Após pensar em desistir do futebol, Negueba diz: ‘Ainda quero brilhar aqui’

Negueba é sorridente e simples. Mora sozinho em um aconchegante apartamento na zona oeste de São Paulo. Mas, a cicatriz no joelho direito o fez refletir e amadurecer. O atacante, que faz tratamento em dois períodos para ficar à disposição do técnico, quer algo que o conforta desde a infância, mas está impedido de fazer por conta do corpo: jogar futebol, o que, por enquanto, é só no videogame.

Contratado no início da temporada em negociação que envolveu a ida de Cleber Santana ao Flamengo, Negueba foi apresentado na primeira sexta-feira do ano. Sonhos e perspectivas, dois dias depois, deram lugar ao maior drama pessoal, antes mesmo de estrear. Ao romper o ligamento do joelho direito, foi submetido à primeira cirurgia de sua vida.

– Eu  estava bastante feliz em jogar e defender as cores do São Paulo, então, parece que você toma um soco. Teve uma hora em que eu pensei: ‘Não quero mais jogar bola’. Isso embaralha a cabeça toda – declarou o atacante, durante visita da reportagem do LANCE!Net à sua residência.

O período serviu de aprendizado. Agora, Negueba dá valor aos mínimos detalhes da vida. Mesmo entre as lágrimas de dor, disse que o apoio dos familiares e companheiros de grupo o ajudaram na reabilitação.

Com previsão de volta até julho, Negueba segue à risca a prescrição médica. Como hobby, passa as horas vagas no videogame. Entretenimento que o faz imaginar como será defender o clube. Além disso, aumenta a motivação para atuar ao lado de Luis Fabiano, Osvaldo, Ganso…

– São todos grandes jogadores. Tudo de Seleção Brasileira. Tem o Wallyson, que voltou bem após a lesão. Sonho em me firmar como titular para, enfim, mostrar que eu dei a volta por cima. Então, é um objetivo: ser titular do São Paulo – declarou.

Por conta da lesão, Negueba teve de comemorar os seus 21 anos, completados há duas semanas, em casa, enquanto via a vitória do time diante do Botafogo por 3 a 1, pelo Paulista.

Recuperando-se do medo pós-lesão, o atacante, que tem contrato só até o final do ano, quer mostrar o seu valor nos próximos meses no clube.

– Dá tempo para brilhar ainda. Pela força de vontade, que só de ver a bola dá vontade, vou ajudar muito.

Companheiros dão força ao atacante

Logo após sofrer a lesão, os companheiros de grupo ajudaram Negueba. Wellington e Fabrício, que sofreram com problemas no joelho, foram fundamentais no período.

– O Wellington chegou, conversou bastante comigo, porque ele passou por um momento até pior do que o meu, pois teve de operar duas vezes o mesmo joelho. Falou que é complicado, mas disse para eu nunca desistir, procurar se apegar à família, porque ela que vai ajudar. Ele, o Fabrício, o Ceni.

O meia Cañete foi importante. Durante um ano, argentino passou por cirurgia e se recuperou até ter mais oportunidades.

– Ele falou que não dobrava a perna, os médicos tinham de colocar peso em cima da perna dele para dobrar. É uma coisa que a gente passa e não tem como ver, mas é sacrificante para caramba.

Por conta da proximidade das residências, o lateral Carleto auxilia bastante Negueba, até o levando para o Reffis no CT da Barra Funda de carro. Aloísio e Paulo Miranda são outros que o visitam.

Intervalo benéfico e goleada virtual
Ansioso com o retorno, o atacante Negueba ainda pode se beneficiar com a pausa nos campeonatos em que o clube compete para a disputa da Copa das Confederações, que ocorrerá de 15 a 30 de junho, para readquirir a condição física. Com isso, poderia ser inscrito na fase final da Libertadores, caso o São Paulo esteja classificado.

Nesta temporada, o jogador pode disputar o Campeonato Brasileiro, a Copa Sul-Americana, a Recopa e a Copa Suruga, além do Mundial de Clubes, caso o clube do Morumbi seja campeão da Libertadores.

Bate-Bola
Negueba
Atacante do São Paulo, durante entrevista  ao L!, em seu apartamento

‘Quando me machuquei, o mundo caiu na cabeça’

Como foram os primeiros dias após a operação no joelho direito?
Foram difíceis,  experiência que eu estava passando e era bastante complicada. Vendo a minha família triste, meu pai estava esperando as coisas acontecerem e eu também, vindo para um clube novo. Logo que me machuquei, parece o mundo caiu em cima da cabeça.

Depois da cirurgia, como foi conviver sem dobrar o joelho?
Eu fiquei no hospital e, quando eu tive alta, na hora em que eu fui embora, a dor piorou, tive de continuar no hospital. Tinha uma hora em que o remédio não fazia efeito, e a dor vinha. Tinha de tocar a campainha para as pessoas me atenderem.

Como tem sido a sua rotina?
Estou treinando no CT, de manhã. Comecei a fazer os trabalhos na academia, e depois eu vou para Cotia trabalhar na piscina. O motorista do clube me leva. Eu almoço no CT e depois vou. Estou seguindo à risca (a prescrição médica), estou pegando força na perna, estão aparecendo músculos. Não tenho muitos músculos, mas estão aparecendo (risos). Estou adquirindo mais força na perna.

Tem dificuldade para andar?
Estou andando normal, não dou aquela forçada, não manco mais.

Você sente que amadureceu após a lesão?
Você tem de amadurecer, senão, as coisas começam a dar mais errado. Você tem de assimilar as coisas que acontecem.

Quando está assistindo ao jogo do clube e vê um erro do atleta, não bate aquela vontade de entrar em campo, pedir a bola e tentar fazer o gol?
É verdade, cara, tem bola ali que, “meu Deus do céu” . Em casa, é bem pior do que estar no estádio, porque, aqui, eu consigo ver alguns buracos no jogo e no estádio você não vê. Dá agonia, tem a torcida gritando, e você querendo ajudar e não pode. É a pior coisa que tem.

Qual a sua maior motivação para voltar a jogar?
É pessoal, como eu digo para os meus pais. De repente você está em cima, de repente você está em baixo, e as pessoas acham que você não vai conseguir voltar. Essa é uma das coisas que venho pensando.

Você sempre gostou de comemorar os gols com as danças. Tem alguma  preparada para o retorno?
Tem uma dança esperando eu voltar já (risos). Eu e o Carleto já fizemos uma e só vamos mostrar quando eu voltar ao time.

Como é sua relação com o atacante Luis Fabiano?
Ele é bastante brincalhão, mas na hora que tem de ser sério, o Luis também é. Conversa comigo, me dá apoio e pergunta como eu estou.

E com o técnico Ney Franco?
Ele procura saber como eu estou, vem e conversa comigo. Não só ele, como também a comissão técnica toda, o presidente. Todo mundo quer ver o meu bem.

Tem acompanhado o time?
Eu vou em todos os jogos no estádio Morumbi, em todos.
Fonte: Lance

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