Após vencer clássico, Ceni diz que se inspirou em Cuca para armar o time

Veio dos ensinamentos de Cuca a inspiração de Rogério Ceni para armar o São Paulo que venceu o Palmeiras neste sábado no Morumbi pelo Campeonato Brasileiro. Pelo menos foi isso o que disse o técnico do Tricolor, que foi comandado pelo técnico do rival em 2004. Ceni disse que preparou toda a semana de treinamentos baseado no que aprendeu com o comandante adversário deste sábado. Na época em que trabalharam juntos no São Paulo, o esquema implantado por Cuca foi com três zagueiros, utilizado agora por Ceni.

– Eu só trabalhei nessa semana de acordo com o que fiz na pré-temporada, onde trabalhei com 3-4-2-1 ou 3-4-3. Você monta de acordo com o que você imagina da equipe adversária. Eles têm um leque de opções. Quando cheguei no estádio, pensei que eles poderiam colocar o Jean no meio. Isso encaixou com o nosso time. Aprendi com o Cuca como montar o time em 2004. Engraçado que montei toda a preparação com o que aprendi com ele – afirmou Rogério, em entrevista coletiva.

O técnico também foi perguntado sobre uma confusão com o próprio Cuca em 2004 e negou qualquer ressentimento. Na época, o ex-goleiro do São Paulo e o atual técnico do Palmeiras discutiram por conta do preparador físico Omar Feitosa, que até hoje integra a comissão de Cuca.

– Não tem nenhum ressentimento. Como treinador, ele é um ótimo construtor de time. Eu também tomaria as dores de um membro da minha comissão. O que acontece no vestiário fica no vestiário. Até por isso, fiz questão de cumprimentar o Omar Feitosa hoje. No calor da partida, você toma atitudes que, com calma, não tomaria. A gente aprende com todos os treinadores, o que se fazer e o que não se deve fazer. Ele monta times de trás para frente. Só tenho agradecimento a ele pela forma que me fez enxergar o futebol quando trabalhamos – afirmou Ceni.

O São Paulo conquistou a segunda vitória consecutiva por 2 a 0 – venceu o Avaí na última segunda-feira – e chegou a seis pontos no Campeonato Brasileiro. Ceni falou sobre a evolução do time e diversos outros assuntos na entrevista. Confira os principais trechos:

Deu nó tático em Cuca? Estagiário superou o mestre?
Jamais. Isso não existe no futebol. Principalmente contra um treinador que tem anos e anos na carreira. Muitas das coisas boas que aprendi dentro de campo foram com ele, que sabe muitas coisas. Jamais isso, de estagiário, sobre um treinador com a experiência do Cuca.

O que vitória pode significar?
Espero que tenha significado especial para todos jogadores. A gente viu a felicidade no vestiário. Torcedor que veio volta feliz, o que ficou em casa, acho que todos ficaram felizes com uma vitória importante talvez contra a melhor equipe do Brasil.

Como se sente após a vitória

Sou tranquilo para trabalhar todos os dias. A vitória não é minha, é dos atletas. Se doaram no campo. Fizeram tudo pedido e um pouco mais. E eles têm de comemorar mesmo. Jogar contra o Palmeiras, pelo grau de qualidade que tem, os jogadores, e sair vitorioso, tem de ser algo significativo para eles.

Seguir com esquema de três zagueiros
Depende da equipe que a gente vai enfrentar. Do adversário. Eu hoje não tinha ideia exata de como o Palmeiras jogaria. Não tive muitas informações. O Michel na esquerda eu tinha. O Mayke na direita, não. Acho que ele imaginou o São Paulo com três volantes hoje. Como vocês noticiaram. Taticamente foi um duelo muito interessante, e não existe perdedor nisso. Soubemos sofrer mesmo, entendemos bem o jogo nesse período. E sabemos que tinha um elenco mais forte, e nos adaptamos ao jogo de hoje. Repito, se não fosse a dedicação deles, nada teria acontecido.

Tite já pode observar Jucilei para a Seleção?

É delicado falar do Tite, porque as pessoas interpretam. Quando falei que ele era melhor pessoa, a resposta foi honesta de minha parte, conheço ele. O Rodrigo é ótimo menino. E o Jucilei, tem sempre que olhar. Ele jogou jogo sim, jogo não, mas hoje ele é titular na sua função. Dá muita força ao time, força mental, dá muito respaldo aos seus companheiros. Hoje é um jogador muito importante.

Não ter utilizado Lugano foi opção técnica ou física?

Ele está sempre bem fisicamente, sempre disposto a jogar. Ajuda muito. Quando joga, ajuda muito no campo, e quando não joga, ajuda muito fora de campo. Pessoa que eu tenho o maior respeito. mas também preciso entender o jogo. Iria jogar com uma equipe de muita velocidade, imaginei três atacantes, jogadores velozes. E assim o Lugano não se encaixaria tão bem, era mais com centroavante fixo. Eu queria dar mais oportunidades a ele, porque ele é um ídolo, gostaria de jogar, mas ele reage muito bem quando não joga. E eu sempre respeito ele com a braçadeira quando está em campo.

Fonte: Lance

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