As sete pedras no caminho do São Paulo até as quartas da Libertadores

“Não é milagre”. É dessa forma que Ney Franco defende a classificação do São Paulo, nesta quarta-feira, contra o Atlético-MG. Pode não ser milagre, mas a equipe tem uma série de obstáculos para avançar às quartas de final da Libertadores – são pelo menos sete. Veja a lista abaixo:

Ney Franco jogadores treino São Paulo (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)Ney Franco conversa com jogadores em treino no Independência (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)

Vencer fora de casa, por exemplo, tem sido missão impossível para o Tricolor na competição. Para agravar o cenário, o Galo está invicto, absoluto no estádio onde manda suas partidas. O São Paulo precisa de gols, e também esbarra nas limitações físicas e na má fase técnica de seus atacantes. Todos os números são contrários. Para completar, há o trauma da eliminação para o arquirrival Corinthians no Campeonato Paulista, após um empate em que o time de Ney Franco foi melhor, e pênaltis perdidos por dois de seus grandes astros, Ganso e Luis Fabiano, além da defesa anulada de Rogério Ceni, que se adiantou muito na cobrança de Pato.

Confira os principais obstáculos a serem suplantados pelo Tricolor:

Cristaldo comemora, Strongest x São Paulo (Foto: Reuters)Cristaldo comemora gol do Strongest em uma das
derrotas do São Paulo fora de casa (Foto: Reuters)

1) Rendimento ruim fora de casa

O retrospecto do São Paulo longe do Morumbi na Libertadores é pífio. Como visitante, a equipe enfrentou Bolívar, Atlético-MG, Arsenal e The Strongest. Perdeu todos os jogos. Até mesmo aquele que parecia impossível ser derrotado. Na primeira fase da competição, o clube foi a La Paz com uma folgada vantagem de 5 a 0, obtida no Morumbi. Tranquilo, abriu 3 a 0 no primeiro tempo, e conseguiu sofrer a virada, que deixou o goleiro Rogério Ceni e o técnico Ney Franco muito irritados, embora a vaga na fase de grupos nem tenha sido ameaçada.

Na etapa seguinte, Paulo Henrique Ganso, ainda reserva, quase empatou no fim da partida no Independência, mas o time foi derrotado por 2 a 1 pelo Atlético-MG. Placar que se repetiria em Sarandí, diante do Arsenal, e novamente em La Paz, contra o Strongest. Nesses dois jogos fora do país, o Tricolor esteve próximo da vitória, mas foi castigado por chances perdidas.

Na Argentina, a partida estava empatada quando Aloísio não conseguiu finalizar quando até o goleiro do Arsenal já havia ficado para trás. No lance seguinte, o adversário fez o segundo gol. Situação idêntica à ocorrida na Bolívia, quando Ganso, livre na área, chutou por cima minutos antes dos donos da casa marcarem o gol da vitória.

2) Galo forte e vingador no Independência

A dificuldade de o São Paulo vencer fora do Morumbi na Libertadores deve se agravar nesta quarta-feira. Só um triunfo pode dar esperança à equipe de se classificar, mas o Atlético-MG não perde no estádio Independência desde sua reinauguração, em maio do ano passado. Já são 32 jogos de invencibilidade.

O aproveitamento do time de Cuca é espantoso: 85,4% dos pontos conquistados. Foram 25 vitórias e sete empates. A presença da torcida é um dos principais fatores para o ótimo desempenho. Nesta noite, todos os lugares do estádio deverão estar ocupados pelos atleticanos. Na Libertadores, além de terem vencido o São Paulo por 2 a 1 na primeira rodada, bateram o Strongest, pelo mesmo placar, e o Arsenal por 5 a 2.

Se há um jogo para servir de inspiração é a partida pelo Campeonato Brasileiro de 2004. O Independência, antes de sua reforma, recebeu Galo e Tricolor, e os paulistas venceram por 5 a 0 (veja no vídeo ao lado). Show de Grafite, que marcou três vezes, e Danilo, autor de dois gols. Curiosamente, Rogério Ceni era o goleiro e Diego Tardelli, hoje no Atlético, entrou no segundo tempo com a camisa são-paulina. A partida também foi marcada por um festival de chinelos atirados pelos atleticanos no lateral-direito Cicinho, que havia trocado um clube por outro no início do ano.

3) Desvantagem e trauma da expulsão

Pelas razões listadas acima, o duelo do Morumbi era considerado fundamental pelo São Paulo, e os primeiros minutos indicavam que o estádio poderia levar a equipe às quartas de final. Jadson marcou no início e o domínio era amplo até a expulsão de Lúcio, na reta final da etapa inicial. O cartão vermelho do experiente zagueiro mudou totalmente o cenário.

O Atlético cresceu, o Tricolor perdeu força ofensiva com a saída de Ademilson, que havia substituído o lesionado Aloísio, e a virada foi inevitável. O placar poderia ter sido ainda maior, mas os mineiros perderam boas chances. Com isso, além de precisar vencer por dois gols de diferença, ou então por vantagem mínima se marcar pelo menos três vezes, o São Paulo entrará em campo abalado por uma partida em que tudo parecia bem encaminhado, mas terminou de maneira traumática.

4) Luis Fabiano e as decisões

O atacante volta a entrar em campo na Libertadores depois de quatro jogos de ausência por conta da expulsão contra o Arsenal, quando reclamou bastante do árbitro Wilmar Roldán, e levou o cartão vermelho após o apito final. Todos consideraram a punição da Conmebol exagerada, mas é fato que a pressão sobre o artilheiro aumentou demais.

A diretoria avalia que a presença de Fabuloso em campo teria garantido alguns pontos nos jogos contra Arsenal e Strongest, fora de casa. Em ambos o São Paulo foi derrotado. Sem falar no primeiro duelo das oitavas frente ao Atlético-MG.

Para piorar a situação do camisa 9, ele perdeu um pênalti na semifinal do Campeonato Paulista diante do Corinthians, e voltou a ser contestado pela torcida por suas falhas e ausências em momentos decisivos. O centroavante é a maior esperança da diretoria para decidir a classificação no Independência. Ele tem 12 gols no ano até agora.

Luis Fabiano derrota Corinthians São Paulo Paulista (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Luis Fabiano desolado após perder pênalti contra o Corinthians (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

5) O quadril de Osvaldo

Considerado melhor jogador do São Paulo no ano ao lado de Jadson, o atacante, convocado duas vezes para a seleção brasileira, não tem presença confirmada na partida. Tudo em razão de uma lesão no quadril, sofrida ainda no primeiro tempo do clássico diante do Corinthians. Osvaldo saiu do Morumbi diretamente para o hospital, não foi constatado nada de mais grave, mas ele ainda sentia dificuldade nos movimentos.

Na terça-feira, Osvaldo não participou do treino do São Paulo no estádio Independência. Passou o dia fazendo fisioterapia, e deve repetir o procedimento até o momento do jogo. Se o atacante não puder jogar, Douglas será seu substituto. Um prejuízo grande.

Osvaldo não faz gols desde o fim de fevereiro, marcou apenas cinco neste ano, mas participa de praticamente todos os lances decisivos do Tricolor.

6) Eliminação no Paulistão

O São Paulo entra em campo abalado pela derrota nos pênaltis na semifinal do Campeonato Paulista. O time carrega um estigma de desempenho ruim em mata-matas nos últimos anos. No estadual, por exemplo, foi a sétima eliminação seguida em semifinais.

Além de ter visto o arquirrival comemorar dentro do Morumbi, o resultado tornou a Libertadores a única oportunidade de conquista no primeiro semestre.

7) Algozes brasileiros

Desde 2006, sempre que participou da Libertadores, o São Paulo foi eliminado por uma equipe brasileira. Naquele ano, perdeu a final para o Internacional, e a chance de conquistar o segundo título consecutivo. Em 2007, o carrasco foi o outro gaúcho, o Grêmio, nas oitavas, treinado por Mano Menezes, em seu primeiro trabalho de destaque na carreira.

No ano seguinte, no último minuto, um gol de Washington, do Fluminense, tirou o São Paulo da Libertadores nas quartas de final. Na mesma fase, o time caiu em 2009, derrotado pelo Cruzeiro. O confronto encerrou a passagem de três anos e meio do técnico Muricy Ramalho pelo Morumbi. Era ele o comandante nas eliminações anteriores.

Em 2010, já com Ricardo Gomes, o Tricolor foi à semifinal, mas caiu novamente diante do Internacional graças ao gol marcado pela equipe colorada no Morumbi, já que no placar agregado houve empate de 2 a 2. Agora, de volta à competição três anos depois, o Atlético-MG é o candidato a algoz do ano. Mais um na galeria.

Um comentário em “As sete pedras no caminho do São Paulo até as quartas da Libertadores

  1. Acabou o jogo…param variar…perdemos! Claro que não me surpreendi…pois se não conseguimos ganhar das galinhas, muito mais difícil seria ganhar do galo. Parabéns ao The King…JJ Primeiro.
    A monarquia absolutista estabelecida no clube está colhendo seus frutos!!!

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