Bastidores: entenda como São Paulo e Rogério Ceni articularam o retorno

10 de agosto – 16h – Reunião com Rogério Ceni.

O São Paulo estava sem técnico, sendo comandado interinamente por André Jardine, do sub-20, quando o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva marcou um encontro em sua agenda. Ele receberia, em sua sala no Morumbi, um velho conhecido. O ex-goleiro, maior vencedor da história tricolor, pediu uma conversa para dizer: “Eu quero ser técnico do São Paulo”.

Rogério Ceni seria apresentado nesta terça-feira, às 12h, no CT da Barra Funda, mas o São Paulo decidiu cancelar o evento em virtude do acidente aéreo com a delegação da Chapecoense na chegada à Colômbia.

Uma semente plantada foi no bate-papo com Leco há 111 dias. Não era a intenção de Ceni assumir em agosto, naquele momento em que a diretoria buscava um substituto para Edgardo Bauza, contratado pela seleção argentina. Ele queria revelar ao presidente que estava se preparando para ser técnico do São Paulo, a partir de janeiro. De 2017, 2018… Seu projeto, sua ideia, tinha como condição iniciar junto com uma temporada.

O encontro foi intermediado por Vinícius Pinotti, diretor de marketing de quem Ceni se aproximou no planejamento de sua despedida, há um ano, no Morumbi.

Em 90 minutos – mera coincidência –, Rogério falou a Leco sobre suas ideias de futebol. Disse que havia decidido tentar a carreira no banco de reservas e iria, a partir de então, se aprimorar. À época, os estudos ainda eram prematuros. Mas oito dias depois – e isso não é coincidência –, ele se matriculou no curso da Federação Inglesa e marcou visitas a treinadores estrangeiros.

Na ocasião, Leco aproveitou para perguntar a Ceni sua opinião sobre Ricardo Gomes, que estava em negociação avançada para substituir Bauza no São Paulo. O ex-goleiro, comandado por Gomes entre 2009 e 2010, aprovou. Disse que era um dos técnicos por quem ele tinha muito respeito. Três dias depois, 13 de agosto, Gomes foi anunciado.

Havia até quem sugerisse, no clube, que Rogério iniciasse sua carreira ao lado de Ricardo Gomes, ou de Paulo Autuori, seu preferido entre todos com quem trabalhou.

A conversa foi marcada por ideias e lembranças. Por mais de uma vez, surgiram exemplos de jogadas ou momentos dos quais Ceni havia participado como jogador. Leco ficou bem impressionado com o conhecimento, mas, evidentemente, em dúvida sobre qual seria o momento ideal para contratar o ídolo como técnico. Ou até mesmo se esse momento chegaria.

Os cursos, conversas e estágios de Rogério na Europa, como por exemplo a semana que passou com seu principal inspirador, o argentino Jorge Sampaoli, no Sevilla, sempre chegaram a Leco. Em nenhum momento o presidente deixou de saber o que o ex-jogador estava fazendo.

Não era intenção abrir mão de Ricardo Gomes no fim deste ano. Ele não foi contratado como um tampão até dezembro, antes que Ceni assumisse. Mas os maus resultados e, principalmente, o mau futebol da equipe em muitas rodadas do Campeonato Brasileiro apressaram o processo. Nada causou mais irritação na diretoria do que a entrada de Carlinhos no empate por 1 a 1 com o Grêmio, dia 17, no Morumbi.

Leco e Ceni fizeram contato, e o acerto foi rapidíssimo. Em 2017, o Tricolor estará sob o comando de seu maior ídolo. À espera de dias melhores.

 

Fonte: Globo Esporte

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