJ.

  5. Não advogo por lado A ou lado B… mas nesse caso é um conflito de 2004 que teve desfecho em 2019, que poderia muito bem ter esse desfecho em 2021 e a bomba cair no colo do próximo presidente. Neste caso culpar a atual diretoria seria irresponsabilidade.

    Quem fechou o acordo? se estava errado porque quis dar uma de esperto e não quitou quando estava em 5Mi a dívida? esse é o questionamento.

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