Ação contra Juvenal faz Aidar tentar separação histórica do SP

O São Paulo poderá dar início nesta quinta-feira a um processo de reestruturação do clube. A ação movida na Justiça em 2011 por conselheiros então na oposição contra o terceiro mandato do ex-presidente Juvenal Juvêncio será tema de uma reunião na qual o presidente Carlos Miguel Aidar tentará viabilizar o começo de um acordo para dar fim ao processo e dividir o São Paulo em duas partes: o clube de futebol e o clube social.

Para tal, o São Paulo já até acionou um escritório de advocacia – Mattos Filho, que será representado por Roberto Quiroga e outros três advogados na reunião que terá participação do presidente do conselho deliberativo, Carlos Augusto de Barros e Silva – o Leco –, o presidente do conselho consultivo, José Eduardo Mesquita Pimenta, e o conselheiro vitalício Francisco de Assis, um dos autores da ação contra o terceiro mandato. Quiroga e outros envolvidos confirmaram ao UOL Esporte o encontro nesta quinta-feira, no Morumbi. Aidar, porém, não confirma.

A ideia do acordo que Aidar cogita é fazer com que aqueles que movem a ação se satisfaçam com uma nova eleição no clube social. Aidar, mentor da interpretação que em 2011 conseguiu fazer Juvenal Juvêncio ser reeleito pela segunda vez, aceitaria abrir mão da parte social do clube, mas tenta aproveitar o acordo para transformar o futebol do clube em uma unidade independente.

O resultado da separação seria uma divisão entre o clube de futebol São Paulo e o clube social São Paulo. Carlos Miguel Aidar se manteria como presidente do futebol, agora independente do resto, enquanto o clube social passaria por uma nova eleição presidencial para referendar a anulação do terceiro mandato de Juvenal Juvêncio. Para isso acontecer, porém, o possível acordo terá superar entraves burocráticos, políticos e econômicos.

Não há consenso na cúpula são-paulina entre os poucos que têm conhecimento da ideia da separação. Quem discutiu a possibilidade enxerga motivos favoráveis, como a concentração do governo no futebol, a maior facilidade de se acelerar a profissionalização da festão e a independência de sócios que não são são-paulinos e votam nas eleições de conselheiros, e motivos contrários, como a dificuldade que será separar o patrimônio do clube – o futebol tem as dívidas, mas parte do patrimônio está no social.

O caso não se resolverá da noite para o dia. Até por isso, o São Paulo já acionou um escritório e uma equipe de advogados especializada. A separação seria extremamente complexa em termos jurídicos e financeiros, e pode levar anos para acontecer mesmo se houver acordo entre as partes. Além do acordo, seria necessário passar o caso pelo conselho deliberativo – o estatuto do clube teria de ser reformulado.

O São Paulo passou por uma reforma de estatuto que aumentou o mandato de dois para três anos e permitiu que Juvenal Juvêncio governasse entre 2008 e 2011 depois do primeiro mandato, de dois anos. Aidar foi, na época, o padrinho da interpretação que fez com que a segunda reeleição fosse entendida como legal a partir da mudança de estatuto anterior.

Após a manobra que viabilizou a segunda reeleição de Juvenal, conselheiros da oposição entraram com a ação. Ainda em 2011, Juvenal Juvêncio chegou a conseguir derrubar liminar que impedia o terceiro mandato. Meses depois, outra liminar foi concedida aos oposicionistas, impedindo as mudanças no estatuto. No fim de 2013, a 8ª Câmara do TJ/SP reconheceu legitimidade do terceiro mandado. Há um mês, no entanto, a situação teve nova derrota na Justiça, e agora vê o caso encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.

 

Fonte: Uol

9 comentários em “Ação contra Juvenal faz Aidar tentar separação histórica do SP

  1. Caro Raphael, concordo com sua observação, mas entendo que numa entidade associativa há que existir no mínimo um ponto em comum entre os associados, ou seja, o fim a que se destina.
    Isto a meu ver perdeu-se no tempo, fazendo com que haja outros interesses em grande parte deles.
    Acompanho o São Paulo a mais de 50 anos, me relacionei durante muitos anos com sócios, apesar de não se-lo, e até conselheiros, e em momento algum durante este tempo, senti que qualquer deles, apesar da forma como alguns particularmente se comportavam, não tivesse profundo amor pela causa sendo o resto apenas um meio de convivência.
    Mas quando leio que 45% dos sócios hoje não têm qualquer relação com o que originou o ambiente que frequentam, me induz a pensar que se faz necessário que isto volte ou será o fim da causa porque muitos lutaram.
    Ladrões e incompetentes podem existir em todos os círculos de convivência, mas se a maioria lutar pela consecução do objetivo comum estes não terão meios para fazer com que prevaleça sua má conduta, maior exemplo é o que vivenciamos hoje em nosso país.
    O São Paulo está a 4 mandatos nas mãos de incompetentes para dizer o mínimo e não vejo qualquer reação do conselho para que isto mude, são de uma passividade impar, levando-me assim a origem de parte deles, ou seja, os que os elegeram.
    Havendo um crescimento destes elementos na linha do tempo, então amigo deduza o destino.
    Forte abraço.

  2. Sou associado há mais de 30 anos, proprietário de cadeira cativa (em nome do meu filho) e sou totalmente CONTRÁRIO a qualquer separação… O SÃO PAULO nasceu FUTEBOL CLUBE e assim vai continuar sendo. A incapacidade comprovada dos seus gestores não vai se resolver com uma canetada… eu pergunto: se houver separação, porque o CMCA quer ficar com o futebol e não com o clube? Sei, sei… já entendi!!!

    • Concordo totalmente, e acho essa separação um passo extremamente perigoso. Me parece uma iniciativa totalmente oportunista por parte do Aidar.
      Uma reforma política/estatutária poderia resolver muitos dos nossos problemas. Mas uma reforma pensando no que é melhor para a instituição, e não para um determinado grupo de pessoas como foi feito pelo JJ.

    • Caro Waldir, de associados deste tipo é a que me refiro em minha elucubrações sobre os destinos do nosso querido tricolor, que tenham o FUTEBOL Clube como objetivo comum, que apesar dos percalços nunca percam isto de vista e lutem por sua prevalência perante todo resto.
      Forte abraço.

  3. O Tricolor é São Paulo FUTEBOL CLUBE. Na minha visão não precisa dividir nada. O social deve andar pelas próprias pernas, ou seja, as mensalidades dos sócios devem sustentar o social. O Futebol idem. O que precisa é de uma gestão profissional, sem (Aid)armador e com competência e transparência.
    Ah, e a ação, obvio, que não é contra o Juvenal e sim contra o SPFC. Sem conchavos esdrúxulos.

  4. A muito tempo venho postando neste espaço que o retrocesso do São Paulo se deve em grande parte aos 45% de sócios não são paulinos que não têm obrigação alguma de lutar ou sofrer consequências pelos desmandos no futebol.
    Na minha visão, pela origem do clube, deveria haver no estatuto a obrigatoriedade da participação dos sócios em todos os jogos do time, sendo parte da mensalidade destinada a compra de ingresso para os jogos com presença obrigatória em pelo menos 50% deles.
    Quer ser sócio de um clube de futebol, deveria pagar o preço, goste ou não de ir ao estádio, mas tem que ser torcedor do time.
    Não se pensou nisso nos primórdios do time, pois 100% eram torcedores.
    A coisa mudou, e o perfil dos associados foi mudando, sendo crescente o número deles que, acredito eu, nunca pisaram no estádio, pelo menos no nosso, talvez até conheçam profundamente os dos adversários.
    Então são estas pessoas que elegem o conselho, criando lobby para melhorias sociais ou até, imagino, para a má condução do time, como apropriação indevida dos recursos em negociatas.
    Hoje, da forma como está tem que se buscar reduzir a influência destes associados, através de uma participação mais efetiva do sócio torcedor, principalmente nas eleições de forma a minimizar os efeitos e começar a purgar o perfil do associado do clube.
    Um problema par a juristas.
    Da forma como está não pode continuar, quando o número de não são paulinos for maior será o fim do time de futebol.

    • Fernandes, entendo o seu ponto de vista e acho que você está errado, pois está reduzindo corrupção, mau caratismo e/ou incompetência à simplesmente rivalidade clubística.
      Quem rouba dinheiro não é rival, é LADRÃO.
      Quem administra mal não é rival, é INCOMPETENTE.

      E não deveria haver espaço nem pra um nem pra outro em um clube do tamanho e da importância do São Paulo.

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