À base de carinho, São Paulo resgata Michel Bastos e faz pacificação do CT

Poucos jogadores foram tão acarinhados na vitória por 2 a 1 sobre o River Plate do que Michel Bastos. Antes, durante e depois do jogo, o meia recebeu gestos de afeto de todos os cantos. A torcida do São Paulo gritou seu nome no anúncio da escalação e quando ele foi substituído, mesmo tendo atuação discreta – apesar da assistência para o segundo gol.

Os aplausos no ato da substituição foram puxados pelos próprios companheiros. João Schmidt foi um dos que fizeram questão de levantar os braços para ovacioná-lo. E já com a vitória assegurada, na descida do vestiário, Michel foi esperado pelo diretor de futebol Luiz Cunha com uma camisa 100, homenagem ao número de jogos pelo Tricolor, um abraço e uma declaração.

– O mais importante de tudo é ganhar um amigo, ter uma pessoa dentro do meu coração, que é esse grande jogador do São Paulo – afirmou o dirigente.

O cenário parece surreal. De dois meses pra cá, Michel Bastos havia sido alvo de protestos com direito a torcedor-dublê fã de cerveja e apitaço a cada toque na bola, e era tido internamente como foco de problemas de relacionamento no elenco de jogadores.

O jogo virou baseado no Plano Carinho elaborado pelo São Paulo para não perder um de seus principais expoentes de talento. Michel Bastos é tido como um daqueles que podem fazer diferença em campo, com vasto repertório e currículo recheado. Por isso, em vez de tentar envolvê-lo em negociações – interessados não faltaram –, a diretoria optou por resgatá-lo.

– Isso me dá mais ânimo, ter o carinho de uma pessoa que chegou agora, é importante no clube e me mostrou o quanto eu sou importante (falando de Luiz Cunha). Sempre tive vontade de usar a camisa do São Paulo, poucas vezes fiquei fora do time. Se fiquei é porque não tive condições de ajudar meus companheiros. Eles me conhecem, sabem que sou um pouco moleque, mas dentro de campo tento dar meu máximo e o torcedor reconhece meu valor – disse Michel.

O camisa 7 ainda não voltou a apresentar seu melhor futebol, mas, na avaliação dos dirigentes, se mesmo assim a torcida tem gritado seu nome com frequência, é porque conseguiu identificar uma mudança de atitude, um maior interesse, algo que, na verdade, atinge todo o grupo. Pela diferença de reações, Michel Bastos acaba sendo o maior exemplo de uma mudança que deixa o São Paulo satisfeito e animado para o futuro na temporada.

O maior desafio no início desse processo foi acarinhar Michel sem dar a impressão de que o clube estava tomando partido num grupo dividido. Tudo por conta daquela noite em que o time foi derrotado pelo The Strongest no Pacaembu, e a maioria dos jogadores não deu entrevistas num protesto contra atrasos nos direitos de imagens. O meia, que já disse ter se arrependido dessa decisão, foi um dos líderes do pacto. Lugano, Calleri, Denis e Alan Kardec não participaram.

Michel Bastos Calleri São Paulo (Foto: Luis Moura / Agência Estado)Michel Bastos e Calleri: antes em grupos divididos, agora próximos e criando gols (Foto: Luis Moura / Agência Estado)

As cobranças públicas feitas pela diretoria e a chegada de novos elementos ao departamento de futebol fizeram parte do plano de mostrar a Michel Bastos que o São Paulo queria, sim, sua permanência. O diretor executivo Gustavo Vieira de Oliveira, o diretor Luiz Cunha, o coordenador técnico Rene Weber, o auxiliar-técnico permanente Pintado. Cada um tem seu papel. Sem falar, evidentemente, em Edgardo Bauza, outro que se beneficia desse momento de paz.

Bater na hora certa e saber acolher. Essa é a receita do São Paulo para tentar, agora, manter a união e a paz entre os jogadores e o técnico. Cada gesto é avaliado. A comemoração dos últimos gols, a disposição em buscar resultados até o fim – os empates contra Linense e Santos e a vitória sobre o Oeste, por exemplo –, a atitude de caras como Paulo Henrique Ganso, que pede ao técnico para tirar o artilheiro Calleri e protegê-lo de uma possível expulsão. O diagnóstico aponta para um CT pacificado. Essa é a maior esperança pela sequência de bons resultados.

 

Fonte: Globo Esporte

2 comentários em “À base de carinho, São Paulo resgata Michel Bastos e faz pacificação do CT

  1. Vou repetir o que já escrevi aqui:
    O melhor período do MB no SP foi jogando pelo lado direito, quando ele aproveitou bem seu corte para o meio e a batida de esquerda. Ultimamente temos visto ele jogando apenas pelo lado esquerdo onde, quando dá o drible para seu pé bom, invariavelmente ele perde ângulo e seu chute torna-se defensável ou é isolado. Eu gostaria que o MB fizesse como fez o Pato, quando conversou com o Osório e pediu para jogar da forma que ele mais gostava e rendia; foi atendido e jogou muito bem. Acho que o Michel deveria solicitar ao treinador que lhe deixasse treinar e jogar daquela forma; isso seria bom pra todos…

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